O formato tradicional das escolas está ultrapassado?
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Tuesday, 30 June 09 - 08:21 PM (GMT -04:00) By Master Santucci in Na Sala de Aula |
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Você acha que os atuais métodos de ensino precisam passar por uma reformulação? "Idealizador da Escola da Ponte, em Portugal, instituição que, em 1976, iniciou um projeto no qual os estudantes aprendem sem salas de aula, divisão de turmas ou disciplinas, o educador português José Pacheco afirma que as escolas tradicionais são um desperdício para os estudantes e os professores.
'O que fiz por mais de 30 anos foi uma escola onde não há aula, onde não há série, horário, diretor. E é a melhor escola nas provas nacionais e nos vestibulares', diz. 'Dar aula não serve para nada. É necessário um outro tipo de trabalho, que requer muito estudo, muito tempo e muita reflexão.'"
*As informações são do UOL Educação.
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MEC abre inscrições via web para 54 mil vagas de graduação para professores
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Tuesday, 30 June 09 - 08:14 PM (GMT -04:00) By Master Santucci in Notícias - Educação |
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Da Redação
O MEC (Ministério da Educação) abriu, nesta terça-feira (30), as inscrições para 54 mil vagas de graduação exclusivas para professores em exercício nas redes públicas estaduais e municipais. As vagas devem ser ocupadas no segundo semestre deste ano.
As inscrições deverão ser feitas pela Plataforma Freire, lançada nessa terça. Os cursos serão oferecidos por 90 instituições públicas de ensino superior em 21 estados que aderiram ao Plano Nacional de Formação de Professores (Rio Grande do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Acre, Rondônia e Distrito Federal não aderiram ao plano).
"O objetivo da plataforma é estreitar o caminho entre a educação básica e a educação superior da maneira mais transparente possivel, para que as pessoas possam observar os crité para matrícula", afirmou o ministro da Educação, Fernando Haddad, nesta terça. "Nosso grande desafio é garantir condições para que haja mais promoção de formação."
O objetivo da pasta é colocar na universidade, entre 2009 e 2011, 331,4 mil professores que lecionam na educação básica e não têm licenciatura. Do total das vagas, 52% são em cursos presenciais e 48% em cursos a distância. O investimento do governo federal nos três anos será de R$ 700 milhões.
Fonte – UOL Educação
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"Fuga de cérebros" é maior na América Latina, diz estudo da BBC Brasil *
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Sunday, 28 June 09 - 08:20 AM (GMT -04:00) By Master Santucci in Notícias - Educação |
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A América Latina e o Caribe compõem a região com maior proporção de profissionais qualificados vivendo no mundo desenvolvido - um fenômeno que se acentuou nas duas últimas décadas, segundo um relatório do Sistema Econômico Latino-americano e do Caribe, com sede em Caracas.
De acordo com o estudo, o total de latino-americanos qualificados que vivem nos países da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) passou de 1,92 milhão em 1990 para 4,9 milhões em 2007 - uma alta de 155%.
Isso equivale a dizer que 11,3% da mão-de-obra qualificada da região vivia em um país rico em 2007.
No México, país que iniciou um tratado de livre comércio com os Estados Unidos em 1994, esse aumento foi de 270%. O segundo maior aumento percentual foi registrado no Brasil: 242%. Mas, proporcionalmente, as maiores taxas de emigração qualificada da região são registradas nos países pequenos.
O secretário permanente do Sela, José Rivera Banuet, disse à BBC que, como 60% dos migrantes que saem para os países ricos acabam trabalhando em áreas diferentes de sua formação, os conhecimentos desses indivíduos acabam perdidos para os países de origem e desperdiçados nos países de destino.
"Um dos desafios é o de encontrar um equilíbrio entre as necessidades nacionais de reter os especialistas em certas profissões ao mesmo tempo em que se desenvolve a cooperação com os países de destino", afirmou.
Números
Um dos países que mais influenciaram as estatísticas latino-americanos foi o México. O número de mexicanos qualificados nos países ricos era de 366 mil em 1990 e passou para 1,36 milhão em 2007 - 16,8% da força de trabalho qualificada.
Sem as estatísticas mexicanas, a taxa de imigração de trabalhadores qualificados latino-americanos não seria de 11,3%, e sim de 8,2%.Os percentuais para África e a Ásia, outras regiões tradicionalmente fornecedoras de imigrantes, são 10,2% e 5,9% respectivamente.
Já o número de brasileiros qualificados trabalhando nos países da OCDE saltou de 63 mil em 1990 para 218 mil em 2007. Mas a situação brasileira preocupa menos os autores do estudo, porque o total de pessoas qualificadas no Brasil ainda é bastante grande.
Em 2007, estima-se que os brasileiros qualificados trabalhando fora correspondiam a 2,3% da força de trabalho qualificada total de 9,4 milhões.
O percentual é bem menor do que o de nações caribenhas como Guiana (88,8%) - cuja dinâmica nesse aspecto a aproxima mais dos vizinhos do Caribe do que da América do Sul--, Haiti (84,9%) e Jamaica (84,4%), entre outros.
"Um dos padrões característicos da migração qualificada contemporânea é a presença de taxas elevadas de emigração em países pequenos ou com baixo nível de diversificação produtiva", destaca o relatório.
"Na América Central, a maioria dos países tem entre um terço e um quarto de sua população qualificada no exterior", afirma o estudo. "Os países da região andina e os sul-americanos são onde o fenômeno tem menor incidência. Contudo, alguns países como Colômbia, Equador e Uruguai têm taxas ao redor de 10%."
Fuga de cérebros
O estudo alerta para o caráter irreversível da chamada "fuga de cérebros" nos países latino-americanos.
O levantamento aponta que, dos anos 1970 para cá, houve uma mudança interessante no comportamento dos países: vários países da região deixaram de promover políticas de contenção da fuga de cérebros, assumindo que a perda de mão-de-obra qualificada é compensada pelo volume de remessas recebidos do exterior.
No entanto, a diretora para a região andina da OIM (Organização Internacional das Migrações), Pilar Norza, disse à BBC que este "conforto" não condiz necessariamente com a realidade.
Segundo Norza, embora não existam números para comprovar isso, existe uma percepção de que os imigrantes que mais enviam remessas não são necessariamente os mais qualificados.
Para Banuet, do Sela, o fenômeno da fuga de cérebros "não pode ser freado nem incentivado, porque depende da decisão individual das pessoas".
Na opinião dele, encontrar o equilíbrio nesta questão significa garantir que os países que formaram os imigrantes qualificados também obtenham benefícios do seu investimento, o que poderia ser alcançado por meio de programas de formação compartilhados e outros acordos bilaterais e multilaterais.
*Com reportagem de Yolanda Valery, de Caracas, para a BBC Mundo
Fonte – Estadão Educação
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País deve investir em pesquisa e educação para diminuir diferenças regionais, diz economista
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Sunday, 28 June 09 - 08:14 AM (GMT -04:00) By Master Santucci in Gestão Educacional |
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Vladimir Platonow - Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro - A sutil redução de diferenças regionais no país, apontada na Pesquisa Industrial Anual (PIA) divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pode ser acelerada por meio de investimentos mais consistentes em pesquisa e educação. A avaliação é do economista Patrick Carvalho, chefe da Divisão de Economia da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan).
“A diminuição das diferenças regionais no Brasil é natural do processo de integração econômica e social. A Firjan tem estudos que já indicam a tendência de interiorização do desenvolvimento nacional. A melhor forma de acelerar isso é investir em infraestrutura, pesquisa, educação e saúde, para desenvolver as regiões de forma harmônica e sustentável”, afirmou.
Para o economista, cabe ao governo facilitar e criar um ambiente de negócios onde haja incentivo à pesquisa e ao desenvolvimento do ponto de vista da proteção à propriedade intelectual e ao sistema tributário. “Para intensificar esse processo [de redução das diferenças regionais] são necessários mais recursos para pesquisa e desenvolvimento, essenciais para o crescimento sustentável e duradouro de qualquer economia”, afirmou.
Mas para garantir a aplicação maciça de recursos na área, defende Carvalho, é preciso haver mobilização social. “A solução está na sociedade civil organizada exigir dos políticos uma resposta mais rápida e eficaz para o problema. Todo mundo sabe que investir em pesquisa e educação é o melhor meio de se desenvolver o país. Mas são necessárias ações concretas de governo em alocação de verbas e alteração da legislação, de forma a desburocratizar o meio de pesquisa e desenvolvimento”, disse.
Segundo o economista, o sistema de registro de marcas e patentes teria que ser facilitado. “Hoje em dia se demora um tempo absurdo para se patentear qualquer produto. Isso acaba entrando no custo das empresas”, afirmou.
Carvalho defende que compete ao empresário tomar a decisão mais racional possível sobre a incorporação de novas tecnologias. “Se é mais barato comprar a tecnologia do que desenvolvê-la, o mais lógico é que devemos comprá-la. A questão é: cabe ao governo facilitar os meios de produção de pesquisas e patentes, agilizando o processo”.
