História da República - João Goulart
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Sunday, 19 October 08 - 07:26 AM (GMT -04:00) By Master Santucci in História |
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1961-1964
Quando o presidente Jânio Quadros renunciou, seu vice João Goulart (Jango), estava em visita a China. Por isso assume a presidência como interino, o presidente da Câmara Ranieri Mazilli. A UDN e a cúpula das forças armadas tentam impedir a posse de Jango por ser ele ligado às forças trabalhistas. Os militares pressionam o Congresso para que considerem o cargo de presidente vago e convoquem novas eleições. O governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, o general Machado Lopes comandante de um exército sediado também no sul, tentam criar um movimento a favor da constituição. Mas o problema foi contornado com o congresso aprovando uma emenda mudando de regime presidencialista para parlamentarista. Jango assume mas com os poderes amplamente reduzidos.
Jango assume a Presidência em 7 de setembro de 1961, sob o regime parlamentarista, e governa até o golpe de 64, 1º de abril. Seu mandato é marcado pelo confronto entre diferentes políticas econômicas para o Brasil, conflitos sociais e greves urbanas e rurais. O parlamentarismo é derrubado em janeiro de 1962: em plebiscito nacional, onde 80% dos eleitores optam pela volta do presidencialismo. Enquanto durou, o parlamentarismo teve três primeiros-ministros, entre eles, Tancredo Neves que renunciou para candidatar-se ao governo de Minas Gerais.
Em
João Goulart realiza um governo contraditório. Procura estreitar as alianças com o movimento sindical e setores nacional-reformistas, mas paralelamente tenta implementar uma política de estabilização baseada na contenção salarial. Seu Plano Trienal de Desenvolvimento econômico e Social, elaborado pelo ministro do Planejamento, Celso Furtado, tem por objetivos manter as taxas de crescimento da economia e reduzir a inflação. Essas condições, impostas pelo FMI, são indispensáveis para a obtenção de novos empréstimos, renegociação da dívida externa e elevação do nível de investimento.
O Plano Trienal também determina a realização das chamadas reformas de base - reforma agrária, educacional, bancária e outras, necessárias ao desenvolvimento de um "capitalismo nacional" e progressista".
O anúncio destas reformas aumenta a oposição ao governo e acentua a polarização da sociedade brasileira. Jango perde rapidamente suas bases na burguesia. Para evitar o isolamento, reforça as alianças com as correntes reformistas: aproxima-se de Leonel Brizola, então deputado federal pela Guanabara, de Miguel Arraes, governador de Pernambuco; da UNE e do Partido Comunista, que embora na ilegalidade, mantinha forte atuação no movimento popular e sindical. O Plano Trienal á abandonado em meados de 1963, mas o presidente continua, implementando medidas de caráter nacionalista: limita a remessa de capital para o exterior, nacionaliza empresas de comunicação e decide rever as concessões para exploração de minérios. As retaliações estrangeiras são rápidas: governo e empresas privadas norte-americanas cortam o crédito para o Brasil e interrompem a negociação da dívida externa.
No Congresso se formam a Frente Parlamentar Nacionalista, em apoio a Jango e a ação Democrática Parlamentar, que recebe ajuda financeira do Instituto Brasileiro de Ação Democrática (Ibad), instituição mantida pela Embaixada dos Estados Unidos.
No início de 1964 o país chega a um impasse. O Governo já não tem o apoio das classes dominantes e os próprios integrantes da cúpula governamental divergem quanto aos rumos a serem tomados. A crise se precipita no dia 13 de março, com a realização de um grande comício em frente à Estação Central do Brasil, no Rio de Janeiro. Perante 300 mil pessoas Jango decreta a nacionalização das refinarias privadas de petróleo e desapropria, para fins de reforma agrária, propriedades às margens de ferrovias, rodovias e zonas de irrigação dos açudes públicos.
Em 19 de março é realizada,
Nesse mesmo dia, ainda com Jango no país, o presidente do Senado, Auro de Moura Andrade, declara vaga a Presidência da República. Ranieri Mazzilli, presidente da Câmara dos Deputados ocupa o cargo interinamente. Exilado no Uruguai, Jango participa da articulação da Frente Ampla, um movimento da Redemocratização do país, junto com Juscelino e seu ex-inimigo político, Carlos Lacerda. Mas a Frente não se concretiza. João Goulart morre na Argentina em 1976.
História da República - Jânio Quadros
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Sunday, 19 October 08 - 07:23 AM (GMT -04:00) By Master Santucci in História |
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1961
Jânio assume a Presidência da República em 31 de janeiro de 1961 herdando de Juscelino Kubitschek um país em acelerado processo de concentração de renda e inflação. Adota uma política econômica ditada pelo FMI (Fundo Monetário Internacional): restringindo o crédito e congelando os salários. Com isso, obtém novos empréstimos, mas desagrada ao movimento popular e aos empresários. No plano externo exerce uma política não alinhada. Apóia Fidel Castro diante da tentativa fracassada de invasão da Baía dos porcos pelos norte-americanos. Em 18 de agosto de 1961 condecora o ministro da indústria de Cuba, Ernesto "Che" Guevara, com a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, a mais alta comenda brasileira.
No dia 24 de agosto de 1961, Carlos Lacerda, governador da Guanabara, denuncia pela TV que Jânio Quadros estaria articulando um golpe de estado. No dia seguinte, o presidente surpreende a nação: em uma carta ao Congresso afirma que está sofrendo pressões de "forças terríveis" e renuncia a presidência. Em quanto isso, o vice-presidente João Goulart está fora do país, em visita oficial à China. O presidente da Câmara, Ranieri Mazilli, assume a presidência como interino, no mesmo dia, 25 de agosto. A UDN e a cúpula das Forças Armadas tentam impedir a posse de Jango, por estar ligado com o movimento trabalhista. Os ministros da Guerra, Odílio Denys, da marinha, vice-almirante, Silvio Heck, e o brigadeiro Gabriel Grún Moss, da Aeronáutica, pressionam o congresso para que considere vago o cargo de presidente e convoque novas eleições.
História da República - Juscelino Kubitschek
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Sunday, 21 September 08 - 08:06 PM (GMT -04:00) By Master Santucci in História |
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1956 - 1961
Apesar de ser "cria" do Estado Novo, Juscelino não estava sintonizado de forma alguma com os ideais totalitários. Ao contrário: liberal por formação, democrata por convicção e políticos por outros motivos, Nonô sempre teve um desempenho administrativo renovador e dinâmico. Quando ainda era candidato, prometera que, em seu mandato, o país teria o desenvolvimento só comparável ao de meio século (50 anos em 5). Foi a chamada política desenvolvimentista, o plano das metas tendo o Estado como o coordenador desta tarefa. Os recursos para tal empreendimento foram trazidos do exterior, o que nos alinha de novo com os norte-americanos, ou do interior, com a emissão de papel-moeda, medida inflacionária. A preocupação com as áreas pobres do Brasil, após nova seca, fez surgir a SUDENE (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste, 1959); novos investimentos públicos são feitos, visando ocupar a mão-de-obra flutuante (construção de estradas, barragens, novas siderúrgicas). O capital estrangeiro obsoleto é atraído sob a forma de indústria automobilística. Esta resolvia vários problemas: a superprodução petrolífera naquela época; a transferência de maquinaria obsoleta americana para o Brasil; e a expansão da economia alemã e francesa do pós-guerra. Assim, surgem as fábricas Willis-Overland (americana), a Volkswagen (Alemã) e Simca-Chambord (francesa), além de outras. Forma-se uma elite dirigente convencida da necessidade do capital estrangeiro como dinamizador de nosso desenvolvimento industrial. Para esta elite, o nosso subdesenvolvimento ligava-se ao antigo modelo agroexportador; bastava, portanto, industrializar e o nosso atraso seria superado. Para completar o "desenvolvimento" Juscelino fez construir uma nova capital, Brasília, síntese do seu programa desenvolvimentista. No planalto central, entre índios e onças, surge o centro administrativo daquilo que seria o futuro Brasil.
