Estudo revela aumento de zonas mortas nos mares do mundo
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Saturday, 16 August 08 - 08:13 PM (GMT -04:00) By Master Santucci in Meio Ambiente e Sustentabilidade |
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da Efe, em Washington
As zonas mortas nos oceanos do mundo, onde a ausência de oxigênio impede o desenvolvimento de vida marinha, aumentaram mais de um terço entre 1995 e 2007, revela um estudo divulgado hoje pela revista "Science".
Os principais fatores dessa catástrofe oceânica são a contaminação por fertilizantes e a queima de combustíveis fósseis, segundo cientistas do instituto de Ciências Marinhas da Universidade William and Mary, na Virgínia, e da Universidade de Gotemburgo, na Suécia.
O aumento das zonas mortas no mar transformou-se no principal agente de pressão sobre os ecossistemas marítimos, no mesmo nível da pesca excessiva, perda de habitat e outros problemas ambientais.
Segundo os cientistas, seu aumento se deve também a certos nutrientes, especialmente o nitrogênio e o fósforo, que ao entrarem em excesso nas águas litorâneas causam a morte de algas.
Ao morrer, essas plantas microscópicas se afundam e se transformam em alimento de bactérias que, durante a decomposição, consomem o oxigênio a sua volta.
Na linguagem científica, esse processo da diminuição progressiva de oxigênio se chama "hipoxia".
Segundo Robert Diaz, professor do Instituto de Ciências Marinhas, e Rutger Rosenberg, cientista da Universidade de Gotemburgo, atualmente existem 405 zonas mortas em águas próximas às costas em todo o mundo, o que representa uma superfície de mais de
De acordo com o cientista, no início do século passado só havia quatro zonas mortas, número que passou para 49 em meados de década de 1960, 87 na de 1970 e para 162 na de 1980.
Crise alimentar pressiona áreas de alagamento, alertam especialistas
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Sunday, 27 July 08 - 07:59 AM (GMT -04:00) By Master Santucci in Meio Ambiente e Sustentabilidade |
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Crise alimentar pressiona áreas de alagamento, alertam especialistas
Em evento, cientistas destacam importância das chamadas áreas úmidas.
BBC Brasil
A crise dos alimentos e o aumento da demanda por biocombustíveis estão entre as maiores ameaças à preservação das áreas úmidas, alerta a declaração final da 8ª Conferência Internacional de Áreas Úmidas (Intecol), segundo um esboço adiantado à imprensa.
De acordo com a declaração, chamada Carta de Cuiabá, a busca de novas terras para a agricultura e para produzir biocombustíveis e projetos de hidrelétricas pressionam cada vez mais essas áreas, em geral pouco conhecidas e protegidas.
O documento diz que hidrelétricas e outros projetos de grande porte não deveriam ser realizados nessas regiões sem uma análise profunda dos seus impactos sócio-ambientais.
"Decisões inteligentes de política social exigem análises de custo-benefício consistentes que incluam parâmetros ambientais e sociais, a fim de adaptar esses megaprojetos a parâmetros econômicos, ecológicos e sociais aceitáveis antes de iniciar a construção porque a mitigação de muitos efeitos colaterais negativos não é possível", diz a declaração.
"Esponjas"
Resultado de cinco dias de discussões entre 600 cientistas de 28 países, a Carta de Cuiabá faz um apelo a governos e organizações e internacionais para resistir a essas pressões e tomar as medidas necessárias para preservar essas regiões.
Por áreas úmidas, os cientistas entendem basicamente quaisquer áreas que tenham interface entre água doce ou salgada e terreno seco, como é o caso de pântanos, córregos, mangues e lagoas.
Os pesquisadores citam exemplos de países como Alemanha, Estados Unidos e China, que destruíram suas áreas úmidas e agora gastam fortunas tentando recuperá-las.
De acordo com cálculos apresentados durante o evento pelo pesquisador Wolfgang Junk, do Instituto Max Plank de Liminologia, na Alemanha, pelo menos 20% da América do Sul é coberta por áreas úmidas, e no Brasil a proporção certamente é maior do que isso.
Essas áreas, destacaram os cientistas durante o evento, além de conterem uma biodiversidade própria, guardam importantes estoques de água e, por funcionarem como "esponjas", retêm uma quantidade de carbono que, se liberada, poderia dobrar os gases de efeito estufa que já existem na atmosfera hoje.