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''A qualidade dos professores é o elemento mais importante da escola''
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Saturday, 27 June 09 - 08:41 AM (GMT -04:00) By Master Santucci in Na Sala de Aula |
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Talita Mochiute
“A qualidade dos professores é o elemento mais importante da escola”, afirmou o professor norte-americano da Universidade de Stanford, Eric Hanushek, doutorado pelo MIT. O pesquisador participou na última quarta-feira (24/6) do Seminário Educação e Desenvolvimento, realizado pela Fundação Itaú Social, na cidade de São Paulo (SP).

Durante a palestra, Eric Hanushek enfatizou a importância de políticas voltadas para a melhoria do rendimento do professor em sala de aula. “O que aconteceria se pudéssemos eliminar os piores professores?”, polemizou. Analisando o contexto educacional norte-americano, relatou que, se isso fosse possível, os Estados Unidos poderiam chegar ao nível do Canadá no PISA (sistema de avaliação internacional que compara o desempenho educacional dos países). “Se conseguíssemos substituir os 10% piores pelos médios, poderíamos atingir o índice da Finlândia (primeira no ranking)”.
O professor acredita que a melhora da qualificação dos professores é a chave para a eficiência do sistema educacional. "Não importa o tempo que a criança fica na escola, mas sim a quantidade de conteúdo que ela aprende", disse. Além de ser o responsável pela aprendizagem do aluno, o bom professor, de acordo com Hanushek, é capaz de diminuir as defasagens existentes entre uma criança de família rica e outra de família pobre.
Segundo o professor, o que determina o bom rendimento do professor em sala de aula não é seu nível de escolaridade, nem o tempo de experiência, nem seu salário. "Não há uma relação direta entre esses fatores e os desempenhos do professor e do aluno. Então, como melhorar a eficiência dos professores?”, questionou.
Para Hanushek, como é difícil, por questões corporativistas, demitir os professores ruins, deve-se fazer programas agressivos de reconhecimento por mérito. “Os pagamentos devem estar atrelados ao rendimento do aluno”. Essa medida serviria para manter os bons profissionais em sala de aula e incentivar um maior comprometimento do corpo docente. O professor defende ainda processos rigorosos de seleção e um novo desenho para os programas de treinamento.
O economista e pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Ricardo Paes de Barros, presente no seminário, também defendeu a política de bonificação para professores. “Há heterogeneidade no desempenho. Por que não premiar os melhores? Os professores têm salários socialistas. Por que sub-valorizar os melhores? E sobrevalorizar os piores?”, provocou.
Sobre essa questão, a professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e ex-secretária de Educação do Estado de São Paulo, Maria Helena Guimarães, comentou que o judiciário é bastante refratário a mudanças na isonomia (equiparação) salarial. “As carreiras são dominadas por sindicatos que cobram os direitos, mas não o da qualidade”. Defendeu ainda a extinção das carreiras atuais, herdadas de “legislações antigas e corporativistas”.
“O diagnóstico é muito fácil de ser feito. O problema é como mudar a situação atual face às restrições de legislação. Como promover a diferenciação salarial e a gestão dos gastos de maneira inteligente?”, questionou o economista Naércio de Menezes Filho.
Educação e Desenvolvimento Econômico
De acordo com Menezes Filho, o investimento em educação é a maneira mais correta de melhorar os indicadores sociais e econômicos. Para os especialistas presentes no debate, o desenvolvimento econômico possui relação direta com a capacidade de formação de capital humano de um país. Essa capacidade só se alcança com a educação de qualidade.
“Se o governo der início hoje a uma política pública de melhoria da qualidade da educação, os impactos serão sentidos em poucos anos, quando os estudantes se transformarem em mão-de-obra ativa”, acrescentou Hanushek. Para exemplificar esse impacto, o professor fez algumas projeções. “Se o investimento tivesse sido feito em 2005, o PIB do país estaria 10% mais alto que o atual em 2025. Isso significa que os ganhos do Produto Interno Bruto (PIB) compensariam todos os gastos com o ensino público”.
O professor lembrou que a eficiência dos sistemas educacionais não está estritamente relacionada ao gasto no setor. “As experiências mostram que não é suficiente só aplicação de recursos financeiros. É preciso ver o que ocorre dentro da sala de aula”.
Maria Helena ponderou essa afirmação: “O gasto não resolve, mas no Brasil ainda está muito aquém. O valor per capita é R$ 1.400 por aluno/ano na educação básica”.
Outro desafio para o sistema brasileiro, de acordo com Menezes Filho, é reduzir os índices de evasão escolar. “Apesar da ênfase na qualidade, temos ainda um problema de acesso, principalmente no Ensino Médio. As pesquisas indicam que há 50% sem acesso, mas as matrículas estagnaram nos últimos anos”.
O professor da USP destacou ainda que o fraco desempenho da elite brasileira no PISA. “Os 5% melhores estudantes da Finlândia estão num patamar bem superior aos 5% do Brasil. Isso mostra que há algo de errado com todo o sistema de ensino”.
Fonte – Portal Aprendiz
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SP terá concurso para professor a cada quatro anos
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Saturday, 27 June 09 - 08:35 AM (GMT -04:00) By Master Santucci in Gestão Educacional |
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FÁBIO TAKAHASHI da Folha de S.Paulo
O governo de São Paulo decidiu tornar obrigatória a realização de concursos públicos para professor a cada quatro anos, no máximo. A ideia é evitar que o número de docentes temporários volte a subir, após o Executivo adotar medidas para redução do contingente.
Hoje, 40% dos professores da rede não são concursados (80 mil entre os 210 mil). A intenção da Secretaria da Educação é reduzir para 10%. Os concursos públicos periódicos são necessários, diz a pasta, para diminuir o atual patamar e, depois, mantê-lo no nível adequado.
O Estado entende que a situação atual prejudica a qualidade de ensino. Os temporários não passaram por seleção de ingresso e não têm estabilidade.
Na terça-feira, a Assembleia aprovou pacote de medidas do governador José Serra (PSDB) que poderá ajudar a reduzir a presença dos não concursados.
Um dos projetos aprovados prevê criação de 80 mil cargos públicos, primeiro passo para o concurso. Os postos serão utilizados para substituição de temporários. Ou seja, em números absolutos, a rede não terá grande variação no corpo docente.
Os deputados também aprovaram a criação de uma jornada de 12 horas semanais (a menor era de 24 horas). O objetivo é facilitar o preenchimento de aulas, com docentes efetivos, de disciplinas com baixa carga horária (como física).
"Com as medidas, em quatro anos devemos ter um nível adequado de temporários na rede", disse à Folha o secretário da Educação, Paulo Renato Souza. "Vamos estabelecer a periodicidade dos concursos para que a situação atual não volte."
De acordo com Paulo Renato, a medida será implementada por meio de decreto do governador, a ser publicado até a semana que vem.
A medida foi apoiada pela presidente da Apeoesp (sindicato dos professores), Maria Izabel Noronha. "Independente de quem estiver no governo, será obrigatória a abertura de concurso. É a medida mais importante para evitar a elevada proporção de temporários."
Atualmente, não há periodicidade definida para abertura de seleção. O último concurso público estadual para professores de 1ª a 4ª, por exemplo, ocorreu em 2005.
Apesar de concordar com a decisão do governo de fixar uma periodicidade para os concursos, a Apeoesp criticou algumas medidas do Executivo aprovadas pela Assembleia.
Uma delas é a prova para os atuais temporários. Quem for reprovado não poderá lecionar --ficará em atividade de apoio.
"Não há número suficiente de professores para colocar uma parte na biblioteca. E analisamos um possível desvio de função, que cabe contestação judicial", disse a presidente.
Segundo o secretário da Educação, a ideia é garantir qualidade do corpo docente. "Espero que o volume aprovado seja suficiente para a rede", disse.
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Formas criativas para estimular a mente de deficientes intelectuais
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Saturday, 27 June 09 - 08:32 AM (GMT -04:00) By Master Santucci in Na Sala de Aula |
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O professor deve entender as dificuldades dos estudantes com limitações de raciocínio e desenvolver formas criativas para auxiliá-los
De todas as experiências que surgem no caminho de quem trabalha com a inclusão, receber um aluno com deficiência intelectual parece a mais complexa. Para o surdo, os primeiros passos são dados com a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Os cegos têm o braile como ferramenta básica e, para os estudantes com limitações físicas, adaptações no ambiente e nos materiais costumam resolver os entraves do dia-a-dia.
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Assembléia de São Paulo vota admissão de 80 mil docentes
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Sunday, 21 June 09 - 09:13 AM (GMT -04:00) By Master Santucci in Gestão Educacional |
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VINÍCIUS SEGALLA do Agora / ROGÉRIO PAGNAN da Folha de S.Paulo
A Assembléia paulista deve votar na próxima semana, entre terça e quarta, o projeto da gestão Serra para a contratação de 80 mil professores.
As contratações devem ocorrer no transcorrer de dois anos e pretendem substituir os professores temporários (não concursados). A rede estadual de ensino possui atualmente 215 mil docentes, sendo que cerca de 80 mil são temporários -os números variam mês a mês.