Os efeitos desta política não tardaram a ser sentidos.
O modelo econômico juscelinista só beneficiava a burguesia e a classe média alta, capaz de comprar os bens de consumo produzidos. Depois, a inflação, decorrente das constantes emissões de papel-moeda, desvalorizava o dinheiro e os salários, aumentando o custo de vida. O nordestino emigrava para o centro-sul, em busca de melhores oportunidades, agravando a pobreza nos centros urbanos. A dependência avolumada do capital externo criava o déficit na nossa balança de pagamentos; os credores internacionais chegaram a temer a insolvência do Brasil. Nonô não se preocupou: transferiu a solução dos problemas por ele criados para o seu sucessor. A oposição começava a ganhar corpo e forma; a UDN, esperançosa de uma vitória (finalmente); restava encontrar o homem certo. Realizada a eleição ganhou Jânio Quadros da UDN.
História da República - Café Filho / Carlos Luz / Nereu Ramos
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Sunday, 14 September 08 - 12:56 PM (GMT -04:00) By Master Santucci in História |
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1954 - 1955
A UDN derrotara Getúlio, mas não o populismo, que permanecia arraigado em quase todos os setores da sociedade brasileira. A morte do presidente fez ascender as forças udenistas, através do Vice-presidente Café Filho. Este adoecendo, foi substituído por Carlos Luz (presidente da Câmara dos Deputados), que, ligado às forças udenistas, não desejava que a coligação PSD-PTB ganhasse as eleições presidenciais. Mas tudo foi em vão: nas urnas vence Juscelino Kubitschek de Oliveira (governador de Minas Gerais), derrotando Juarez Távora (UDN, o ex-tenente "Vice-rei do Norte"), Ademar de Barros (Partido Social Progressista de São Paulo) e Plínio Salgado (ex-AIB, agora PRD). O vice de JK era João Goulart, o Jango. A UDN, derrotada, logo exigiu para a posse dos eleitos a maioria absoluta dos votos o que nem a Constituição exigia. Depois, vendo a inutilidade dos argumentos, conclamava setores mais conservadores da Forças Armadas a impedir a posse de JK e Jango sob a alegação de que ambos estavam ligados ao populismo (em parte verdadeiro) e fariam o país retornar ao caos de 1954. Carlos Lacerda, jornalista e deputado pela UDN era o grande mentor desta proposta golpista. Além disso, "os eleitos tiveram apoio dos socialistas e comunistas", argumentava a UDN, repetindo velhas cantigas para "defender a democracia". Entretanto, o Ministro da Guerra, o marechal Henrique Teixeira Lott, resolveu dar um golpe preventivo a fim de garantir a posse dos eleitos (novembro de 1955). Carlos Luz foi declarado impedido de exercer a presidência; Café Filho, que já se restabelecera, foi feito prisioneiro em sua própria casa; assumiu Nereu Ramos (vice-presidente do Senado) que se compromete a dar posse aos eleitos (janeiro de 1956). O populismo vencera mais uma vez, contudo suas contradições se aprofundavam. JK seria o último civil a cumprir seu mandato presidencial desde 1930.
História da República - Getúlio Dornelles Vargas
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Saturday, 06 September 08 - 08:08 PM (GMT -04:00) By Master Santucci in História |
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1951-1954
Não foi difícil a Getúlio convencer o eleitorado de que ele era a solução. Setores dissidentes do PSD e todo o PTB apoiaram a candidatura do "pai dos pobres", que derrotou Eduardo Gomes (UDN) e Cristiano MAchado (candidato oficial do PSD, sem apoio do próprio partido in totum, além de não ter a mínima expressão política). Contudo, para o legislativo, o PSD foi o grande vencedor.
Getúlio tentou conciliar o inconciliável:
No plano interno, desenvolver uma indústria nacional, através de um acúmulo salarial;
No plano externo, criar uma economia independente do capitalismo internacional, agora sob a liderança norte-americana.
No primeiro ano de seu governo, Getúlio denuncia a espantosa remessa de lucros das empresas estrangeiras para suas matrizes, uma terrível sangria para a economia nacional. Ao mesmo tempo, desenvolvia uma política nacionalista, o que faz o Presidente norte-americano cancelar certos empréstimos prometidos anteriormente. Apesar disto, Vargas realiza a expansão da Siderúrgica Nacional, a criação da hidroelétrica de Paulo Afonso, a fundação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico, entre outras coisas. Os trabalhadores eram manejados a fim de acreditarem que o desenvolvimento os beneficiaria diretamente, o que apavorava os setores mais tradicionais. Além disto, a tolerância do governo para com os partidos de esquerda inquietava os militares, alinhados com os americanos e receosos do "perigo vermelho": uma nova fobia iria de agora em diante justificar quaisquer golpes... A reorganização dos sindicatos pelo Ministro do trabalho, João Belchior Marques Goulart, à sombra do peronismo argentino, torna intolerável aos setores mais à direita qualquer apoio ao presidente. Em 1953, surge a Petrobrás, frustrando as multinacionais do petróleo em explorar o combustível fóssil do nosso solo. Neste mesmo ano, o ritmo da industrialização nacional atingiu um impasse: para crescer precisava recursos, internos e externos. Internos, com a expansão do crédito, financiamento, arrocho salarial e, infelizmente inflação. Externamente, com a facilitação das importações, redução das taxas de câmbio e aproximação dos EE.UU. Se isto beneficiava a burguesia industrial e a agricultura agroexportadora (a minoria dominante), prejudicava como sempre a classe média, as massas operárias e o povo em geral (a maioria iludida). Desta maneira, os trabalhadores, desrespeitando o pacto de aliança com o governo, entraram em greve geral durante 29 dias. Trezentos mil operários paulistas exigiam aumento salarial. O medo da classe dominante era que Vargas perdesse o controle do movimento sindical.
História da República - Eurico Gaspar Dutra
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Sunday, 31 August 08 - 08:14 AM (GMT -04:00) By Master Santucci in História |
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1946-1950
No plano externo, o general alinha-se com os norte-americanos na terrível guerra-fria, abrindo as portas do Brasil a todas as importações (supérfluos ou obsoletos), gastando nossas reservas cambiais acumuladas com a 2a. Guerra Mundial e desvalorizando o cruzeiro. Romperam-se relações com a URSS e o PCB teve seu registro de funcionamento cassado, bem como cassados são os mandatos dos representantes eleitos pela sigla, obrigando os comunistas a agirem na ilegalidade. A ala nacionalista do governo fez cerrada campanha contra o governo, obrigando-o a recuar um pouco no seu entreguismo (1947), mas as oligarquias industriais, para garantir o acúmulo de capitais, exigiam o congelamento do salário-mínimo. Isto provocava, é claro, greves constantes cuja culpa era posta nos comunistas. Assim, a tentativa de "conciliação social" do governo Dutra não era mais que uma promessa nunca cumprida. Assim a burguesia mais uma vez perdia o controle das massas urbanas proletárias e que a inquietavam, pois a industrialização (já a esta altura irresistível) ficaria comprometida. Era preciso substituir Dutra, o general, por alguém capaz de eletrizar as massas, manejá-las, disciplinando-as como... como um pai. Quem??
Crise de 1929 - Um período de instabilidade do capitalismo
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Sunday, 17 August 08 - 08:59 AM (GMT -04:00) By Master Santucci in História |
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Crise de 1929, queda do índice geral da bolsa de Nova York em 1929. Em 1927, após um período de fortes investimentos no estrangeiro e com uma economia crescente, os financistas norte-americanos que operavam
A instabilidade do capitalismo
A palavra "crise" sempre traz apreensão. Em 1929, os países capitalistas enfrentaram a maior crise da sua história. A crise de 1929 foi grave tanto pelos problemas sociais que ela causou quanto pela dimensão mundial que assumiu.