"É hora de reconhecer o incalculável valor das áreas úmidas para todas as espécies - incluindo a nossa", afirmou Paulo Teixeira de Sousa Jr., secretário-executivo do Centro de Pesquisas do Pantanal, entidade que organizou o evento.
Inventário
Wolfgang Junk diz que o uso "inteligente" das áreas já está previsto Convenção de Ramsar (de 1971 e ratificada por 158 países, incluindo o Brasil) e que não implica proteção total para todas as áreas úmidas.
"Há uma grande diversidade de áreas úmidas", disse. "Mas tem certas áreas onde é melhor não mexer porque os benefícios que tiramos a curto prazo vão ser superados pelos custos (econômicos, ambientais e sociais) que vamos criar."
Foi consenso entre os especialistas e destaque na declaração a necessidade de fazer um inventário das áreas úmidas e a partir disso formular políticas públicas específicas.
Representantes do governo do Mato Grosso, da Agência Nacional de Águas (ANA), e do Ministério da Ciência e Tecnologia participaram de sessões da conferência.
Os pesquisadores disseram que as suas recomendações de melhora na legislação foram bem recebidas pelas autoridades que estiveram no evento.
O evento foi organizado pelo Centro de Pesquisas do Pantanal, em parceria com a Associação Internacional de Ecologia e a Universidade Federal de Mato Grosso.
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Los Angeles proibirá sacolas de plástico a partir de julho de 2010
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Friday, 25 July 08 - 08:36 AM (GMT -04:00) By Master Santucci in Meio Ambiente e Sustentabilidade |
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da Efe,
A cidade de Los Angeles anunciou que proibirá o uso de sacolas de plástico nos comércios a partir de julho de
Quando a medida entrar em vigor, os consumidores serão obrigados a utilizar as próprias bolsas para carregar as compras ou a pagar US$ 0,25 para adquiri-las nos estabelecimentos de comércio, em papel ou em material biodegradável.
A iniciativa tem como objetivo reduzir o consumo de plástico nesta cidade, a segunda maior dos Estados Unidos, atrás de Nova York, e evitar que se polua mais o mar, como acontece muitas vezes. "É a regra mais sensível com o meio ambiente que fizemos", assegurou o vereador Bill Rosendahl.
Los Angeles será a segunda cidade da Califórnia, após San Francisco, a autorizar esta medida. San Francisco aprovou algo similar em 2007.
O objetivo das duas cidades é pressionar os legisladores do Estado para que aprovem uma lei que eliminaria o uso das sacolas de plástico de seus territórios a partir de 2012.
Estima-se que Los Angeles consuma 2,3 bilhões de bolsas de plástico ao ano - só 5% são recicladas.
Muito além da Amazônia
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Friday, 04 July 08 - 08:46 AM (GMT -04:00) By Master Santucci in Meio Ambiente e Sustentabilidade |
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Giovana Girardi
SÃO PAULO - Não é sem motivo que a Amazônia está quase diariamente no noticiário. Ela é alvo de atenção de organismos brasileiros e internacionais por representar uma das últimas grandes florestas tropicais do mundo, o que implica alto índice de biodiversidade ainda bastante desconhecido. O desmatamento, que voltou a crescer sobre o bioma, coloca essa riqueza em risco, mas também ajuda a acelerar um outro problema bastante em evidência - o aquecimento global.
Biomanta ajuda a resgatar áreas degradadas
Matas podem arder em fornos de siderúrgicas
Projetos evitam o desperdício de água
59% da vegetação sofreu transformação
Semi-árido tem saída até contra a fome
Unir sustentabilidade e preservação é desafio
Área protegida beneficia a pesca
Criação de reserva privada colabora com biodiversidade
Florestas de eucalipto substituem campos
"Cumprimento das legislação pelos proprietáros rurais não é o suficiente para preservação"
"É mais fácil lutar por um ecossistema com a ajuda da sociedade"
A derrubada da Amazônia coloca o Brasil como o quarto maior emissor de gás carbônico do mundo. Mas, além de ser um grande estoque de carbono, a floresta tem um papel importante na regulação da temperatura e no próprio seqüestro do gás. A verdade é que quanto mais estudos são feitos, mais se percebe o quanto ela impacta o clima.
Isso não significa, no entanto, que seja a única vegetação a ter importância. O Brasil tem outros cinco grandes biomas (conjunto de vida constituído pelo agrupamento de tipos de vegetação, segundo a definição do IBGE) continentais, além dos ecossistemas costeiros, que não apenas apresentam uma grande biodiversidade, como também colaboram com uma série de outros serviços ambientais.