Os temporários são apontados pelo governo com um dos motivos para a baixa qualidade da educação no Estado.
Com as contratações, o Estado utilizaria os professores não concursados apenas nos casos de emergências, como substituição de licenciados.
O sindicato dos professores estaduais elogiou o aumento de vagas na rede.
O sinal verde para a ampliação foi dado ontem. Anteontem, o governador José Serra (PSDB) encaminhou à Assembléia um aditivo de 30 mil vagas ao seu projeto anterior --que previa 50 mil contratações.
O projeto que aumenta o total de vagas no ensino paulista atende a pedido da oposição e deve facilitar sua aprovação.
Outro projeto em tramitação na Casa prevê a contratação de mais 10 mil docentes - para concurso ainda neste ano. Somando as duas propostas, serão 90 mil docentes contratados.
A gestão Serra também alterou, há duas semanas, o prazo máximo de permanência do temporário na função no cargo. A previsão inicial era de um ano, mas a medida estendeu o prazo para dois anos. Em maio, os professores ameaçaram entrar em greve contra o projeto que limitava o prazo no cargo.
Especialistas em administração pública criticavam o tempo limitado para a contratação de professores temporários.
A maioria dos professores da rede estadual que trabalham atualmente como temporários não perderá o emprego porque ganharam estabilidade pelo tempo de trabalho.
Somente os docentes que ingressaram na carreira após 2007 devem ser afetados. Em princípio, porém, devem permanecer mais dois anos.
Depois disso, entram numa "quarentena" de 200 dias até estarem aptos a concorrer a um cargo público novamente.
A ampliação do prazo tem como objetivo reduzir a rotatividade excessiva de mão-de-obra nas escolas, o que seria nocivo ao processo de aprendizagem, afirma a Secretaria de Estado da Educação.
"A rotatividade atrapalha o processo pedagógico", afirma Maria Isabel Noronha, presidente da Apeoesp (sindicato dos professores).
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Educação cívica está entre soluções para combater corrupção no país, diz cientista político
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Sunday, 21 June 09 - 08:46 AM (GMT -04:00) By Master Santucci in Notícias - Educação |
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Da Agência Brasil
Brasília - Combater a corrupção é uma das preocupações atuais da sociedade. Para isso, o cientista político Fernando Filgueiras defende o resgate dos valores e da educação cívica. Segundo ele, o Brasil está caminhando para isso, mas as ações ainda são tímidas.
“O Brasil tem um experimentalismo muito grande na sociedade civil. As formas de controle de corrupção, como as ONGs têm mostrado alguns resultados. O gargalo é que nem sempre isso se transforma em políticas públicas” Filgueiras.
O debate ocorreu durante o seminário Os Desafios do Combate à Corrupção no Brasil, promovido pela Controladoria Geral da União (CGU) e a Universidade de Brasília (UnB).
O secretário de Prevenção da Corrupção e Informações Estratégicas (SPCI) da CGU, Marcelo Ribeiro, que também participou do debate, ressaltou que a corrupção é um problema de cunho mundial e não apenas do Brasil. “Existe uma preocupação com a corrupção no mundo inteiro”.
Questões como a ética no serviço público, a investigação da corrupção e as convenções internacionais sobre o tema também foram expostas.
Para Filgueiras, trazer o debate para a universidade também pode ser considerada uma iniciativa de combate à corrupção “Criar essa proximidade maior entre o processo de observação abaliza o debate permanente”.
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Educar para uma nova sociedade
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Saturday, 20 June 09 - 09:56 AM (GMT -04:00) By Master Santucci in Educação |
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Alexandre Saconi
“Durante muitos anos, a escola foi um aparelho de reprodução ideológica do Estado. Ela saiu disto e foi rumo a uma lógica mercadológica, só que não definiu para qual tipo de mercado: um ético, com valores voltados para a sociedade, ou algum outro, autodepredador. O problema é que ela não ficou com nenhum dos dois, ficou perdida nesse meio”.
A afirmação é do educador popular e folclorista Tião Rocha. Ele participou do debate “Saberes necessários para a formação do cidadão: o desafio da educação para uma sociedade sustentável”, realizada durante a Conferência Internacional do Instituto Ethos,
Tião defende que é possível fazer educação sem escola, debaixo de um pé de manga, como o faz há mais de 25 anos no vale do Jequitinhonha (MG). Mas é impossível educar sem bons educadores. “Educar é sempre algo coletivo. Depende de pelo menos duas pessoas. É uma troca. O que eu tenho com o que você tem”.
Relembrando sua trajetória, Tião recordou de algumas desistências de seus alunos. “Não posso dizer que nunca perdi um aluno. Já perdi sim, mas porque alguns foram estudar música na Universidade Brasileira de Música e outros porque foram para o balé Bolshoi. Não podemos perder nossas crianças para o passado, mas sim para o futuro”.
Questionado sobre o papel da sustentabilidade, ele citou o fato de políticas baseadas no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) sempre serem compensatórias. Para ele, essas iniciativas atacam apenas aspectos deficientes da sociedade. “Preocupo-me não com o IDH, mas sim com o Índice de Potencial de Desenvolvimento Humano. Pois o primeiro só mede a parte vazia do copo. O segundo vai ver a água que já está nele. Mesmo que seja pouca, é ela que deve ser reproduzida, e não ser complementada com uma rega esporádica”, disse.
Para José Ernesto Bologna, a educação deve promover uma mudança das consciências em prol da sustentabilidade. Para isso, é preciso convencer escolas e universidades que a sustentabilidade é uma utopia já instalada para o século XXI. “As escolas continuam segmentando conhecimento, tomado como objeto, não construído na interação e com crítica. É fundamental valorizar o conceito e colocá-lo dentro dos currículos, convencendo os jovens que há uma utopia: a da sustentabilidade”.
Mas para Bologna, não basta tratar sustentabilidade de maneira transdisciplinar, é necessário ser multimídia. “O desafio é que, para construir o mundo que temos que construir, temos de desconstruir o mundo que está aí”.
Para Lia, em tempos difíceis é preciso desenvolver quatro habilidades e competências. Primeiro, contextualizar a informação. Com todo o volume de informações geradas é preciso trabalhar para que estas gerem efetivamente uma transformação. Em segundo lugar, é preciso desenvolver senso crítico, para realmente construir um objetivo de transformação. Em terceiro, a alfabetização emocional, que é de suma importância, mas em muitos casos é relevada. Por fim, tomar cuidado com o comprometimento, para que este não se torne oportunismo.
Fonte – Portal Aprendiz
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O ato de ensinar e a condição humana
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Saturday, 20 June 09 - 09:18 AM (GMT -04:00) By Master Santucci in Artigos |
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Poucas ocupações exigem tanto quanto a do professor, que é permanentemente exposto aos estudantes que deve formar.
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Aumento de vagas para professores vai melhorar a qualidade de ensino em SP?
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Saturday, 20 June 09 - 09:14 AM (GMT -04:00) By Master Santucci in Notícias - Educação |
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Como melhorar o ensino público
Se as novas vagas forem aprovadas pelos parlamentares, elas deverão ser preenchidas através de concurso. Recentemente, o governador José Serra anunciou que uma seleção para o preenchimento de 10 mil vagas de professor está prevista para ser realizada até setembro deste ano."
*As informações são do Jornal dos Concursos.
Fonte – UOL Educação
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O Unicef e o ensino básico
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Sunday, 14 June 09 - 11:20 AM (GMT -04:00) By Master Santucci in Artigos |
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A rede pública de ensino fundamental atende quase 98% das crianças entre 7 e 14 anos de todo o País, mas a qualidade da educação oferecida continua sendo tão ruim que só metade dos alunos conclui a 8ª série. Na Região Norte, o índice de concluintes é de apenas 28,7%. No âmbito do ensino médio, destinado aos adolescentes de
Essa é a conclusão do relatório sobre infância e adolescência no Brasil que o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) divulga todos os anos. A situação é considerada ruim em quase todas as unidades da Federação. O estudo revela que, no ensino fundamental, a rede escolar com melhor desempenho é a de Minas Gerais, com 79% de concluintes. No Nordeste, o índice de evasão é de 15% - cerca de três vezes a média nacional, que é de 4,8%.
No ensino médio, as Regiões Norte e Nordeste registram quase o dobro da taxa de evasão do Sudeste, com abandono de 20,8% e 20,11% do total de estudantes, respectivamente, ante 10,9%. O Estado de São Paulo tem o melhor desempenho, com 68,6% de concluintes, enquanto o Rio Grande do Norte tem o pior resultado, com uma taxa de evasão de 23,6%.
Para os especialistas, o relatório do Unicef mostra que a situação do ensino médio é mais grave que a do ensino fundamental. Bem ou mal, o ensino básico sofreu uma série de mudanças e foi favorecido por vultosos investimentos, nos últimos anos, e os resultados começarão a aparecer a médio prazo. O mesmo não ocorre no ensino médio, onde faltam professores qualificados, equipamentos e infraestrutura.