Para entender a natureza dessa crise, devemos perceber que a economia industrial capitalista é composta de várias atividades interdependentes.
Quando a economia de um país se encontra num momento de funcionamento normal, as coisas procedem mais ou menos desta forma: os industriais, para produzir, necessitam comprar matéria-prima e máquinas de outros empresários. A produção de uma fábrica estimula a produção de outras. Os empresários pagam salários aos seus empregados. Estes compram alimentos e produtos industrializados. Com isso, o comércio cresce. Outros setores, como o bancário, de transporte, de diversão e de serviços, também são incentivados pelo aumento da produção e do consumo.
Da mesma maneira que há uma interdependência entre as atividades econômicas de um país, ela existe também entre as economias de vários países. Com a expansão do capitalismo industrial, essa interação passou a ser cada vez maior. Os países importam e exportam. Os capitalistas de um país fazem investimentos em outros países.
Nas fases de expansão, o crescimento econômico atinge vários países. Nas fases de crise, isto é, de recessão, os efeitos negativos também se alastram igualmente.
Assim, por exemplo, se um determinado setor da indústria não conseguir vender a sua produção, é muito provável que ele terá de demitir funcionários e deixar de comprar matéria-prima e equipamentos. A crise se alastrará para esses dois outros setores. Novas demissões serão feitas. Sem emprego, os assalariados diminuirão o consumo. Isso levará a crise para as fazendas, fábricas de bens de consumo e para o comércio. Com as atividades produtivas e comerciais em declínio, os bancos, os setores de diversões e de serviços perderão os seus clientes.
0 resultado desse processo de recessão é triste e doloroso. A maior parte da população sente na pele os efeitos do desequilíbrio econômico.
A história do sistema capitalista tem apresentado fases de expansão seguidas de fases de recessão. Isso mostra que ele não é um sistema estável, mas sempre sujeito a crises cíclicas. 0 próprio processo de expansão cria as condições para a crise, e as medidas para solucioná-la criam as condições para uma nova fase de expansão.
O dólar dominou o mundo
Para muitos países da Europa, a Primeira Guerra Mundial significou morte e destruição. Alguns países chegaram a perder 10% da sua população ativa. Muitos tiveram grande parte do seu parque industrial, rodovias e ferrovias destruídas. A inflação alcançava índices elevados. 0 cenário era de desolação. Para os governantes desses países, a tarefa prioritária consistia em recuperar a economia.
Se para os europeus a guerra trouxe enormes prejuízos, para os Estados Unidos resultou em progresso. 0 país, que já vinha se consolidando como uma das mais poderosas nações industriais do mundo, aumentaram ainda mais à distância que o separava das demais nações.
Divisão do trabalho na indústria
A divisão do trabalho é um princípio básico da industrialização. Na divisão do trabalho, cada trabalhador é designado a uma tarefa diferente, ou fase, no processo de fabricação, resultando daí um aumento da produção total. Como mostra a ilustração superior, se uma pessoa realizar as cinco fases na fabricação de um produto, poderá produzir uma unidade ao dia. Cinco trabalhadores, cada um especializado em uma das cinco fases, poderão produzir 10 unidades no mesmo tempo.
Os EUA só entraram na guerra quando faltava um ano para que ela terminasse. Tiveram poucas perdas humanas e, além disso, não houve guerra em seu território. Porém, a vantagem maior dos EUA foi ter fornecido matérias-primas, alimentos e armas, momentos para os vencedores impulsionando a sua economia.
Na década de
0 sistema de linha de montagem multiplicava rapidamente a produção. Nesse sistema, um operário especializava-se em executar apenas uma tarefa. 0 carro resultava, então, do trabalho combinado de centenas de operários.
A produção em massa na indústria americana abrangeu também novos produtos, que, aos poucos, foram ganhando destaque na vida moderna. Na década de 1920, milhões de geladeiras, fogões, rádios e gramofones saíam das linhas de montagem. Esses produtos já existiam anteriormente, mas, com a massificação, ficaram ao alcance das famílias de classe média.
Os produtos industriais americanos eram exportados para a Europa e para o resto do mundo. Ao mesmo tempo, seus produtos culturais conquistavam amplos espaços. A música americana, especialmente o jazz, era admirada por um público cada vez maior. Astros e estrelas do cinema americano, ainda mudo, faziam bater mais rápido o coração dos fãs. As comédias de Carlitos causavam explosões de gargalhadas e, ao mesmo tempo, ajudavam a refletir sobre a sociedade moderna.
Count Basie
Nas décadas de 1930 e 1950, quando as big bands estavam no auge da popularidade, o pianista Count Basie criou um estilo com raízes no blues e no jazz
As danças americanas, como o charleston, tomavam conta dos salões. Lentamente, o modo americano de vida ia sendo difundido.
Os Estados Unidos, na década de 1920, nadavam num mar de prosperidade. Enquanto isso, do outro lado do Atlântico, na Europa, a reconstrução caminhava a duras penas.
Os europeus necessitavam de dinheiro para recuperar a economia do continente. Uma grande parte dos recursos veio sob a forma de empréstimos dos Estados Unidos. Aumentava, assim, a interdependência entre a economia européia e a americana.
A prosperidade trouxe a crise
A saúde do capitalismo, em nível mundial, dependia da economia dos Estados Unidos. Entretanto, a prosperidade americana apresentava pontos fracos. Um deles era a enorme concentração da renda. Durante a década de
A economia era controlada pelas grandes empresas. Elas elevavam artificialmente os preços e rebaixavam os salários.
Para os capitalistas, isso era bom, mas para a economia isso era ruim, pois a capacidade de consumo da população, e, conseqüentemente, a possibilidade de venda dos empresários, diminuíam.
No campo, a situação também não estava boa. A mecanização das fazendas e a ampliação das terras cultivadas provocaram uma superprodução, fazendo o preço dos produtos agrícolas despencar. A cada ano, crescia o número de agricultores endividados junto aos bancos. Esses agricultores passaram a comprar menos produtos industriais.
Apesar dessa gradativa redução interna do consumo, a euforia no mundo dos negócios era imensa, pois as exportações para a Europa e para a América do Sul garantiam a expansão das vendas.
A idéia de fazer fortuna rapidamente passou a ser o principal objetivo de muitos americanos. A Bolsa de Valores parecia ser o caminho mais curto para o enriquecimento.
Normalmente, quando um empresário quer ampliar o seu negócio, ele recorre a um empréstimo bancário ou à venda de ações da sua empresa na Bolsa de Valores. As pessoas compram essas ações porque acreditam que a empresa dará lucro.
E, se isso vier a acontecer, o lucro será dividido proporcionalmente entre os acionistas. Diariamente, as ações são negociadas segundo as expectativas de lucro dos investidores. Se a expectativa é de alta, as ações sobem. Caso contrário, caem.
Contudo, há momentos em que o preço das ações pode subir artificialmente, isto é, acima das possibilidades reais de lucro. Nos últimos anos da década de 1920, era 'isso que estava ocorrendo nos EUA. Alguns empresários, aproveitando-se da euforia econômica e do desejo de lucro imediato, lançavam no mercado um número cada vez maior de ações. Assim, foram construindo um castelo de areia, que só se manteria de pé se o público continuasse a investir em ações e a confiar no mercado.
No verão de
A prosperidade norte-americana estava assentada em bases precárias. Um abalo levou-a ao chão.
O dia em que a Bolsa quebrou
0 crescimento da economia americana revelou os seus problemas. No segundo semestre de 1929, eles já estavam bastante visíveis. A produção das fábricas já não encontrava compradores com tanta facilidade. A concentração de renda na sociedade americana, entre outros efeitos, diminuía o consumo. As indústrias européias voltavam a produzir num ritmo acelerado. Conseqüentemente, voltaram a fazer concorrência aos produtos americanos. Delineou-se, assim, um processo de superprodução, provocando a queda dos preços e do lucro empresarial.