Com exceção da mata atlântica que, por estar com pouco mais de 7% da vegetação original, conta com a preocupação do governo e da sociedade e está com relativa freqüência na mídia, os demais biomas (caatinga, cerrado, pantanal e pampa) vêm amargando a quase total desatenção dos mais diversos órgãos.
Um dos principais indicativos disso é a pouca presença de unidades de conservação (UC) em todos eles. Nenhum atinge a meta de 10% prevista pela Convenção sobre Biodiversidade Biológica, das Nações Unidas, da qual o Brasil é signatário. O Pantanal, por exemplo, tem apenas 1,1% do território protegido por áreas federais. Os ecossistemas costeiros não têm nem 0,5% resguardado. Mas a perda de vegetação no Pantanal pode comprometer o suprimento de água de toda a Bacia do Rio Prata. A devastação marinha prejudica diretamente o abastecimento de peixes das populações.
Os números de UCs são inversamente proporcionais ao grau de devastação. Enquanto o cerrado tem somente 3,3% do território protegido por unidades federais, a perda da vegetação já pode ter sido de 55%, de acordo com números da ONG Conservação Internacional (CI). Conhecido como floresta de cabeça para baixo, porque a biomassa está mais concentrada na raiz do que nos troncos e folhas, o bioma tem um alto potencial de seqüestrar carbono. "Mas estamos destruindo isso", lamenta o diretor do Programa Cerrado-Pantanal da CI, Ricardo Machado.
De olho no desmatamento
Em entrevista ao Estado, a secretária de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, Maria Cecília Wey de Brito, declarou que o governo está consciente do problema. Segundo ela, o primeiro passo para redimir essa situação é conhecer o que de fato está acontecendo com cada área. Isso porque, tirando a mata atlântica, nenhum dos biomas conta com sistema de monitoramento do desmatamento.
"Começamos esse processo com a criação do mapa de vegetação do Brasil, que mostra quanto de cada bioma foi desmatado até 2002. Não tínhamos nada semelhante desde a década de 40. Agora estamos tentando constituir, junto com o Ibama, um processo de monitoramento de todos eles. O instituto já tem uma experiência de fiscalização
"Hoje o Ibama já conta com imagens dos satélites Cbers, Landsat e Alos, mas elas eram voltadas para outras atividades, em especial de fiscalização. Vamos usar para acompanhar a devastação de todos os biomas, a exemplo do que já acontece com a Amazônia", diz.
Ela explica que parte da deficiência histórica se deveu à dificuldade de visualizar em alguns biomas o que de fato foi desmatado. "A Amazônia é um tapetão verde, então quando ocorre uma alteração, fica mais fácil de ver, porque fica um buraco lá. Já cerrado e caatinga são mais difíceis de serem monitorados nesse sentido, porque está nas características dessas vegetações perder folhas nos períodos de seca. No pampa, distinguir uma gramínea nativa de uma produzida também não é tão simples. Mas agora temos metodologias mais refinadas, achamos que será mais fácil."
Quanto à diferença dos números de desmatamento fornecidos pelas ONGs e pelo MMA (em geral os oficiais tendem a ser menores), Maria Cecília explica que o governo optou por considerar nos números de vegetação remanescente trechos que, apesar de afetados por interferência humana, têm condições de recuperar parte de sua biodiversidade. "É claro que ela nunca vai voltar a ser o que era, mas estamos considerando aquelas áreas que podem ser elevadas a um estágio superior ao que estão hoje ou que, ao menos, são capazes de manter os serviços ambientais que sempre fizeram", afirma.
Em algumas áreas, ela admite que pode haver um choque de interpretação - para o MMA ainda existe 27% de mata atlântica, por exemplo. "Mas acho que, se o território de áreas remanescentes é maior no nosso mapa, isso também aumenta a responsabilidade do governo sobre áreas a serem preservadas ou recuperadas."
Fonte - Estadão - Meio ambiente
Brasil é líder total em desmatamento, mostra novo estudo
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Wednesday, 02 July 08 - 08:23 AM (GMT -04:00) By Master Santucci in Meio Ambiente e Sustentabilidade |
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As florestas tropicais do mundo todo encolheram o equivalente a mais de um Estado de São Paulo entre 2000 e 2005. E quase metade dessa destruição aconteceu --onde mais?-- no Brasil.
Os dados são de um estudo americano publicado na edição de hoje da revista "PNAS". Eles mostram que, nesses cinco anos, o país foi campeão de área absoluta desmatada e de velocidade de devastação.