O principal problema do ensino médio, segundo o estudo do Unicef, é o anacronismo do currículo, que não prepara os alunos nem para prestar os exames vestibulares nem para a inserção no mercado de trabalho. "A realidade dos estudantes de
Apesar de o governo ter há três anos substituído o antigo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef) pelo Fundo de Educação Básica (Fundeb), aumentando a dotação orçamentária de R$ 2 bilhões para R$ 4,5 bilhões e passando a favorecer também o ensino médio, o Ministério da Educação (MEC) concentrou-se basicamente na apresentação de propostas de reformulação do currículo e de mudanças dos critérios de avaliação do Enem - duas iniciativas necessárias, mas não suficientes para assegurar um mínimo de qualidade às três séries do ensino médio, segundo os especialistas.
O relatório do Unicef também dedica um capítulo à educação nas chamadas "comunidades em situação de emergência", como bairros miseráveis da periferia das regiões metropolitanas e favelas em morros e áreas de ocupação. Uma dessas áreas é o Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, onde os estudantes ficaram quase dois meses sem aulas por causa de conflitos entre quadrilhas do narcotráfico e a polícia, em 2007. Em outras comunidades estudadas, como as Favelas da Rocinha, do Jacarezinho e da Maré, os técnicos do Unicef constataram falta de qualidade do ensino fundamental e falta de escolas de ensino médio. Segundo eles, a violência nessas favelas tem causado graves danos à integridade física e psicológica de alunos, professores e pais, provocando perda de dias letivos, desconcentração e dificuldade de acesso às salas de aula.
Entre os poucos pontos positivos apontados pelo Unicef, destaca-se a criação, em 2007, do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que estabelece metas de ganhos de qualidade até 2021. O relatório elogia essa iniciativa, mas reconhece que o governo terá, nos próximos anos, de aumentar os investimentos no ensino básico dos atuais 4,6% do PIB para 8%. Mais realista, o MEC tem como meta 6%. Qualquer que seja o porcentual, a elevação dos investimentos no setor é um dos principais desafios que o presidente da República a ser eleito em 2010 terá de enfrentar para tentar melhorar a qualidade do ensino básico.
Fonte – Estadão Opinião
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MEC quer identificar onde estão as 680 mil crianças que não frequentam a escola
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Sunday, 14 June 09 - 11:06 AM (GMT -04:00) By Master Santucci in Notícias - Educação |
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Agência Brasil
O MEC (Ministério da Educação) quer descobrir quem são e onde vivem as 680 mil crianças que estão fora da escola em todo o país. Nesta semana, o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) divulgou relatório que destaca as dificuldades de algumas populações no acesso à educação e na permanência na escola. Crianças indígenas, moradoras do campo, quilombolas, negras e com deficiência física são as mais afetadas.
De acordo com o secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do MEC, André Lázaro, uma equipe de estatísticos já conseguiu identificar 95 mil das 680 mil crianças a partir do cruzamento de diversos bancos de dados. O trabalho começou pela Região Norte, apontada pelo Unicef como uma das mais problemáticas. Regiões como o Semiárido também serão foco da ação.
O ministério entrou em contato com 55 municípios para detectar o motivo pelo qual essas crianças não estão na escola, seja falta de acesso ou evasão. O mapeamento mostra diferentes realidades. "Em alguns lugares o problema é de ônibus escolar, em outros de barco escolar e até de búfalo, porque em Marajó, nem ônibus nem barco resolvem. Em outras [regiões] é preciso construir escolas ou adaptar o calendário escolar aos fluxos migratórios de uma população que se desloca em tempos de colheita, por exemplo", contou o secretário.
O relatório do Unicef aponta que "as desigualdades presentes na sociedade ainda têm um importante reflexo no ensino brasileiro". Segundo o fundo, as populações mais vulneráveis são as mais privadas do direito de aprender. Para Lázaro, essa análise ajuda a focar um problema que é invisível para a sociedade.
"O Unicef coloca no centro do debate a questão da equidade e das desigualdades na educação. Para nós isso é muito bom, é um estímulo para a sociedade enxergar aquilo que não está visível."
A Secad (Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade) foi criada em 2004 justamente com a função de trabalhar a questão das desigualdades. Na avaliação de Lázaro, historicamente as políticas educacionais não foram fortes o bastante para enxergar as especificidades "desse público socialmente mais fragilizado".
"Para eles, você tem que dar o que todos têm e mais um pouco, porque o ponto de partida desses públicos é inferior. Por isso o MEC tem muita clareza da necessidade de ações afirmativas, que não se reduzem a cotas. Ação afirmativa é também você reconhecer que a população indígena e a quilombola têm que ter um adicional de merenda para combater as dificuldades de acesso", exemplificou.
Como cada uma dessas populações têm características distintas, não há uma fórmula específica para trabalhar a diversidade na educação, explica Lázaro.
"São situações muito complexa e distintas. Uma situação é a população das periferias nos grandes centros urbanos, outra é o atendimento adequando à população do campo. Também há a singularidade dos grupos indígenas e o atendimento aos quilombolas. Não há um único fator", disse.
Mas, para o secretário, o fato de 97,6% das crianças estarem na escola deve ser comemorado. "O desafio agora é que todos permaneçam na escola e aprendam. A escola ainda não está conseguindo garantir a todos o direito de aprender. E, quando você olha quem não aprende, são sempre os pobres, os negros. Portanto a escola precisa dar mais um passo para que não seja um lugar a mais que reproduza a desigualdade."
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O fenômeno urbano e as origens do planejamento urbano
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Saturday, 13 June 09 - 08:25 AM (GMT -04:00) By Master Santucci in Geografia |
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Hindenburgo Francisco Pires
1. Considerações sobre o surgimento do fenômeno urbano
A principal característica do fenômeno urbano é a primazia do urbano per se sobre o rural (VELHO, 1973), esta condição ocorreu impulsionada pela Revolução Industrial, entre séculos XVIII e XIX, decorrente de vários fatores: o desaparecimento progressivo do campesinato; o aumento do número de trabalhadores nas cidades (proletariado)
A causa deste processo foi à consolidação das economias de mercado nas grandes cidades e posteriormente do capitalismo industrial, fruto da expansão do comércio e da circulação global de mercadorias.
O crescimento das cidades e a expansão sem precedentes da urbanização, nos países ricos do hemisfério norte, constituíram a base e princípio do que chamamos de economias-mundo, este acontecimento passou a ser objeto de estudos de historiadores, geógrafos, economistas, urbanistas, sociólogos e antropólogos.
O processo acelerado da urbanização acarretou uma série de problemas urbanos que afetou a dinâmica das cidades. Populações amontoavam-se nas grandes cidades oriundas do campo e de diversas localidades.
1.1. As origens da Cidade Industrial
Os processos que desencadearam a Primeira Revolução Industrial na Inglaterra a partir da segunda metade do século XVIII são complexos, ou seja, a origem desse evento não é simples. Em primeiro lugar, o acontecimento não foi resultado de uma mera aceleração do crescimento econômico, mas uma aceleração do crescimento urbano em virtude da transformação econômica e social. Em segundo lugar, não começou do zero e não podemos deixar de apontar outras fases anteriores de rápido desenvolvimento industrial e tecnológico. Todos esses elementos a serem destacados contribuíram para que a Inglaterra ingressasse preparada na industrializaçã
As cidades industriais são um imbricado histórico, sua lógica espacial constitui uma totalidade de relações (culturais, políticas, econômicas e sociais), constituída através de uma longa duração, na qual a parte dominante dessas relações pode influir na determinação de suas características estruturais, ou seja, esta representa expressão material do modo de vida e de produção da sociedade através do trabalho social acumulado.
Neste sentido, as relações espacializadas ou espaciais articulam-se como atributos e com atributos de outros lugares, e seus espaços de produção passam a ser limites ou momentos do processo produtivo, onde interagem relações específicas e modos de produção que estruturam e definem sua forma.
As relações sociais que se desenvolvem nas cidades industriais tenderam a reproduzir o conteúdo da centralidade impingida pelo trabalho geral da sociedade, pois a cidade é o locus histórico do processo produtivo. Seu sítio contém a materialidade do trabalho acumulado por gerações anônimas de indivíduos e sua centralidade é a expressão da inerência grandiosa da obra do trabalho coletivo da sociedade.
As cidades industriais são também, em aparência, o espaço da socialização da produção social e, na essência a base contraditória do fenômeno urbano; no primeiro sentido, condição geral e base material de realização da produção social; no segundo, o "laboratório" conflituoso do processo de acumulação do excedente social.
Como o trabalho social é apropriado de maneira privada, sua convertibilidade social torna-se complexa, assim o Estado ajuíza e "regula" os interesses dos membros da sociedade, impondo deveres indistintamente a todos os cidadãos (pobres ou ricos) que permitam a realização das condições gerais de produção, o processo de acumulação e expropriação do trabalho social no espaço.
As contradições sociais resultam do processo de apropriação privada da cidade, enquanto meio de produção e força produtiva do trabalho social, e da sua subordinação aos interesses privados de alguns membros da sociedade.