0 efeito disso sobre as cotações das ações na Bolsa de Valores foi catastrófico. No dia 29 de outubro de 1929, o rosto dos corretores e dos investidores revelava o desespero da situação. Com os lucros em queda livre, a cotação das ações despencou vertiginosamente. Milhões de pessoas, que acalentavam o sonho de se tornar milionárias, ficaram na miséria do dia para a noite. A economia americana entrava em um processo acelerado de desorganização.
Todos passaram a ter medo de investir. Os empresários evitavam até mesmo aplicar mais dinheiro nas suas fábricas. Milhares delas fechara.m as portas e despediram os empregados. 0 desemprego atingiu milhões de trabalhadores e agravou ainda mais a situação das empresas que sobreviveram. 0 mercado se restringiu. Os trabalhadores não tinham dinheiro para comprar mercadorias. A crise atingiu intensamente o comércio e o setor de serviços, se alastrando por toda a economia.
Os agricultores chegaram a queimar a produção, a pois os preços dos produtos a não compensavam o custo do transporte, A falta de abastecimento levou a fome para cidades americanas. As filas para conseguir comida, distribuída gratuitamente pelo governo, tornaram-se comuns nos grandes centros. A economia americana mergulhou na recessão.
A crise se espalhou pelo mundo capitalista
Em virtude da enorme importância da economia americana na economia mundial, a crise logo atingiu outros países. Rapidamente, os empréstimos e investimentos americanos foram retirados do continente europeu. Para a Europa, nada poderia ser pior. Na Áustria, o principal banco faliu. Na Alemanha, o povo, com medo da inflação, correu aos bancos para retirar dinheiro e estocar mercadorias
A saída americana para a crise
A recuperação das economias capitalistas se deu em ritmos diferentes. Até então, as crises do capitalismo tinham sido resolvidas com a conquista de novos mercados em regiões distantes. Entretanto, agora, com o mundo já dividido e com a criação de numerosos países, isso se tornava perigoso. As chances de conflito eram grandes. Assim, a solução teria de vir de uma reorganização econômica interna de cada país.
A recuperação americana é um bom exemplo de como Isso se deu. Com algumas diferenças, as medidas adotadas nesse país foram as mais utilizadas em outras nações capitalistas.
A crise de 1929 teve efeitos de vazadores sobre a sociedade americana. Quinze milhões de desempregados, fábricas fechadas, agricultores vendo as suas propriedades tomadas pelos banqueiros, greves e revoltas agitando o país. A América estava à beira de uma revolução social. 0 povo culpava o presidente pela crise. Assim, nas eleições de 1932, votou no candidato da oposição, o representante do Partido Democrata, Franklin Roosevelt. Ele prometeu fazer a economia voltar a crescer. Seu programa ficou conhecido como New Deal. Esse programa implicou uma maior intervenção do Estado na economia. Foram criadas agências governamentais para administrar as inúmeras obras públicas, destinadas a reerguer a economia. Para dar emprego a milhões de desempregados, o governo mandou construir estradas, barragens, usinas hidrelétricas, reflorestar florestas etc. Com isso, esses homens, agora empregados, voltam a consumir. As indústrias, o comércio e os bancos retomaram lentamente suas atividades.
A agricultura foi beneficiada com muitos créditos e energia barata. Além disso, o governo implementou obras em áreas até então inaproveitadas. Com a ampliação do mercado consumidor nas cidades e com a reorganização dos transportes e da economia, os agricultores se sentiram novamente estimulados a plantar. As cidades voltavam a ser abastecidas regularmente.
A situação dos pobres melhorou. Estabeleceu-se o salário desemprego e um salário mínimo para os trabalhadores. Garantiu-se aos operários o direito de ter seus sindicatos e de lutar por melhores salários.
Os resultados dessas medidas foram bastante satisfatórios. Tanto que, em 1936, os indicadores econômicos mostravam que a recessão já tinha passado. A expansão se dava lentamente. De qualquer forma, os tempos de crise profunda tinham ficado para trás.
Bibliografia
Apostila de Estudo 02 (Humanas) Faculdades Unip/Objetivo – 1999
Enciclopédia Encarta 99 Microsoft Corp.
História da República - Ministro José Linhares
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Sunday, 03 August 08 - 07:08 PM (GMT -04:00) By Master Santucci in História |
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Na segunda guerra mundial o Brasil participava no lado dos Aliados, contra os regimes ditatoriais nazistas e fascistas e a favor da democracia. Dessa forma, havia estranho o Brasil possuir um regime ditatorial por Getúlio Vargas. Então cresceu a oposição social e política ao governo Vargas. Vargas, por mais que reprimisse com assassinatos e prisões, não conseguiu parar o movimento e resolveu convocar eleições diretas. As pressões dos setores da burocracia e do trabalhismo para que ele mesmo se candidatasse, causa suspeita para a oposição que se movimenta e articulam o golpe de 29 de outubro de 1945. Tiram Getúlio do poder e passam o poder a José Linhares, então presidente do Supremo Tribunal Federal, até a posse do eleito presidente, general Eurico Gaspar Dutra, em janeiro de 1946.
História da República - Getúlio Vargas
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Wednesday, 30 July 08 - 08:05 AM (GMT -04:00) By Master Santucci in História |
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1937 - 1945
Após a implantação do Estado Novo, com um novo golpe de Estado, continua na presidência, ditatorialmente, Getúlio Vargas. O período de Estado Novo é, ao mesmo tempo, de grande avanço nas políticas sociais e econômicas, sobretudo através da implantação de uma ampla legislação trabalhista - para os trabalhadores urbanos - e de apoio à industrialização, mediante projetos oficiais na área siderúrgica e petrolífera.
Para centralizar o controle da burocracia oficial, Getúlio Vargas cria, em 1938, o Departamento Administrativo do Serviço Público (Dasp). Em 1939, cria o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), com a tarefa de divulgar as ações do governo - sobretudo na Hora do Brasil - e controlar ideologicamente os meios de comunicação. Para estimular e controlar o sindicalismo operário, são ampliados os serviços estatais de aposentadoria, criados em 1940, o imposto sindical e o salário mínimo, e posta em vigor a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em 1943. O imposto sindical era um imposto que todo trabalhador era obrigado a pagar, que o governo repassava para o sindicato. Os sindicatos na época não eram tão fortes quanto hoje e eram mais como "clubes" do que organizações de reivindicações. Assim, o governo manipulava os sindicatos, manipulando assim todos os trabalhadores.
No campo econômico, Getúlio Vargas avança no controle estatal das atividades ligadas ao petróleo e combustíveis através da criação do Conselho Nacional do Petróleo, em 1938. Estimula a indústria de base com a fundação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) de Volta Redonda, no Rio de Janeiro, em 1941, e obtém financiamento norte-americano para instalação da Fábrica Nacional de Motores, no Rio de Janeiro, em 1943. Inaugura também a Companhia Vale do Rio Doce, para explorar minérios. A fim de contribuir com a formação de mão-de-obra especializada para o setor industrial, funda o Serviço Nacional da Indústria (Senai), em 1942, e o Serviço Social da Indústria (Sesi), em 1943.
Fim do Estado Novo
A participação do Brasil no esforço de guerra dos Aliados, em defesa da democracia e contra o totalitarismo nazista e fascista, afeta a estabilidade do regime ditatorial interno. Cresce a oposição social e política ao Estado Novo entre intelectuais, estudantes, religiosos e empresários. Vargas, apesar de todo o aparato de repressão - com um grande número de prisões, assassinatos e deportações de adversários do regime -, não mantém mais o controle da situação. Passa, então, à ofensiva e, no início de 1945, anuncia eleições gerais para o final do mesmo ano, com o general Eurico Gaspar Dutra, ministro da Guerra, como seu candidato. As pressões de setores da burocracia e do trabalhismo para que o próprio Getúlio dispute as eleições criam a desconfiança das oposições, que se movimentam com a cúpula militar e articulam o golpe de 29 de outubro de 1945. Os ministros militares destituem Getúlio Vargas e passam o governo ao presidente do Supremo Tribunal Federal, José Linhares, até a eleição e posse do novo presidente da República, o general Dutra, em janeiro de 1946.