A análise, justiça seja feita, não capturou todo o período no qual o desmatamento esteve em queda no país (entre julho de 2004 e agosto de 2007).
Mesmo assim, com 3,6% de perda na Amazônia em relação ao total de floresta que havia em pé no ano 2000, o país ganhou até da Indonésia --dona da indústria madeireira mais predatória do mundo. Na África, onde a pressão do agronegócio industrial ainda não chegou, a taxa foi de 0,8%.
O estudo, liderado por Mathew Hansen, da Universidade do Estado de Dakota do Sul, contabilizou 272 mil quilômetros quadrados de florestas perdidas na América Latina, na África e no Sudeste Asiático.
A fatia do leão coube ao Arco do Desmatamento brasileiro,
Apesar de sistemas de monitoramento do desmatamento não serem novidade nenhuma para um país como o Brasil, o novo trabalho é um dos primeiros a estipular a área desmatada nesse bioma no mundo todo.
Esse tipo de monitoramento é crucial numa época em que o mundo reconhece a importância do desmatamento como fonte de gases-estufa e que países tropicais pleiteiam receber dinheiro na forma de créditos de carbono por controlá-lo.
"Muitos países não têm sistemas como o do Brasil, então a abordagem pode ser útil na capacitação para monitorar florestas", disse à Folha Ruth DeFries, da Universidade de Maryland, co-autora do estudo.
DeFries e colegas desenvolveram uma metodologia que combina imagens dos satélites Modis (mais rápidos) e Landsat (mais preciso). Em vez de olhar imagem por imagem de país por país, o grupo pegou uma amostra limitada de imagens e extrapolou o desmatamento para regiões vizinhas. "É uma abordagem estatística" diz Carlos Souza Jr., do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), que já trabalhou com DeFries.
Segundo ele, a correlação encontrada pelo grupo foi "muito boa". Ou seja, a notícia é muito ruim.
Usiminas compra maior passivo ambiental do País por R$ 72 mi
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Saturday, 28 June 08 - 06:00 PM (GMT -04:00) By Master Santucci in Meio Ambiente e Sustentabilidade |
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Felipe Werneck - Agência Estado
RIO - A siderúrgica Usiminas arrematou nesta sexta-feira, 27, por R$ 72 milhões o terreno da Ingá Mercantil, em Itaguaí, no sul do litoral fluminense, que é considerado um dos maiores passivos ambientais do Estado. Trata-se de um lago tóxico com 390 mil metros cúbicos de efluentes líquidos, abandonados pela empresa em 1998, quando houve a falência, que ameaçam vazar na Baía de Sepetiba. A Usiminas ficará obrigada a descontaminada a área, segundo o edital do leilão, mas ainda não há prazo definido nem garantia de recursos.
Inicialmente avaliado em R$ 120 milhões, o terreno de 968 mil metros quadrados não recebeu o lance mínimo. A venda à Usiminas, que ofereceu 60% do valor, foi autorizada pelo representante do Ministério Público na massa falida, José Marinho Paulo Junior. Outra tentativa de venda já havia fracassado, em abril.
A contaminação abrange 260 mil metros quadrados do terreno e o principal poluente é o zinco, que era produzido pela indústria química. O diretor industrial da Usiminas, Omar Silva, disse no leilão que o terreno será destinado à construção de um porto para exportação de minério de uma mina recentemente adquirida pela empresa
Segundo ele, porém, ainda não há compromisso da siderúrgica com nenhuma empresa para o início do processo de descontaminação. "Estamos conscientes dos problemas ambientais que existem no local e iremos analisar a melhor solução para que possamos utilizar essa área sem nenhuma interferência", declarou.
O administrador judicial da Massa Falida da Ingá , Jarbas Barsanti, admitiu que o valor não foi o ideal e que ainda há preocupação em relação ao processo de descontaminação. Ele disse, porém, que foi o melhor que se conseguiu para resolver passivos trabalhistas e pagar as indenizações a pescadores da região. "O quadro dos credores é de R$ 127 milhões, veremos como iremos pagá-los. Estarei acompanhando o caso até o encerramento da falência e atento à solução definitiva de descontaminação do local, que fica à cargo da Usiminas", declarou Barsanti.
Os efluentes que formam o lago tóxico ficaram a céu aberto sem qualquer controle ou monitoramento de
Um projeto foi realizado por técnicos da Pontifícia Universidade Católica do Rio e pela Coordenação dos Programas de Pós Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ). A despoluição foi orçada em R$ 40 milhões e previa o "envelopamento" de resíduos tóxicos, para impedir a contaminação do solo e da água.