A ruptura entre as relações campo e cidade, no início do século XIX, foi impulsionada com o aumento do emprego de tecnologias manufatureiras, na cidade, e pelo alargamento do mercado de sua produção de mercadorias e crescimento da produtividade do trabalho nas indústrias.
A cidade industrial se transformou no "laboratório" do processo de produção capitalista. A inevitabilidade do urbano passou a ser a inevitabilidade lógica da ascensão do modo de produção capitalista. O domínio e o aperfeiçoamento da produção na unidade fabril precipitaram a produção da esfera local para outras "escalas espaciais" de mercado. A progressão da produção ampliou-se da disputa intraterritorial para a interterritorial.
1.2. A formação das grandes metrópoles contemporâneas
Com o aumento da produção fabril, a cidade industrial conseguiu ampliar o conteúdo de sua centralidade, constituindo as metrópoles, expressão contraditória da influência de sua produção (econômica, cultural e política) em relação a outras cidades e ao campo.
Nos séculos XIX e XX, a força motriz da centralidade da cidade industrial foi à produção fabril ou manufatureira, que transformou o trabalho artesanal de sujeito e suporte do processo produtivo em mero apêndice ou acessório vivo.
A estrutura territorial de acumulação da cidade industrial se caracterizou pela espacialização e especialização do processo produtivo assentado na divisão territorial do trabalho. O pressuposto da produção foi, além da obtenção do lucro e de mais-valia, a expansão da produtividade, diminuição dos preços dos produtos e salários, redução do emprego (trabalho vivo) e da participação dos trabalhadores na concepção do sistema produtivo, seu crescimento em massa e aumento da competitividade.
Dentro dos padrões de acumulação que fizeram surgir à cidade industrial, "o estágio mais avançado da sociedade industrial é o estágio do consumo de massa". A verticalização, a densificação e a segmentação do consumo nas cidades industriais, produzidas pelas redes oligopolizadas de produção, distribuição e comercializaçã
As mudanças tecnológicas alteraram as relações espaciais entre os lugares, entre as cidades e seus espaços produtivos. A utilização da informática, das telecomunicaçõ
Mas, as iniciativas de "regulação" pelo Estado através do planejamento, nos problemas advindos da formação das "economias de aglomerações" (as cidades), tendem a gerar novas formas de realização da acumulação e de reprodução do capital. O planejamento burguês tende a manter as condições gerais de acumulação, em detrimento das condições gerais de reprodução social. Esta é a contradição básica das ações estatais implementadas através do planejamento.
2. Planejamento Urbano e Gestão Urbana: Qual é a diferença?
No item anterior, procuramos explicar a emergência do fenômeno urbano no século XIX. Nesta parte de nosso curso, iremos discutir o que entendemos sobre planejamento urbano e gestão urbana.
2.1. Alguns estudos sobre os conceitos de planejamento urbano e gestão urbana
Existe um conjunto de obras que constituem o que chamamos de legado dos estudos históricos sobre o planejamento urbano, nem sempre este é composto por pesquisadores genuinamente vinculados à área de Geografia, este aspecto interdisciplinar pode enriquecer e contribuir para que se ampliem as perspectivas metodológicas dos estudos sobre a história contemporânea do planejamento urbano.
Indicaremos algumas obras que consideramos primordiais para uma pesquisa inicial sobre a história do planejamento urbano, principalmente nesta parte que trata de aspectos conceituais:
* CASTELLS, Manuel. O planeamento urbano (Item 5). In: Problemas de Investigação em sociologia urbana. Lisboa: Presença, 1986, p. 209-250.
* MELLOR, J. Rosemary. A prática do planeamento urbano (Primeira Parte, Item 4). In: Sociologia Urbana. Porto, Rés, 1984, p. 211-274.
* SOUZA, Marcelo. Os conceitos de planejamento urbano e gestão urbana (Parte I). In: Mudar a cidade: uma introdução crítica ao planejamento. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2000, p.45-59.
* LOJKINE, Jean. Política urbana e planificação urbana (Capítulo III). In: O estado capitalista e a questão urbana. São Paulo: Martins Fontes, 1981, p.175-219.
2.2. As Origens do Planejamento Urbano no Século XIX
Como já havíamos tratado anteriormente, foi durante o século XIX que se constatou as primeiras iniciativas deliberadas de Planejamento. O movimento do planejamento mais conhecido foi o "The garden city movement", fundada em 1898 por Ebenezer Howard, no Reino Unido. Este movimento se caracterizou por criar importantes "Cidades Jardins", que tinham como por objetivo oferecer áreas residenciais rodeadas por cinturões verdes, separadas de forma equilibradas das áreas industriais e agrícolas. Howard, inspirado por ideais utópicos organizou a "The Garden City Association"
Segundo Rosemary Mellor, a Grã-bretanha reunia as condições ideais para o surgimento do movimento pela criação das Cidades Jardins:
O movimento do planejamento da cidade pode ser datado dos últimos anos do século dezenove. The Garden City Association, mais tarde the Town and Country Planning Association foi fundada em 1899. Havia um senso de que a velha ordem chamava por mudança, que o avanço técnico e o sucesso comercial não tinha trazido prosperidade e felicidade para todos e que intencionais iniciativas tinham de ser tomadas pela opinião informada para efetuar uma reconstrução organizada da sociedade. O movimento do planejamento da cidade era um pequeno grupo de pressão tirando apoio das profissões (principalmente arquitetos, agrimensores e engenheiros, os três elementos que apoiaram a fundação do Town Planning Institute em 1913), com pequena massa de apoio. As suas mais estreitas ligações eram com outros grupos, tais como os Fabians, a Sociological Society e o National Housing Reform Council (fundado em 1900). Todos estes procuravam fornecer idéias a "homens de influência" e permaneciam afastados da violenta e súbita mudança social do período anterior e posterior à Primeira Guerra Mundial.
A Grã-Bretanha, então, era a sociedade mais bem organizada do mundo: apenas 10 por cento da força do trabalho permanecia no campo e completamente 80 por cento da população residia em áreas definidas como cidades. E mesmo em comparação com outras sociedades, poderes de controle sobre o desenvolvimento urbano permaneceram mínimos. (MELLOR, 1984, p.211)
O planejamento na Grã-bretanha representou uma reação ao crescimento desordenado das cidades industriais enquanto grandes economias de aglomeração. As idéias do "The Garden City Movement" foram rapidamente assimiladas nas América do Norte e do Sul.
2.3. Os conceitos de planejamento urbano, gestão urbana e governança urbana
Em razão do grande uso efetuado desses termos, torna-se crucial elucidar e estabelecer a diferença existente entre os conceitos de planejamento, gestão, governo, gerência e governança.
A palavra planejamento é comumente empregada como sinônimo de planificação, em Portugal o correlato do termo é planeamento. A expressão planejamento nas línguas anglo-saxônicas aparece como "planning".
Planejar significa antever processos futuros, prognosticar a evolução de tendências, elaborar um plano ou um programa com o objetivo de coordenar ações preventivas ou necessárias contra os efeitos do crescimento territorial desordenado da acumulação capitalista e da urbanização, ou seja, o planejamento pode ser implementado nas escalas territorial, regional e urbano.
Segundo Marcelo Souza (2002, p.45), a partir da segunda metade dos anos
Ao explicar a diferença entre planejamento e gestão, Marcelo Souza argumenta:
Planejamento e gestão não são termos intercambiáveis, por possuírem referenciais temporais distintos e, por tabela, por se referirem a diferentes tipos de atividades. Até mesmo intuitivamente, planejar sempre remete ao futuro: planejar significa tentar prever a evolução de um fenômeno ou, para dizê-lo de modo menos comprometido com o pensamento convencional, tentar simular os desdobramentos de um processo, com o objetivo de melhor precaver-se contra prováveis problemas ou, inversamente, com o fito de melhor tirar partido de prováveis benefícios. De sua parte, gestão remete ao presente: gerir significa administrar uma situação dentro dos marcos dos recursos presentemente disponíveis e tendo em vista as necessidades imediatas. O planejamento é a preparação para a gestão futura, buscando-se evitar ou minimizar problemas e ampliar margens de manobra; e a gestão é a efetivação, ao menos em parte (pois o imprevisível e o indeterminado estão sempre presentes, o que torna a capacidade de improvisação e a flexibilidade sempre imprescindíveis)
Dentre as expressões mais usuais neste curso, a gestão urbana é aqui conceituada como um processo de concepção, decisão, intervenção, regulação, mediação, que se desenvolve no espaço em função do embate ou conflito entre os diferentes atores sociais. Portanto, dentro dessa conceituação, a gestão urbana se constitui num processo que configura ou condensa, material e historicamente, as relações de forças dos grupos sociais representados politicamente no Estado e estabelecidos economicamente no espaço. Logo, a gestão urbana não é uma função ou incumbência de um grupo restrito de políticos ou de administradores, não é uma estrutura estanque configurada por algumas agências ou instituições governamentais. Também não é um sistema, dado às múltiplas relações dialéticas que o define enquanto processo nos variados contextos históricos; nem um processo cuja ocorrência se restrinja apenas á dimensão meramente superestrutura! da formação social, ou se constitui num conjunto de práticas definidas apenas para reproduzir e consubstanciar a infra-estrutura ou a base econômica e material da sociedade capitalista (PIRES, 1988, p.02-06).