História da República - Getúlio Dornelles Vargas
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Sunday, 27 July 08 - 08:22 AM (GMT -04:00) By Master Santucci in História |
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1930-1937
As eleições da Constituinte se realizaram, dando um número de representantes aqueles que se podiam classificar sintonizados com as antigas oligarquias, apesar de em número menor estarem representantes classistas eleitos por sindicaros. Havia ainda uma perigosa corrente que, apesar de reconhecer as falhas do antigo regime preconizavam um estado forte, regulador das tensões sociais, dirigido por uma elite política transformadora (mais fascista). A nova constituição foi portanto uma soma destas três tendências.
São as mais importantes características da Carta de 1934 as seguintes:
- Poder executivo com direito de intervenção nas áreas política e econômica. Os ministérios deveriam adotar uma assessoria técnica;
- Poder legislativo eleito proporcionalmente ao número de habitantes de cada Estado, evitando-se que os estados-membros populosos tivessem grandes representações. Seriam eleitos pelo voto secreto universal. Havia deputados eleitos indiretamente por sindicatos;
- Onda de nacionalismo (limitação a imigração, nacionalização de empresas de seguros, do subsolo nacional) e das comunicações (restrito inicialmente à imprensa;
- Criação do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, dando garantias mínimas ao trabalhador brasileiro, pela primeira vez;
- Criação da Justiça Eleitoral (garantindo a lisura das eleições) e da Justiça Militar;
- Eleições indiretas para o 1o. Presidente constitucional: vence Getúlio Vargas, derrotando Borges de Medeiros.
O Tenentismo é, assim, completamente superado, pois suas antigas propostas são esvaziadas através das conquistas da nova constituição. As oligarquias conservadoras estão garantidas e restauradas no poder e os "direitistas" satisfeitos com o poder do Estado, regulador das tensões.
A partir de 1934, crescem no Brasil duas tendências políticas. A primeira delas era o nazi-fascismo; a segunda, o socialismo marxista. Ambas criticavam o Estado burguês-liberal e a "democracia" por ele desenvolvida. Contudo elas possuíam diferenças inconciliáveis.
O fascismo brasileiro (integralismo), conhecido pela sigla de AIB (Ação Integralista Brasileira), foi criado por Plínio Salgado em 1932. Preconizava a criação de um Estado ditatorial ultranacionalista e anticomunista. Este fascismo caboclo impressionava a classe média, o alto clero, parcelas reacionárias da sociedade
A corrente contrária denominava-se ANL (Aliança Nacional Libertadora). Congregava as oposições à Vargas, tendo uma linha discretamente socialista marxista. A ANL opunha-se a todos os totalitarismo de direita, preconizando a criação de um Estado democrático, popular, extinguindo a propriedade privada nos meios de produção. O crescimento da ANL, sob o comando de Luís Carlos Prestes, incomodava as elites dirigentes e as que sonhavam com o poder (a AIB, por exemplo). Vargas, pressionado pelas oligarquias, inicia a repressão dos membros da ANL, obrigando-os a agir na clandestinidade. O Partido Comunista do Brasileiro que se associara à ANL opta pela revolução armada para tomar o poder. Um levante difuso, heterogêneo, mal planejado, mal executado, ao final de novembro de 1935 é sufocado por Getúlio, que decreta estado de sítio. O levante é conhecido com o nome de Intentona Comunista. O estado de sítio se prolonga até o ano seguinte, toda oposição de esquerda foi reprimida violentamente.
No plano econômico, Vargas era um tanto nacionalista, evitando a Revolução Constitucionalista de 32.
Os políticos paulistas, sobretudo os dirigentes do P.R.P. (Partido Republicano Paulista), não se conformaram com a vitória da revolução de
Embora João Alberto, sentindo dificuldades para administrar o Estado, pedisse demissão, e seguidamente ocupassem a interventoria de São Paulo o magistrado Laudo de Camargo, o general Manuel Rabelo e o antigo diplomata Pedro de Toledo, a onda de agitação e descontentamento prosseguiu. Particularmente entre os estudantes das escolas superiores paulistas repercutiria a campanha. Esquecendo suas velhas rivalidades, uniram-se o "perrepistas", ou membros do PRP, aos "democráticos", componentes do antigo Partido Democrático, formando-se então uma nova "Frente Única".
Mesmo diante da promessa de eleições, nova constituição e a nomeação de interventor paulista para São Paulo, o Estado do café se levanta contra a Revolução de 30.
Rebentou a revolução paulista a 9 de julho de 1932. São Paulo já possuía um governante civil e paulista, de modo que a grande reivindicação foi a constitucionalização do país. Mas o Estado paulista ficou só, não houve adesão das outras oligarquias dos outros Estados.
A direção do levante coube ao general Isidoro Dias Lopes, apoiado pelo general Bertoldo Klinger, que veio de Mato Grosso com um forte contingente. Embora realizassem os paulistas prodígios de técnica, produzindo munição de infantaria, construindo morteiros, encouraçando trens e automóveis, mobilizando todos os seus recursos materiais e humanos, o governo federal, reunindo suas forças disponíveis e contando também com as milícias estaduais, dominou a grande rebelião.
Getúlio vence a Revolução, mas mesmo assim, o governo percebeu que era difícil governar sem as oligarquias paulistas. Ademais, os militares legalistas não viam com simpatia as reivindicações dos tenentes "mais à esquerda". Para não perder o poder, Vargas convoca uma Constituinte visando a conciliar as diversas tendências.

Intentona Comunista
Foi uma insurreição político-militar promovida pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB, em novembro de 1935, com o objetivo de derrubar o presidente Getúlio Vargas e instalar um governo socialista no Brasil.
Fundado em 1922, o Partido Comunista Brasileiro fortalece-se apenas no final da década, ao intensificar sua participação nas campanhas eleitorais e penetrar no proletariado urbano e nos meios trabalhadores rurais. Após a Revolução de 30, recebe a adesão de militantes e líderes tenentistas, entre eles o ex-capitão Luís Carlos Prestes. Depois de uma estada na União Soviética, Prestes retorna ao Brasil e, em 1934, passa a participar da dereção partidária.
Aliança Liberal Libertadora (ANL)
Com o crescimento do fascismo na Europa e do integralismo no Brasil, as lideranças políticas democráticas e de esquerda decidem reproduzir no país o modelo das frentes populares européias. Com esse objetivo, em março de 1935 é criada no Rio de Janeiro a ANL, reunindo ex-tenentes, comunistas, socialistas, líderes sindicais e liberais excluídos no poder. A Aliança aprova um programa de reformas sociais, econômicas e políticas que inclui aumento dos salários, nacionalização de empresas estrangeiras, proteção aos pequenos e médios proprietários e defesa das liberdades públicas. Luís Carlos Prestes é convidado para a presidência de honra da organização. A ANL cresce tão rapidamente quanto a sua adversária AIB (Ação Integralista Brasileira). Os confrontos entre militantes comunistas e integralista tornam-se cada vez mais frequentes. Aproveitando o apoio da sociedade à causa antifascista, Prestes lança em julho de 1935, em nome da ANL, um documento pedindo a renúncia do presidente Getúlio Vargas. Em represália, o governo decreta a ilegalidade da ANL. Impedida de atuar publicamente, a organização perde a força, pois só funcionava na ilegalidade.