Fonte – Estadão Meio Ambiente
Consumo é vilão ambiental, diz antropólogo
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Wednesday, 25 June 08 - 09:39 PM (GMT -04:00) By Master Santucci in Meio Ambiente e Sustentabilidade |
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Para resolver o problema ambiental nº 1 do mundo, a receita do antropólogo Emilio Moran, 61, nascido em Cuba, mas morador dos Estados Unidos desde os 14 anos, chega a ser prosaica. "Temos que aprender a desligar a televisão. Ela é a principal ferramenta do consumismo", afirma o especialista
Apesar de a entrevista ter sido feita em um hotel a meio quarteirão da rua Oscar Freire (o palco das grandes grifes mundiais
Moran é um acadêmico tradicional e assiste televisão. Na Universidade de Indiana, ele dirige um centro que une a antropologia às mudanças climáticas globais --o agricultor amazônico, por exemplo, segundo uma pesquisa feita pelo grupo, não sabe se proteger contra o El Niño, porque ele não registra essas oscilações naturais ao longo do tempo.
Pobreza amazônica
Se o modelo mundial de desenvolvimento, para o pesquisador, está errado, o da Amazônia idem. "Nos últimos 30 anos, o aumento do PIB da população amazônica subiu menos de 1%. Na região, quem ganha é quem já era rico
O antropólogo, que chegou à floresta no início das obras da rodovia Transamazônica, diz que pouco mudou na região. "Não existe infra-estrutura para o pequeno agricultor. A estrada, por exemplo, não mudou muito, continua ruim. Existe ausência de governo na Amazônia com toda a certeza."
Os grandes produtores, lembra o pesquisador, montam sua própria infra-estrutura e acabam fugindo do problema encontrado pelos menores.
"Falta compromisso com a indústria regional, que poderia valorizar os produtos amazônicos. Daria, por exemplo, para fazer uma fábrica de abacaxi enlatado, ou de suco". São várias opções disponíveis, diz Moran, que trabalha em áreas críticas, como Altamira (PA).
A experiência acumulada no campo, inclusive nos recantos amazônicos, é que leva o antropólogo a afirmar: "O maior problema ambiental do mundo é o consumismo. O mercado ensina egoísmo e o indivíduo cada vez mais está centrado em si mesmo", afirma.
Parte do caminho para sair dessa cilada ambiental, Moran apresenta no livro "Nós e a Natureza" (Editora Senac), lançado anteontem no Brasil. "É um livro mais apaixonado. Experimentei a sensação de ir além dos escritos acadêmicos", diz.
Para reforçar seu ponto de vista, de que o modelo mundial é insustentável, Moran usa exemplos da classe média brasileira e da sociedade americana. Ambas ele conhece bem. No caso nacional, cita a história em que um filho de uma família de classe média do interior de São Paulo comentou com a mãe que eles eram pobres. O motivo era a ausência de uma televisão de plasma na sala, em comparação com a residência do vizinho.
"Subprime" ambiental
"No caso americano, a crise imobiliária é também um problema claro de consumismo", afirma Moran. "O americano, na média, está todo endividado. A maioria paga apenas os juros. Cada um tem uns US$ 20 mil em dívidas só no cartão de crédito". E isso, segundo ele, apenas para querer ter mais e mais. "No caso do mercado imobiliário, por exemplo, muitos fazem a segunda hipoteca [antes de quitar a primeira] para mudar para uma casa maior.
Segundo o antropólogo, enquanto nos anos
E os carros, lembra Moran, queimam petróleo cada vez mais em maior quantidade, por causa do tamanho e da potência do motor. "Tenho feito o caminho inverso. Hoje, tenho um carro pequeno e de quatro cilindros", conta o cientista.
Apesar de o quadro ambiental mundial ser dramático, o antropólogo afirma ser otimista e retrata isso em seu novo livro também. "Se não existir esperança, o melhor é pendurar as chuteiras e ir embora."
Para Moran, é o consumidor individual o único que tem poder de ação de fato. "As pessoas podem chegar e dizer "não". Elas podem não consumir mais porque aquilo vai endividá-las e criar pressões [ambientais]".
Além de ensinar os filhos a lerem com um olhar crítico os comerciais, todos deveriam olhar suas gavetas, seus armários, diz ele. "O importante é saber que não se está sozinho. Existem milhões de pessoas no mundo que já não aceitam esse modelo [de desenvolvimento] que nos levará ao colapso."