Nesse sentido os enunciados teóricos da expressão gestão urbana, acima desenvolvidos, se aproximam do conceito estabelecido por Marques et alii (1986, p.18) que a evidencia enquanto "política-administra
Entretanto, segundo a acepção acima, a gestão não deve ser concebida apenas como: "... um conjunto de atividades prioritárias, definição de metas, alocação de recursos, etc, para o planejamento e funções operacionais.
Esta diferença é aqui estabelecida em função dos pressupostos definidos á investigação dos processos reais existentes numa dada formação social, não negligenciando a importância das contradições presentes entre os atores sociais em questão, nem os aspectos políticos que definem as formas de gestão no espaço.
Para Wilheim (1982, p.137) é preciso estabelecer a diferença entre os significados dos termos "governar" e "administrar" para se poder definir o conceito de gestão com mais propriedade, segundo o autor:
...Convém inicialmente diferençar e precisar os termos "governar" e "administrar"
Já "administrar" significa articular os recursos humanos, financeiro e informativos de que dispõe a Prefeitura, a fim de maximizar a sua eficiência e de produzir a eficácia necessária para instrumentar a. estratégia estabelecida em sua ação de governar.
O conceito de gestão urbana aqui desenvolvido abrange os atos de administrar e governar, envolve de maneira combinada os dois significados enquanto processos complementares e interatuantes no espaço.
A maioria das tentativas de conceituação do termo gestão têm em comum, entre os autores, a dificuldade conceitual de estabelecer a distinção entre este conceito e o significado do termo gerência. A diferença principal existente entre os dois termos pode ser evidenciada a partir do campo de atuação e abrangência de ambos os conceitos. A gestão é um processo cujo nível de atuação se desenvolve no âmbito dos conflitos e contradições que abrangem a reprodução da base material da sociedade civil como um todo entendendo-se sociedade civil enquanto palco do embate da luta política e expressão da ideologia e de seu opostos também, como cenário da legitimação dos diferentes atores sociais, ou de sua transgressão no modo de produção capitalista (NASCIMENTO, 1984:3).
A gestão urbana abarca aspectos sociais e relações políticas e econômicas, cujos conteúdos e elementos influenciadores se constituem e se configuram historicamente no território e fora dele. A contribuição de inúmeras gestões urbana para a execução das diretrizes básicas da geopolítica no território, foi a de vincular politicamente o espaço, enquanto dimensão de reprodução da sociedade e suas relações contraditórias, ao poder do Estado autoritário e suas instituições; exorcizando ideologicamente os anseios das lideranças organizadas da população dos processos decisórios de gestão.
Sem embargo, o termo gerência possui um sentido mais circunscrito ao nível de atuação institucional ou organizacional, cujo universo de abrangência não consegue ultrapassar os limites territoriais corporificados pela organização e seu mercado; è a capacidade de produção e concorrência monopólica ou oligopólica que influencia os procedimentos de gerência e planejamento organizacional (GALBRAITH, 1983, p.32). Embora os dois termos possuam conceituação distinta, se relacionam na dinâmica global do processo histórico das formações sociais, pois as mudanças organizacionais produzidas pelas novas formas de gerência condicionam as formas de gestão, que tendem a refletir as exigências de infra-estrutura e de condições básicas, para efetiva reprodução do processo de acumulação capitalista. Logo, a diferença entre esses conceitos não pressupõe dissociabilidade, mas complementaridade e singularidade (DELEUZE, 1974, p.06).
O termo gestão significa regular ou administrar o contraditório, ou seja, mediar as relações sociais e as condições gerais de produção e de reprodução, a partir de condições específicas às vezes limitadas de recursos e possibilidades.
Enquanto o termo gestão implica em regulação, o termo gerência implica
Manuel Castells (1984, p.209-210) considera que o surgimento do planejamento urbano está, de um certo modo, atrelado às sociedades industriais avançadas e ao agravamento dos "problemas urbanos, isto é, processos sociais de consumo coletivo". Mas, tal como os críticos do Planejamento, considera-o como uma ideologia, voltada para atuar de maneira deliberada e consciente, através de planos, programas e declarações políticas para promover a ação POLÍTICA e privada, que tem objetivos preestabelecidos em relação às áreas que são objetos de interesses do sistema de atores urbanos.
Jean Lojkine crítica a pressuposição de Castells de que o planejamento urbano não pode ser reduzido à política urbana. Segundo Lojkine:
Não negamos em absoluto o efeito ideológico e jurídico sobre os agentes sociais (que concorrem para a urbanização) que têm os documentos de urbanismo e, mais amplamente, o conjunto das opções espaciais - regulamentos de ocupação do solo - reagrupados sob o nome de "planificação urbana". Mas, como aliás é notado por F. Godard e M. Castells no último livro citado, é a partir das intervenções públicas reais sobre as contradições urbanas... que se pode "perceber o sentido dos diferentes documentos de urbanismo".
Mas, para nós, o "produto" que é a política urbana - produto de contradições urbanas, de relações entre diversas forças sociais opostas quanto ao modo de ocupação ou de produção do espaço urbano - não pode ser reduzido à "planificação urbana". Ele se compõe de três dimensões:
1. Uma dimensão "planificadora"
2. Uma dimensão "operacional"
3. Uma dimensão propriamente urbanística que condensa, materializa e mede, por isso mesmo, os efeitos sociais - no espaço - do par planificação urbana/operaçõ
A hipótese que formulamos de uma política urbana coerente não remete portanto nem à suposta existência de uma "vontade" (que seria o poder de Estado ou um indivíduo particular) ou de uma decisão, nem à de um "projeto" - materializado por um plano e realizado por um conjunto de práticas estatais coercitivas. (LOJKINE, 1981, p. 180-181)
Em sua crítica a Manuel Castells, Lojkine considera três dimensões da política urbana atuando de maneira combinada na elaboração do planejamento, e não acredita que o planejamento urbano seja produto da política, de pessoas ou o resultado de uma vontade do Estado.
Diferentemente de planejamento, gestão e gerência, o termo Governança, introduzido no final dos anos 80, passou a ser usado com sucedâneo do termo planejamento integrado. A intenção era substituir os instrumentos de ordenamento e de mediação dos governos exercidos pelas antigas fundações de desenvolvimento das regiões metropolitanas (espaços "mesourbanos"
Ribeiro & Pinto (2007, p. 197-199) nos fornecem uma explicação profundamente esclarecedora que amplia a nossa concepção sobre o conceito de Governança Urbana:
...Usando o conceito adotado por (Christian) Lefévre, governança é a capacidade das áreas metropolitanas para estabelecerem ferramentas, mecanismos, instrumentos e ordenamentos para que sejam governáveis. Para o autor, governabilidade é o estado de um território onde é possível executar políticas públicas e ações coletivas capazes de resolver problemas e contribuir para seu desenvolvimento.
A caracterização dos diversos modelos de governança metropolitana varia entre autores, conforme os atributos destacados. (Jeroen) Klink parte dos critérios usuais na teoria econômica para avaliar marcos institucionais - eficiência e eqüidade -, e agrega o atributo de voz (voice) para comparar experiências. A partir desses três critérios, distingue dois grandes tipos de estrutura de governança metropolitana: as que caracterizam pela fragmentação e as consolidadas. As estruturas consolidadas seriam preferíveis onde se valorizassem mais os quesitos de eficiência e eqüidade: permitiriam captar economias de escala e minimizar externalidades, além de melhor distribuírem ônus e benefícios da provisão de serviços públicos por toda a área metropolitana. As estruturas fragmentadas, por outro lado, propiciariam voz aos cidadãos, pela maior transparência e prestação de contas. A construção de uma boa governabilidade metropolitana não se resume à mudanças rápidas, que visem a implantar sistemas de planejamento e gestão metropolitanas com eficiência e eqüidade. As mudanças têm forte conteúdo político e requerem o envolvimento das partes interessadas desde o início do processo (KLINK, 2003:5-7)
Lefévre distingue duas grandes categorias de governança: a que se produz a partir da construção institucional e a governança por meio de arranjos que, embora não se constituam como unidades de governo local, formalizam-se por meio de procedimentos precisos e instrumentos específicos de cooperação.
Os modelos de governança por construção institucional podem compreender arranjos supramunicipais, normalmente com definição de um novo escalão de governo independente das unidades locais.