Levante nos quartéis
Com o apoio de prestes e contando com a adesão de simpatizantes aliancistas em importantes unidades do Exército, o PCB prepara uma rebelião militar. O levante dos quartéis seria o sinal para uma greve geral e o início da revolução popular. A revolta começa precipitadamente nas cidades de Natal e do Recife, nos dias 23 e 24 de novembro. Em função dessa antecipação inesperada, os chefes do movimento apressam a mobilização no Rio de Janeiro para a madrugado do dia 27. O 3o. Regimento da Infantaria, na Praia Vermelha, e a Escola de Aviação, no Campo dos Afonsos, são palco das revoltas. Mas o governo está preparado e conta com a lealdade das Forças Armadas. Os rebeldes são encurralados pelas artilharias do Exército e da Marinha e dominados rapidamente. A rebelião é derrotada no mesmo dia em que começa devido a falta de organização. Em todo o país, revoltosos e simpatizantes são perseguidos, seus chefes são presos, alguns torturados e mortos. Prestes fica na prisão até 45. Sua mulher, Olga Benário, comunista e judia, é entregue pela polícia do Estado Novo à Gestapo, polícia política nazista, e morre em 42 num campo de concentração da Alemanha nazista. Após a Intentona, o PCB é condenado à clandestinidade.
Estado Novo
Estado Novo Golpe de Estado dado por Getúlio Vargas que se caracterizou pelo poder centralizado no Executivo e pelo aumento da ação intervencionista do Estado. Instituiu-se o estado de emergência, que aumentava ainda mais os poderes do presidente, e as Forças Armadas passaram a controlar as forças públicas, com a ajuda da Polícia Secreta, chefiada por Filinto Müller e especializada em práticas violentas, como torturas e assassinatos. Criou-se o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), encarregado do controle ideológico dos meios de comunicação. Mas, em
A Revolução de 30
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Wednesday, 23 July 08 - 05:22 PM (GMT -04:00) By Master Santucci in História |
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Para compreender a revolução de 30 é necessário conhecer os fatos que a antecederam.
Com a eleição de Júlio Prestes parecia ter passado o "momento revolucionário". Entretanto, ao reabrir-se o Congresso, a 3 de maio, verificaram-se sérias divergências entre parlamentares da oposição e a maioria governista.
Um fato imprevisto agravou a crise que se reacendera: foi assassinado a 26 de julho, numa confeitaria do Recife, o governador da Paraíba, João Pessoa. Embora o assassino fosse motivado por questões da política paraibana, tendo João Pessoa figurado como candidato à vice-presidência, juntamente com Getúlio Vargas, provocou sua morte grande comoção nacional.
Preparou-se a revolução. No dia determinado, 5 de outubro de 1930, Osvaldo Aranha e Flores da Cunha iniciam o movimento tomando, com apenas 50 homens, o Quartel-general de Porto Alegre. Simultaneamente eclodia a revolução
Iniciando o levante no Recife, Juarez Távora, em pouco tempo pôs em fuga o governador de Pernambuco Estácio Coimbra. Em breve o Norte e o Nordeste do país estavam em poder dos revolucionários.
Seguro da vitória da revolução naquelas regiões, empreendeu Juarez Távora sua marcha em direção à região Leste atravessando Alagoas, Sergipe e atingindo a Bahia.
No Sul, as forças revolucionárias comandadas por Getúlio Vargas depois de enfrentar pequena resistência no Rio Grande do Sul, encaminharam-se em direção a Santa Catarina e Paraná. Quando se preparavam para atacar Itararé, posição bem defendida e considerada imprescindível para a ocupação de São Paulo, um grupo de generais e almirantes sediados no Rio, resolveu intervir, depondo o Presidente Washington Luís. Formou-se assim uma Junta Pacificadora composta pelo general Mena Barreto, general Tasso Fragoso e almirante Isaías Noronha. Não sabemos se a Junta Pacificadora estava comprometida com os revolucionários, se desejava mudar o encaminhamento da revolução ou se, patrioticamente, agiu para evitar mais derramamento de sangue e as conseqüências de uma guerra civil. Admitiu, sem resistência, a liderança de Getúlio Vargas, que, chegando ao Rio a 3 de novembro de 1930, assumiu provisoriamente o governo da República como delegado da Revolução, em nome do Exército, da Marinha e do Povo. Estava vitorioso o movimento.

História da República - Washington Luís Pereira de Sousa
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Wednesday, 23 July 08 - 05:19 PM (GMT -04:00) By Master Santucci in História |
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1926-1930
O período governamental que encerraria a "República Velha" teve início a 15 de novembro de 1926, quando tomaram posse nos cargos de presidente e vice-presidente Washington Luís e Fernando de Melo Viana.
Duas grandes preocupações destacam-se no programa administrativo do novo governo: construção de estradas e reforma financeira. Logo são iniciadas as grandes rodovias Rio - São Paulo e Rio - Petrópolis, esta última visando posteriormente a Belo Horizonte. Atribuiu-se a Washington Luís o lema "governar é construir estradas". Empenharam-se também o governo em conseguir estabilização monetária mediante a formação de reservas em ouro, inicialmente obtido através de empréstimos.
De maneira geral, entretanto, nossa situação econômica não era boa. Nosso principal produto, o café, desde 1925 ultrapassara suas possibilidades de exportação em virtude do crescimento contínuo dos cafezais; bastaria dizer que, sendo a produção anual média de 21 milhões de sacas, poderíamos encontrar mercados compradores apenas para 14 milhões. Convém lembrar que, garantindo a manutenção de preços compensadores para o café, já haviam os governos passados negociado empréstimos em condições onerosas. Além disso, praticamente não mais se exportava borracha e o cacau sofria uma série crise.
Politicamente também não era boa a situação do país. A representação popular sempre fora uma farsa. As fraudulentas eleições, feitas pelos chefes políticos ou "coronéis", se por um lado mantinham no poder seus representantes, por outro provocavam um natural desejo de reformas, que encontraria eco, sobretudo, entre a oficialidade mais jovem. Gerou-se assim o "tenentismo" que admitia ser a corrupção o vício fundamental do regime, contra o qual, aliás, estruturalmente nada de especial tinha a opor.
A escolha dos candidatos à sucessão presidencial funcionará como um estopim para a mais importante revolução da história republicana. Apresentavam-se como prováveis candidatos Júlio Prestes, Getúlio Vargas e Antônio Carlos de Andrada.
Júlio Prestes, governador de São Paulo, fora líder do governo na Câmara Federal e em torno do seu nome giravam as simpatias do Catete.
Getúlio Vargas, deixando a Pasta da Fazenda, ocuparao governo do Rio Grande do Sul. O grande Estado sulino, em virtude das divisões e ressentimentos locais, jamais conseguira coesão política suficiente para que um rio-grandense exercesse a presidência da República, não obstante Pinheiro Machado ter conseguido, conforme vimos anteriormente, uma verdadeira hegemonia entre os grandes chefes políticos do país. Mesmo no Império jamais um gaúcho fora indicado para a presidência do Conselho de Ministros. Vargas compreendeu bem o problema. Sucedendo a Borges de Medeiros, tratara de apaziguar os grupos políticos antagônicos do seu Estado, formando uma "frente única".
Antônio Carlos de Andrada, governador de Minas Gerais, aspirava também à sucessão presidencial. Suas possibilidades enquadravam-se na política tradicional de alternância no poder de paulistas e mineiros, chamada pelo povo de política "café com leite", pois representava a força econômica dos grandes Estados: São Paulo (produtor de café) e Minas Gerais (produtor de lacticínios).
Os entendimentos políticos evoluíram no sentido de agruparem-se em torno de Getúlio Vargas as forças da oposição. Consequentemente Minas Gerais e Rio Grande do Sul transformavam-se em dois grandes focos de rebeldia à política dominante. Na Paraíba contariam com o apoio de João Pessoa, candidato à vice-presidência. Formou-se assim a chamada "Aliança Liberal".