Metade de população prefere embalagens recicláveis, indica pesquisa
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Saturday, 07 June 08 - 10:03 PM (GMT -04:00) By Master Santucci in Meio Ambiente e Sustentabilidade |
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Ana Luiza Zenker - Repórter da Agência Brasil
Brasília - Metade dos brasileiros leva em consideração o fato de um produto ter embalagens recicláveis e respeita critérios ambientais e sociais na hora de fazer suas compras. O dado faz parte de uma pesquisa realizada pela organização não-governamental WWF Brasil em parceria com o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) e divulgada hoje (5), em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente.
Por outro lado, 31% da população leva em consideração apenas o preço, sobretudo nas classes sociais D e E, onde esse número chega a 46%. Além disso, apenas 6% das pessoas prestam atenção se a marca do produto que levam para casa é ligada a uma empresa que respeita o meio ambiente e questões sociais, como a inclusão.
Outro dado da pesquisa, que analisou as tendências e comportamentos de consumo dos brasileiros é que 54% das pessoas costumam comprar poucos alimentos preparados (como os congelados), embalados ou importados. Pelo contrário, essas pessoas afirmaram que dão preferência aos alimentos crus, orgânicos e produzidos na mesma região onde elas vivem. Entre as classes D e E, o percentual é de 61%.
“Por que isso é importante? Porque um produto congelado e embalado tem um impacto maior na natureza, quanto mais lixo você produz, ou quanto mais energia você gastou para poder congelar aquele produto, naturalmente aquele produto teve um impacto maior”, explica Irineu Tamaio, coordenador do Programa de Educação Ambiental do WWF Brasil.
Ele destaca que boa parte dessa população faz suas compras em feiras, ou pequenas mercearias, padarias próximas.
Ainda no quesito alimentação, 51% dos entrevistados disseram que comem carne vermelha uma ou duas vezes por semana e 34%, todos os dias. Desse número, os grupos sociais A e B são 49% e os grupos D e E, 19%. Entre as regiões, as Sul, Centro-Oeste e Norte são as que mais consomem carne.
Quando se fala em leite, ovos, laticínios e derivados, 59% disseram que consomem uma ou duas vezes por semana e 23%, que consomem esses produtos todos os dias.
Mais de um quarto da fauna do planeta desapareceu desde 1970
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Saturday, 17 May 08 - 08:15 AM (GMT -04:00) By Master Santucci in Meio Ambiente e Sustentabilidade |
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O Índice do Planeta Vivente (LPI, na sigla em inglês), divulgado às vésperas de uma cúpula sobre biodiversidade da Organização das Nações Unidas (ONU), na Alemanha, informa que, de 1970 até
As espécies que mais sofreram foram as marinhas, entre elas o peixe-espada e o tubarão martelo, que viram sua população diminuir 28%, entre 1995 e 2005, enquanto a população de aves marinhas caiu 30%, desde meados dos anos 90, segundo o relatório.
Para elaborar o LPI, a Sociedade Zoológica observou a evolução de 4 mil populações de 302 espécies de mamíferos, 811 de pássaros, 241 de peixes, 83 de anfíbios e 40 espécies de répteis. Entre outras coisas, os pesquisadores descobriram que a população de espécies terrestres reduziu 25% entre 1970 e 2005 - os antílopes africanos estão entre os mais afetados -, enquanto as espécies de água doce diminuíram 29%, entre 1970 e 2003.
Suspeita-se que o "baiji" ou golfinho do rio Yangtze (China) pode ter sido totalmente extinto. O índice informa que o declive da fauna foi mais drástico nos países tropicais de América Latina, África e Sudeste Asiático, vítimas de uma rápida industrialização, enquanto na Europa e na América do Norte o processo foi mais lento.
Embora o Fundo Mundial para a Natureza (WWF) e a Sociedade Zoológica (ZSL) elaborem estudos periódicos sobre tendências na natureza, este último foi feito especialmente para a reunião da Convenção sobre Diversidade Biológica, em Bonn, para "alertar os governos sobre a alarmante perda de biodiversidade", disse um dos autores, Jonathan Oloh, da ZSL.