Os modos de governança não-institucional podem ser divididos em duas categorias. A primeira lida com estruturas existentes em áreas metropolitanas em que não há instituição metropolitana, sendo as políticas públicas desenvolvidas por órgãos mono ou pluri-setoriais, mas infra-metropolitano
As estruturas de governança porventura existentes em regiões metropolitanas estão em descompasso com a complexidade crescente das funções a desempenhar, não apenas no Brasil e em países latino americanos em geral, mas mesmo em países membros da OCDE. Em extenso relatório sobre o tema da governança metropolitana, a OCDE considerava lentos os progressos na direção de melhores estruturas de governança, devido a diferenças de opinião fortemente enraizadas sobre natureza e extensão das reformas institucionais e financeiras requeridas. E destacava, entre os obstáculos a vencer, a fragmentação administrativa, que resultava em desconexão entre os territórios administrativo e funcional, as pressões sobre a capacidade fiscal e financeira das autoridades constituintes de regiões metropolitanas e a falta de transparência dos processos decisórios e de responsabilizaçã
Com base na leitura deste módulo, responda a questão: qual é a diferença entre planejamento urbano, gestão urbana e governança urbana?
LEITURA COMPLEMENTAR:
DELEUZE, Gilles. Lógica do Sentido. São Paulo: Editora Perspectiva, 1974.
GALBRAITH, John Kenneth. O Novo Estado Industrial. São Paulo: Editora Pioneira, 1983, 7ª Edição.
HOBSBAWM, Eric J. Da Revolução Industrial inglesa ao imperialismo. 5 ed. Rio de Janeiro: Editora Forense Universitária, 2003, pp. 23-52.
MARQUES, Jaime Alberto & NUNES, Brasilmar Ferreira et al. O Planejamento Urbano e os Conflitos Urbanos. Recife: UFPE/Ministério d Desenvolvimento Urbano/FIDEM, 1986.
NASCIMENTO, Elimar Pinheiro. Estado e Movimentos Sociais Urbanos no Nordeste. Recife: Sudene, 1985.
PIRES, Hindenburgo Francisco. Gestão Urbana e Tecnologia da Informação: A Contribuição da Tecnologia de Informática - Recife (1979/87). Recife: MDU/UFPE, Dissertação de Mestrado,1988.
RIBEIRO, Luiz César de Queiroz & SANTOS JR, Orlando Alves dos (org.). As Metrópoles e a Questão Social Brasileira. Rio de Janeiro: Editora Revan - Observatório das Metrópoles, 2007.
SOUZA, M. L. Da crítica do planejamento urbano a um planejamento urbano crítico. In: Souza, M. L. Mudar a cidade [uma introdução crítica ao planejamento e à gestão urbanos]. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002.
VELHO, Otávio Guilherme (org.) O Fenômeno Urbano, Rio de Janeiro: Zahar Editores,1973.
WILHEIM, Jorge. Prometo São Paulo. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 1982, 2ª Edição.
WELLAR, Barry. Information Technology and Urban Governance.
Fonte - Lista de Geografia
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Um guia sobre o uso de tecnologias em sala de aula
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Saturday, 13 June 09 - 08:22 AM (GMT -04:00) By Master Santucci in Tecnologia Educacional |
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Um painel para todas as disciplinas mostra quando - e como - as novas ferramentas são imprescindíveis para a turma avançar
Amanda Polato
TICs, tecnologias da informação e comunicação. Cada vez mais, parece impossível imaginar a vida sem essas letrinhas. Entre os professores, a disseminação de computadores, internet, celulares, câmeras digitais, e-mails, mensagens instantâneas, banda larga e uma infinidade de engenhocas da modernidade provoca reações variadas. Qual destes sentimentos mais combina com o seu: expectativa pela chegada de novos recursos? Empolgação com as possibilidades que se abrem? Temor de que eles tomem seu lugar? Desconfiança quanto ao potencial prometido? Ou, quem sabe, uma sensação de impotência por não saber utilizá-los ou por conhecê-los menos do que os próprios alunos?
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Qual a diferença entre licenciatura e bacharelado?
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Saturday, 13 June 09 - 08:13 AM (GMT -04:00) By Master Santucci in Educação |
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da Folha de S. Paulo, em Campinas
Escolher entre uma carreira de licenciatura ou bacharelado é muito mais do que escolher apenas uma modalidade de curso de graduação. Trata-se de uma escolha que tem muito a ver com a vocação.
É o caso, por exemplo, da estudante Marcela Azemir Musse, 36, que cursa o segundo ano de pedagogia no Centro Universitário Barão de Mauá,
Depois de cursar administração de empresas e até trabalhar na área por algum tempo, Musse resolveu voltar para a faculdade, motivada pelo desejo de ensinar. "A educação sempre foi uma coisa que me chamou a atenção, desde o colegial eu tinha o desejo de ser professora", diz.
Hoje, para complementar o curso de pedagogia, Musse faz estágio em uma unidade do Sesi, em Ribeirão. "Trabalho com crianças do ensino fundamental. O melhor de tudo é que com crianças dessa idade a gente vê o resultado do trabalho. Isso é muito compensador", afirma ela.
Aliás, essa é uma das características principais da licenciatura, que ensina ao aluno, além das disciplinas inerentes ao curso escolhido, técnicas que o tornarão apto a transmitir o aprendizado, tornando-o um professor.
No bacharelado, a formação proporcionada ao aluno é voltada para o mercado de trabalho, o que o torna apto apenas a desenvolver uma atividade em determinada área de atuação.
Durante os quatro anos de formação em licenciatura, o aluno aprende, entre outras coisas, fundamentos da política educacional, gerenciamento e avaliação do aprendizado. "É um processo muito importante, pois é conhecendo esse conteúdo que o aluno descobre se tem ou não vocação para o ensino", diz Márcia Strazzacappa, coordenadora das licenciaturas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).
Apesar da carência de professores no país, coordenadores dos cursos de licenciatura dizem que a procura pelos cursos tem crescido nos últimos anos.
"Creio que isso vem acontecendo porque a carreira de professor tem sido mais valorizada", avalia Valter de Paula, diretor acadêmico do Centro Universitário Barão de Mauá, de Ribeirão Preto.
Essa também é a tese defendida por Strazzacappa. Para ela, além da valorização do ensino e do profissional, o mito sobre os cursos de licenciatura tem se desfeito. "Muita gente pensava que a licenciatura não era um curso superior e que, por isso, não habilitava o aluno a continuar os estudos, o que não é verdade", diz.
A licenciatura, assim como os cursos de bacharelado, permite que o aluno continue a sequência acadêmica, com especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado.
Mão dupla
"Em geral, os cursos de licenciatura contemplam as disciplinas que são ensinadas na escola, mas isso não impede que o aluno parta para o bacharelado, em vez de seguir para a educação", explica Strazzacapa.
A maior oferta de cursos de licenciatura é em conjunto com o bacharelado. Nesses cursos mistos, o aluno tanto pode escolher uma modalidade e cursar as matérias específicas dela como fazer as duas.
"Fica um pouco pesado, mas temos muitos alunos que fazem as duas coisas", diz Maria Helena Goldman, da comissão coordenadora do curso de ciências biológicas da USP (Universidade Estadual de São Paulo),
Segundo ela, o que faz com que muitos alunos optem por cursar as duas modalidades é a possibilidade de escolha. "É sempre bom ter algo a mais", completa.
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Cidadania e ensino
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Saturday, 13 June 09 - 08:10 AM (GMT -04:00) By Master Santucci in Artigos |
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Manoel Vilela de Magalhães
Em tempos de forte competitividade ampliam-se as exigências por novos e constantes esforços pela modernização de métodos em todos os setores. São consequências do alinhamento da sociedade ao ritmo da velocidade da informação.
Modernizar, no entanto, não é apenas avançar; é implantar e inovar métodos, preferencialmente locais, isto é, próximos da realidade do lugar. Na educação, já não cabem acomodações e obsolescência em salas de aulas, muito menos que a tarefa de ensinar se distancie dessas realidades, numa Nação de tamanha vastidão, de variados costumes e tradições como o Brasil. O Ministério da Educação (MEC), em bem-intencionada ação, empenha-se por uma radical guinada no Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem.
Os resultados divulgados recentemente mostram a falência do ensino público. A palavra de ordem, pois, é mudar. Que se mude, para melhor. E há como.
Área extremamente sensível às modificações dos hábitos e da própria realidade de cada município ou Estado, a educação, não obstante o cenário globalizado, com suas ciclópicas mudanças, ainda deixa lugar para o estilo e a prática de ensino direto e diferenciado, evitando-se a perda da identidade mais próxima do cidadão, o meio em que vive.
Seria erro tolher ideias que movimentem a mente e apontem novos rumos para o desenvolvimento. A estes, aliás, é que se devem alinhar os sistemas de ensino.
Há poucas semanas tive ensejo de presenciar cinco jovens amadores teatrais num espetáculo que transmitiu alegria a crianças curitibanas de
Os improvisados menestréis apenas deram o ar da graça numa inédita colação de grau de alunos que haviam concluído o curso de artes plásticas e texto literário, o Arte/Letrinhas. Na festiva apresentação, além de cânticos, ouvia-se um coral falado, saltitante e de intensa alegria e musicalidade, quase uma ópera. Ninguém estava reinventado a roda. Tratava-se de experiência quantitativamente pequena, que bem poderia tornar-se um norte a examinar e, quem sabe, adotá-lo. Diante de pais e avós emocionados, os jograis improvisaram uma declamação, extremamente veloz, em bom e medieval estilo. Faziam a leitura de trechos de livrinhos que os pequenos autores iriam autografar dali a 20 minutos, na Academia Brasileira de Letrinhas, numa modesta contribuição à criação de modalidades novas de ensinamento.