A frase de Antônio Carlos "façamos a revolução, antes que o povo faça" demonstra que se admitia a existência de um clima revolucionário. Já era o "tenentismo" realmente uma força ponderável e, ao chegarem ao Brasil os efeitos do colapso da Bolsa de Nova York (outubro de 1929), aumentaram as possibilidades de uma solução armada. A crise de 1929 alastrara-se pela Europa, atingindo também São Paulo como tradicional fornecedor de café aos países estrangeiros conturbados financeiramente pela grande depressão. O Brasil perdeu o seu maior mercado consumidor: Os EUA. Enfraquecera-se pois, o Estado no qual o governo federal depositava suas esperanças.
Realizaram-se, contudo, as eleições para os cargos de presidente e vice-presidente da República no prazo previamente determinado. Seu resultado foi favorável a Júlio Prestes e Vital Soares, que não chegariam a tomar posse, pois, vinte e dois dias antes de terminar o mandato presidencial de Washington Luís a revolução já estava nas ruas. Foi aí que se iniciou a Revolução de 30.
O que foi a Coluna Prestes?
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Tuesday, 15 July 08 - 09:22 PM (GMT -04:00) By Master Santucci in História |
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Após a derrota do movimento paulista, em 1924, um grupo de combatentes recua para o interior sob o comando de Miguel Costa. No início de 1925 reúne-se no oeste do Paraná com a coluna do capitão Luís Carlos Prestes, que havia partido do Rio Grande do Sul. Sempre com as forças federais no seu encalço, a coluna de 1 500 homens entra pelo atual Mato Grosso do Sul, atravessa o país até o Maranhão, percorre parte do Nordeste, em seguida retorna a partir de Minas Gerais. Refaz parte do trajeto da ida e cruza a fronteira com a Bolívia, em fevereiro de 1927. Sem jamais ser vencida, a coluna Prestes enfrenta as tropas regulares do Exército ao lado de forças policiais dos Estados e tropas de jagunços, estimulados por promessas oficiais de anistia.
A coluna poucas vezes enfrentou grandes efetivos do governo. Em geral, eram utilizadas táticas de despistamento para confundir as tropas legalistas. Ataques de cangaceiros à Coluna também reforçam o caráter lendário da marcha, mas não há registros desses embates. Nas cidades e nos vilarejos do sertão, os rebeldes promovem comícios e divulgam manifestos contra o regime oligárquico da República Velha e, contra o autoritarismo do governo de Washington Luís, que mantém o país sob estado de sítio desde sua posse, em novembro de 1926. Os homens liderados por Luís Carlos Prestes e Miguel Costa não conseguem derrubar o governo de Washington Luís. Mas, com a reputação de invencibilidade adquirida na marcha vitoriosa de 25 mil quilômetros, aumentam o prestígio político do tenentismo e reforçam suas críticas às oligarquias. Com o sucesso da marcha, a Coluna Prestes ajuda a abalar ainda mais os alicerces da República Velha e preparar a Revolução de 30. Projeta também a liderança de Luís Carlos Prestes, que, desde sua entrado no Partido Comunista Brasileiro e sua participação na Intentona Comunista de 1935, se torna uma das figuras centrais do cenário político do país nas três décadas seguintes.

Integrantes da Coluna Prestes
História da República - Arthur da Silva Bernardes
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Tuesday, 15 July 08 - 09:21 PM (GMT -04:00) By Master Santucci in História |
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1922 - 1926
Na eleição de 1o. de março de 1922 foram escolhidos presidente e vice-presidente da República, Arthur Bernardes e Estácio Coimbra, ex-governadores de Minas Gerais e Pernambuco respectivamente.
O quadriênio do novo presidente transcorreu inteiramente sob "estado de sítio". Efervescência política, revoltas e perturbações da ordem impediram naturalmente uma boa administração.
As forças políticas que fizeram oposição a Arthur Bernardes na campanha presidencial, no início de seu governo reagruparam-se formando um partido de luta ostensiva, denominado Aliança Libertadora. Conseguiu o presidente, entretanto, fortalecer o poder executivo promovendo no Congresso Nacional a reforma da Constituição de 1891. Limitou-se o habeas corpus, instituiu-se o direito de veto parcial do presidente da República e regulou-se a expulsão dos estrangeiros considerados perigosos.
Em 1923 conseguiu o ministro da Guerra, general Setembrino de Carvalho, pacificar o Rio Grande do Sul, conturbado pela revolução contra o governo Borges de Medeiros. No ano seguinte (5 de julho de 1924) rebentaria uma revolução
A revolução paulista repercutira, entretanto, sob a forma de motins no Rio Grande do Sul, Pernambuco, Pará, Amazonas e Sergipe. Reunindo revoltosos de São Paulo e do Rio Grande do Sul, formou-se uma coluna revolucionária que percorreria
História da República - Epitácio da Silva Pessoa
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Monday, 14 July 08 - 08:29 PM (GMT -04:00) By Master Santucci in História |
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1919 - 1922
Após ser eleito pela segunda vez, Rodrigues Alves não pode assumir a presidência, pois adoeceu gravemente, vindo a falecer em 18 de janeiro de 1919. Assumiu então o governo, o vice-presidente Delfim Moreira. Realizada nova eleição, saiu vitorioso Epitácio Pessoa, que concorrera com Rui Barbosa.
Epitácio Pessoa iniciou seu governo sob os melhores auspícios. Homem culto e inteligente, fora senador, ministro da Justiça no governo Campos Sales. Na ocasião da escolha de seu nome como candidato à presidência da República, chefiava a delegação brasileira à Conferência da Paz. Sua experiência política, entretanto, não evitou que se organizasse no Congresso uma fortíssima oposição à sua administração.
Sendo nordestino, conhecia bem o drama das secas em sua região. Em pouco tempo foram construídos 205 açudes e 220 poços e acrescidas de
Nomeara Epitácio Pessoa para as pastas militares dois políticos civis, Pandiá Calógeras e Raul Soares, revigorando assim, a tradição monárquica. Autoritário e enérgico, com a "lei de repressão do anarquismo" (17 de janeiro de 1921) pretendeu limitar a atuação da oposição. Seu governo, pode-se dizer, foi ao mesmo tempo laborioso, esforçado e difícil. A 5 de julho de 1922 teria que enfrentar uma revolta que irrompeu no forte de Copacabana, com a adesão do forte do Vigia e dos alunos da Escola Militar. Prontamente as forças da legalidade abafaram a sedição.
No governo de Epitácio Pessoa as comemorações do centenário de nossa Independência foram marcadas pela realização de uma grande Exposição Internacional, visitando nessa ocasião o Brasil o presidente da República Portuguesa Antônio José de Almeida. Recebera um pouco antes nosso país a visita do Rei dos belgas Alberto I. Em relação à família imperial brasileira teve Epitácio um gesto simpático, revogando a lei de banimento.
O final de sua administração, politicamente, foi agitadíssimo. A campanha do futuro presidente Artur Bernardes fora desenvolvida em meio a permanente ameaça revolucionária.
História da República - Delfim Moreira da Costa Ribeiro
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Friday, 27 June 08 - 08:33 AM (GMT -04:00) By Master Santucci in História |
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Eleito vice-presidente, assumiu a presidência devido ao falecimento do eleito presidente Rodrigues Alves. Delfim Moreira, homem modesto e honrado, teve uma administração que se destacou o nome do ministro da Viação Afrânio de Melo Franco. Porém ficou pouco tempo no cargo, pois foi realizada uma nova eleição onde ganhou Epitácio Pessoa.