EFE
Mais desmatamento
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Sunday, 04 May 08 - 03:09 PM (GMT -04:00) By Master Santucci in Meio Ambiente e Sustentabilidade |
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Como mostrou reportagem de Eduardo Nunomura publicada quarta-feira pelo Estado,
No resultado acumulado de agosto - considerado o início do calendário anual do desmatamento - a março, o desempenho é diferente: o avanço do desmatamento aumentou no Pará (de 775 km² no ano anterior para 1.362 km²) e diminuiu
As autoridades da área ambiental dos dois Estados campeões em desmatamento na Amazônia têm à disposição, neste momento, uma explicação bastante plausível para o aumento da área devastada no primeiro trimestre: a alta dos preços das commodities no mercado internacional estimula o aumento da área cultivada, a qual tende a ocupar terras antes cobertas por florestas.
É muito provável que a situação favorável aos produtores agrícolas no mercado internacional tenha tido alguma influência no aumento da área desmatada nesses dois Estados. Mas é possível, também,que, antecipando-se às "medidas enérgicas" anunciadas, alguns proprietários tenham acelerado o processo de limpeza de suas terras - isto é, de derrubada de árvores -, preparando-as para o plantio ou para a formação de pastagens.
O fato é que a devastação da Amazônia prossegue num ritmo cada vez mais preocupante, principalmente porque as autoridades não demonstraram competência para conter e punir as ações ilícitas de madeireiros gananciosos. Estes continuam a agir como sempre agiram porque o crime tem sido altamente compensador.
Uma das medidas anunciadas pelo governo para combater o desmatamento foi a proibição de os bancos oficiais financiarem máquinas e o plantio de safra para proprietários que tenham feito derrubada ilegal de florestas. Fazendeiros envolvidos em crimes ambientais seriam multados, teriam bens bloqueados e ficariam proibidos de realizar qualquer atividade comercial. Outra medida é o recadastramento, pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), de 80 mil propriedades localizadas nos 36 municípios com maiores índices de desmatamento.
Para aplicar essas medidas, o governo precisa dispor de funcionários em quantidade e preparados. Mas é notória a carência de pessoal na área de fiscalização e policiamento ambiental, sobretudo na Amazônia. Apreensões de madeira ilegal e punições de desmatadores, quando ocorrem, geralmente resultam de operações especiais envolvendo diferentes órgãos federais e estaduais.
No trabalho rotineiro, quando há pessoal para executar as tarefas, lamentavelmente há também o risco de seu envolvimento nas atividades ilegais. No mesmo dia em que noticiou o crescimento da devastação, o Estado informou que a Polícia Federal prendeu
O desmatamento na Amazônia apresenta números alarmantes - e, nesse campo, o poder público, em todos os níveis, não tem agido com a eficácia que os brasileiros têm o direito de cobrar dele.
Fonte – Estadão Opinião
Planta que cresce em locais contaminados mostra caminho para recuperar solo
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Tuesday, 22 April 08 - 08:40 AM (GMT -04:00) By Master Santucci in Meio Ambiente e Sustentabilidade |
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Uma planta herbácea que cresce em terrenos contaminados com metais pesados está ajudando cientistas a entenderem como recuperar este tipo de solo, diz um estudo publicado nesta segunda-feira (21) pela revista britânica "Nature".
As pesquisas genéticas realizadas pela Universidade alemã de Heidelberg têm como finalidade destrinchar os mistérios da Arabidopsis halleri, uma das poucas plantas adaptadas a este tipo de terreno.
A Arabidopsis halleri, uma herbácea pouco comum da família brassicacea, extrai do solo as substâncias tóxicas e, por meio de um sistema de bombeamento, as envia das raízes para as folhas, onde se concentram para defender a planta de insetos e de agentes patogênicos.
Os cientistas alemães descobriram que esta planta tem três cópias do gene HMA4 quando a compararam com sua irmã, a Arabidopsis thaliana, que só tem um e que não consegue sobreviver em locais contaminados com metais pesados, diz o estudo.
Quando este gene foi transplantado para a Arabidopsis thaliana, ela se tornou mais resistente aos metais pesados, mas não o suficiente. A autora principal do estudo, Ute Kraemer, explicou que há outros genes envolvidos no processo que ainda não foram totalmente identificados.
No entanto, o efeito de acumulação e tolerância aos metais é muito amplo no HMA4, por isto a "boa notícia" é que o número de genes adicionais necessários para ter uma planta destas características é baixo (entre um e dez), acrescentou.
A pesquisadora alemã disse, que, por causa da pouca biomassa da Arabidopsis halleri, seria inviável economicamente limpar os terrenos contaminados com esta planta, já que em teoria seriam necessários aproximadamente cem anos para regenerar um solo moderadamente contaminado.