Isso mesmo, Academia Brasileira de Letrinhas! Uma experiência que desde o ano passado vem sendo testada em Curitiba, para, à feição de reforço escolar, estimular crianças à leitura e produção de textos e à iniciação em artes plásticas. Pela voz dos menestréis, trechos diferentes de também diferentes livros formavam sentido, contemplando a plateia com uma autêntica e breve peça de teatro cantado.
Afora o espetáculo, ali estava, sobretudo, uma demonstração de que o ensino pode, sim, superar bloqueios. Basta que as salas de aula mudem a configuração, transformando-se em cenário pedagógico. No caso da experiência aqui relatada, a união entre arte e letras.
A iniciativa de Curitiba coincide - e até a antecede - com a experiência com que o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) almeja mudar as características do Enem. Com as modificações espera-se sutilmente a prática do raciocínio e, principalmente, capacidade para o estudante relacionar temas e, assim, chegar a respostas corretas das provas destinadas a aferir se o aluno tem ou não condições de ingressar num curso universitário.
Em Curitiba, na Academia Brasileira de Letrinhas, são evidentes os bons resultados dessa busca de caminhos. Busca que leva o aluno a pensar, meditar, escrever, desenhar e, com seu próprio esforço, estabelecer o pretendido relacionamento, no fundo, a interpretação de textos.
Nada na Academia lembra ou se confunde com métodos ultrapassados, em que se pede do aluno pura e simplesmente respostas. O método não usa apostilas, muito menos lições pré-fabricadas. Os professores atuam como orientadores de classe, estimulando os alunos muito mais com respostas a indagações do que com afirmações ou imposição de técnicas estereotipadas de redação em língua portuguesa.
Qual o segredo? Nenhum. Apenas a ideia de integrar numa mesma sala e numa mesma oportunidade aulas de artes plásticas e redação. O aluno interpreta em desenho o que escreveu e, no reverso, cria frases sobre o que desenhou. Em seis meses de curso, produz texto e ilustrações para um livro, com tema e estilo de sua livre criação. Nada parecido com contos da carochinha ou de fadas. São textos baseados em temas atualíssimos, redigidos com graça, embora infantil.
Desde 2008 foram editados 25 títulos. Quem sabe desses jovens possa surgir um Acorda Brasil para o ensino.
A faixa etária ideal para estimular a criatividade é a mesma dos alunos do ensino fundamental. Entretanto, raramente a agenda diária do escolar comporta a matrícula em cursos como o Letrinhas. Quase sempre, e não sem razão, o tempo dos jovens seja tomado com aulas de inglês, música, academias de ginástica ou cursos de arte.
Bom seria se o próprio curso regular, inclusive nas escolas públicas, pudesse ser acrescido, como atividade obrigatória, de aulas de criatividade literária. Sem medo de errar.
Manoel Vilela de Magalhães foi professor da Universidade de Brasília (UnB) e redator do Estado
Fonte – Estadão Opinião
Unicef: 25,9% são reprovados ou abandonam a escola
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Saturday, 13 June 09 - 07:53 AM (GMT -04:00) By Master Santucci in Notícias - Educação |
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Da Bandnews
25,9% dos estudantes do ensino médio são reprovados ou abandonam a escola, no Brasil. O dado consta no relatório divulgado pelo Unicef - o Fundo das Nações Unidas para a Infância. O levantamento mostra ainda que 97,6% estão na escola. Mas ainda existem problemas sociais, que prejudicam o ensino.
Mais de 200 mil famílias são chefiadas por adolescentes
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Friday, 12 June 09 - 08:50 AM (GMT -04:00) By Master Santucci in Cotidiano |
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Relatório mostra que Alagoas e Acre são, hoje, lugares muito ruins para uma criança nascer
Lisandra Paraguassú
BRASÍLIA - O Brasil tem 233.908 jovens com menos de 18 anos e com a responsabilidade de chefiar uma família. Os dados, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), foram destacados pelo relatório "Situação da Infância Brasileira 2009", do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), como um exemplo de crianças e adolescentes em situação de extrema vulnerabailidade.
"É um número muito grande de adolescentes que estão assumindo uma responsabilidade, de geração de renda, de perspectiva de futuro, que não é coerente com seu ciclo de vida", avalia Maria de Salete Silva, oficial de projetos de Educação do Unicef e coordenadora do relatório. "É uma situação extremamente preocupante."
A Pnad de 2006 mostrava um número ainda maior, de 254.970 adolescentes nessa situação. Ainda assim, quatro famílias brasileiras em cada mil são chefiadas por adolescentes. Normalmente, famílias desse tipo são fruto de algum problema social que à partida já impõe uma carga de dificuldades extra: são adolescentes que engravidaram antes da hora, que perderam os pais ou foram abandonados, que assumiram a guarda de irmãos mais novos.
"Essa situação ainda traz uma carga que chamamos de multipobreza. Uma pobreza leva à outra e torna mais difícil sair desse ciclo", resume Salete. A situação é mais comum nos Estados do Norte. Em Roraima, Rondônia, Acre, Amazonas e Amapá, mais de 10 em cada mil famílias são chefiadas por adolescentes. No Maranhão, 9 em cada mil. Em números absolutos, são 33.556
Desenvolvimento humano
Há dois anos, o Brasil ultrapassou a barreira dos 0,800 no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e entrou para o grupo dos países de alto desenvolvimento. Mas, quando se trata das suas crianças, o País ainda não chegou lá. No Índice de Desenvolvimento Infantil, criado pelo Unicef a média ainda está em 0,733. Criado em 2001, o IDI leva em conta aspectos ligados diretamente ao desenvolvimento das crianças: porcentual de crianças com mães e pais com escolaridade precária; coberturas de vacinação (sarampo e DTP); porcentual de gestantes com cobertura pré-natal adequada; porcentual de crianças matriculadas em creches e pré-escola. Não entra, por exemplo, a renda per capita, que puxou o IDH brasileiro para cima nos últimos anos.
Desde o primeiro cálculo, relativo a 1999, o País teve avanços, passando de 0,609 para os atuais 0,733. Naquele ano, sete Estados ficaram com médias abaixo de 0,500, um índice que aponta baixo desenvolvimento, e nenhum passou dos 0,800. Este ano, nenhum Estado tem menos de 0,500 e três - São Paulo, Santa Catarina e Rio de Janeiro -, ultrapassaram os 0,800.
No entanto, os avanços não conseguem esconder as antigas desigualdades brasileiras. Dez Estados ainda apresentam taxas de mortalidade até 5 anos superiores a 30 por mil nascidos vivos. No Pará, 10,4% das mortes de crianças até um ano são por causas desconhecidas. No Amazonas, 11,7%. Em 21 Estados, inclusive ricos como Minas Gerais, menos de 20% das crianças têm acesso a creches.
Alagoas e Acre, os únicos Estados com índices abaixo de 0,600, são, hoje, lugares muito ruins para uma criança nascer. No estado nordestino a mortalidade infantil chega a 41,3 por mil nascidos vivos. É a maior do País, mais que o dobro da média brasileira e quase quatro vezes a de Santa Catarina. A taxa de mortalidade de crianças até cinco anos chega a 50 por mil, a maior do País. A expectativa de vida é a menor do País, apenas 66,8 anos quando a média nacional é 72,7. Mais surpreendente, o porcentual de crianças vivendo abaixo da linha da pobreza em 2007, 77,2%, é maior que em 1992, quando era de 71,8%.
Acre, com o pior IDI do País, 0,562, ganhou o posto porque tem 93,4% das suas crianças sem acesso a creches e 40% sem pré-escola. No entanto, em todos os outros indicadores tem situação melhor que Alagoas, o que revela uma distorção na ponta de baixo do índice.
Mais investimento
Mais ambiciosa que o próprio Ministério da Educação, a representante do Fundo das Nações Unidas para Infância, Marie-Pierre Poirier, defendeu um investimento na educação que alcance 8% do Produto Interno Bruto. Em 2007, de acordo com os últimos dados disponíveis, o País alcançou 4,7% - sendo menos de um ponto porcentual de investimento federal. "Não é ambicioso. Países como o Japão e a Coreia, que decidiram reverter uma situação desfavorável, chegaram a 10% e deu certo", defendeu Marie-Pierre. "É um passo muito importante e necessário".
O MEC e a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) acreditam que se deve chegar a 6%. Atualmente, a melhor perspectiva brasileira é alcançar 5% em 2011, com o fim da Desvinculação das Receitas da União, o mecanismo que tira 20% dor orçamento federal da educação todos os anos.
A emenda constitucional está sendo votada no Congresso mas, como o Estado mostrou, não tem a simpatia da equipe econômica, que prefere ver a votação adiada para que passe a vigorar, gradualmente, apenas a partir de 2010.
Fonte – Estadão Educação
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