Antônio Carlos Ribeiro de Andrada e Silva
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Sunday, 08 June 08 - 04:34 PM (GMT -04:00) By Master Santucci in História |
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(Santos, SP, 1773 — Rio de Janeiro, 1845)
Antônio Carlos formou-se em direito e filosofia pela Universidade de Coimbra. Ocupou os cargos de juiz de paz em Santos, ouvidor na comarca de Olinda e desembargador da Relação da Bahia. Defensor da independência, participou da Insurreição Pernambucana em 1817, ficando por isto preso durante quatro anos
História da República - Venceslau Brás Pereira Gomes
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Saturday, 07 June 08 - 08:43 AM (GMT -04:00) By Master Santucci in História |
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Ao assumir o governo Venceslau Brás, político mineiro que discretamente exercera a vice-presidência no quadriênio anterior, já rebentara a Primeira Guerra Mundial. Perturbado o comércio internacional, nossas exportações haviam caído assustadoramente. O prolongamento do conflito daria, entretanto ao Brasil algumas oportunidades comerciais; gêneros alimentícios e matérias primas encontrariam sempre compradores dispostos a pagar altos preços. Além disso, a impossibilidade de importar produtos fabris, gerou paralelamente um surto industrial realmente acidental e não planificado, porém de qualquer forma, uma mudança importante em nossa estrutura tradicionalmente agrícola.
O afundamento do navio brasileiro Paraná, obrigou o governo a romper relações com o Império Alemão. A opinião pública era positivamente a favor dos aliados. A França sempre gozara em nossas elites de grande prestígio e a monarquia imitara os modelos britânicos. Outros torpedamentos seguiram-se. Pouco depois (26 de outubro de 1917), com uma declaração de guerra, o Brasil oficialmente participava do conflito. Nossa ajuda aos Aliados contou sobretudo de fornecimento de gêneros e transportes marítimos.
Ainda no quadriênio de Venceslau Brás deve ser registrada a pacificação do Contestado, região nos limites entre os Estados do Paraná e Santa Catarina. Conseguiria o Presidente dirimir a pendência entre as duas unidades da Federação. A 20 de outubro de 1916 era assinado no Rio de Janeiro um tratado que definitivamente encerrava a questão.
Lamentavelmente, nos últimos meses do governo de Venceslau Brás, o país foi atingido pela terrível epidemia conhecida pelo nome de "gripe espanhola". Mataria cerca de 15 000 pessoas. Era uma das conseqüências da guerra. Devastara também outros países.
História da República - Venceslau Brás Pereira Gomes
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Friday, 23 May 08 - 08:43 PM (GMT -04:00) By Master Santucci in História |
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1914 - 1918
Ao assumir o governo Venceslau Brás, político mineiro que discretamente exercera a vice-presidência no quadriênio anterior, já rebentara a Primeira Guerra Mundial. Perturbado o comércio internacional, nossas exportações haviam caído assustadoramente. O prolongamento do conflito daria, entretanto ao Brasil algumas oportunidades comerciais; gêneros alimentícios e matérias primas encontrariam sempre compradores dispostos a pagar altos preços. Além disso, a impossibilidade de importar produtos fabris, gerou paralelamente um surto industrial realmente acidental e não planificado, porém de qualquer forma, uma mudança importante em nossa estrutura tradicionalmente agrícola.
O afundamento do navio brasileiro Paraná, obrigou o governo a romper relações com o Império Alemão. A opinião pública era positivamente a favor dos aliados. A França sempre gozara em nossas elites de grande prestígio e a monarquia imitara os modelos britânicos. Outros torpedamentos seguiram-se. Pouco depois (26 de outubro de 1917), com uma declaração de guerra, o Brasil oficialmente participava do conflito. Nossa ajuda aos Aliados contou sobretudo de fornecimento de gêneros e transportes marítimos.
Ainda no quadriênio de Venceslau Brás deve ser registrada a pacificação do Contestado, região nos limites entre os Estados do Paraná e Santa Catarina. Conseguiria o Presidente dirimir a pendência entre as duas unidades da Federação. A 20 de outubro de 1916 era assinado no Rio de Janeiro um tratado que definitivamente encerrava a questão.
Lamentavelmente, nos últimos meses do governo de Venceslau Brás, o país foi atingido pela terrível epidemia conhecida pelo nome de "gripe espanhola". Mataria cerca de 15 000 pessoas. Era uma das conseqüências da guerra. Devastara também outros países.
História da República - Mal. Hermes Rodrigues da Fonseca
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Sunday, 18 May 08 - 08:03 AM (GMT -04:00) By Master Santucci in História |
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1910 - 1914
Juntamente com Hermes da Fonseca, nas eleições de 1o. de março de 1910, o vice-presidente eleito foi Venceslau Brás. Funcionara bem o sistema das oligarquias estaduais conjuntamente com a pressão militar. Homem bom, porém indeciso, o novo presidente da República deixou-se influenciar pelos políticos que o cercaram. O barão do Rio Branco foi mantido no ministério do Exterior; para o ministério da Guerra foi convidado o general Dantas Barreto. A Pasta do Interior e Justiça foi ocupada pelo rio-grandense Rivadávia Correia, leal correligionário do influente político Pinheiro Machado.
Apoiado no Rio Grande do Sul pelo governador Borges de Medeiros e prestigiado pela maioria dos governadores dos outros Estados, Pinheiro Machado foi o político de maior influência na primeira fase do governo de Hermes da Fonseca. Uma grande modificação política, porém, sacudira o país. Muitas oligarquias estaduais foram substituídas, ocorrendo conflitos, principalmente na Bahia, em Pernambuco e no Ceará. Surgiram assim as "salvações" e muitas, como por exemplo, a de Dantas Barreto em Pernambuco, e de J. J. Seabra na Bahia eram francamente hostis à dominância política de Pinheiro Machado. Com muita razão disse o historiador José Maria Bello que, "instalados nos governos que haviam conquistado pela violência, mas com o apoio das massas populares fatigadas do longo domínio das oligarquias, os 'novos salvadores' montaram as suas máquinas locais, ainda mais intransigentes do que as antigas".
Logo nas primeiras semanas do governo Hermes da Fonseca, os marinheiros dos maiores navios da esquadra amotinaram-se revoltados contra o regime de castigos corporais ainda vigente na Marinha. Ameaçando bombardear a cidade foram anistiados pelo governo que, escarmentado, puniu, posteriormente, com excessiva severidade, os implicados em uma nova revolta surgida a 9 de dezembro entre os fuzileiros do quartel da Ilha das Cobras e a tripulação do "scout" Rio Grande do Sul.
O governo Hermes da Fonseca teve de enfrentar um problema semelhante ao de Canudos. Nos sertões limítrofes do Paraná e Santa Catarina, o fanático João Maria, apelidado o Monge, instalara-se na região do Contestado, zona disputada pelos dois Estados. Em pouco tempo milhares de sertanejos sulinos congregaram-se em torno do Monge, repetindo-se o drama dos sertões da Bahia. Diversas expedições militares foram enviadas, sem resultado, para combater os fanáticos. Somente no quadriênio seguinte é que uma divisão composta de mais de 6 000 soldados, sob o comando do general Setembrino de Carvalho, conseguiria dispersar no Contestado os fiéis seguidores do fanático João Maria.
O desenvolvimento econômico do país sofreu seriamente os efeitos da instabilidade política. Retraíram-se os capitais europeus. O Norte sofreria, impotente, a concorrência da borracha asiática, encerrando-se a efêmera fase do progresso que vivera a Amazônia. Com suas receitas diminuídas, sem exportações, viu-se o governo na contingência de negociar um novo "funding loan", empréstimo que comprometeria ainda mais as abaladas possibilidades financeiras do país.
Uma reforma de ensino assinala a atuação de Rivadávia Correia na Pasta do Interior e Justiça que abrangia também os assuntos da intrução pública. Deu-se a mais ampla liberdade e autonomia às escolas superiores, que se multiplicaram então desordenadamente, agravando-se o problema de profissionais incompetentes.
Durante todo seu governo contara Hermes da Fonseca com o apoio de Pinheiro Machado. Em troca, dera-lhe tal prestígio, que o velho política gaúcho, líder no Senado, transformara-se, apesar da rebeldia de algumas salvações, no "supremo coronel" de todo todos os coronéis políticos do país.
Ao terminar o quadriênio presidencial de Hermes da Fonseca rebentara a 1a Guerra Mundial (1914-1918). O mundo iria atravessar dias difíceis. O Brasil também.

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