A solução é aumentar a produção de biomassa nesta variedade ou potenciar geneticamente outras plantas mais frondosas da mesma família da Brassica juncea (planta da mostarda) para que sobrevivam nestes terrenos inóspitos e se comportem como a Arabidopsis halleri.
Os terrenos contaminados com metais pesados existem em grande quantidade no mundo e estão se transformando em um grave problema na Europa, sobretudo na Europa Oriental, na China e na Índia.
Ambientalistas criticam conceito de desenvolvimento sustentado
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Sunday, 06 April 08 - 08:57 AM (GMT -04:00) By Master Santucci in Meio Ambiente e Sustentabilidade |
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Stênio Ribeiro - Repórter da Agência Brasil
Brasília - A professora de sociologia e antropologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Andréa Zhouri, disse hoje (5) que "não se pode falar em desenvolvimento sustentado apenas do ponto de vista do crescimento econômico, sem a respectiva preocupação com a proteção ambiental e com a igualdade social". Segundo ela, o que se pratica hoje é o conceito de "desenvolvimento a qualquer custo", por imposição da força econômica.
Andréa Zhouri coordenou nesta semana,
Em entrevista à Agência Brasil, ela afirmou que a exploração econômica, como se dá atualmente, "não tem favorecido as populações mais fragilizadas, que não têm sequer o direito de decidir seus próprios destinos". Citou, principalmente, as comunidades rurais, indígenas, ribeirinhas e quilombolas, que são as mais afetadas nos conflitos ambientais e "pagam custo social muito alto".
Como exemplos de desrespeito ao meio ambiente, a professora enumerou a criação de camarão em cativeiro (carcinocultura), que prejudica seriamente os manguezais do Nordeste e tira o sustento das comunidades que vivem da pesca de caranguejo; a política agroenergética do governo, que estimula monoculturas de cana-de-açúcar e eucalipto; bem como a construção de grandes represas para produção de energia elétrica, que obriga o deslocamento de comunidades inteiras do seu habitat natural.
Andréa Zhouri lembrou, entre os debates feitos atualmente nesse sentido, a transposição das águas do Rio São Francisco para perenizar rios do Nordeste. Para ela, a transposição vai atender projetos do agronegócio, e "as populações mais pobres não serão beneficiadas".
Durante o seminário na capital mineira, foram discutidas ainda questões como poluição industrial e uso de agrotóxicos que, na opinião da professora, têm se constituído em graves problemas de saúde para as populações. Outro tema foi o das usinas de produção de álcool no interior de São Paulo, que provocam nuvens de fuligem, decorrentes da queima de cana-de-açúcar, e dão exemplo de desenvolvimento econômico predatório.
Andréa Zhouri disse que o próximo seminário nacional para dar sequência a essas discussões será realizado em Fortaleza, em 2010.
Apenas 25% do esgoto coletado no país é tratado
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Friday, 28 March 08 - 09:07 PM (GMT -04:00) By Master Santucci in Meio Ambiente e Sustentabilidade |
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Os números do saneamento básico mostram que o Brasil ainda tem muito a avançar na data em que a Organização das Nações Unidas (ONU) comemora o Dia Mundial da Água. O índice médio de coleta de esgotos no país é de 69,7%, sendo que o tratamento atinge apenas 25%. Os números são do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, do Ministério das Cidades.
A ONU elegeu 2008 como o Ano do Saneamento e deve recomendar aos países a formulação de políticas públicas para universalizar o acesso a esse serviço. “No mundo todo, 2,6 bilhões de pessoas não têm acesso a saneamento e estão expostas diariamente a doenças, como diarréia e cólera”, aponta o representante da ONU para Alimentação e Agricultura (FAO), José Turbino.
Os números de coleta e tratamento de esgotos no Brasil refletem diferenças regionais históricas do país: no Sudeste, o índice de coleta é de 91,4%, já na região Norte, não chega a 9% das habitações. “Temos uma distribuição desigual do desenvolvimento e, evidentemente, a conseqüência disso é que as políticas públicas muitas vezes também acompanham esse desnível. [A diferença] é decorrência da falta de políticas de saneamento no âmbito nacional em sucessivos governos”, avalia secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do MMA, Luciano Zica.
Entre as capitais, as diferenças chegam a mais de 90%. Enquanto em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília e Porto Alegre a coleta de esgoto atinge quase toda a população (com índices superiores a 85%),
“Um dos principais desafios do Brasil é a coleta e tratamento de esgoto, em especial nas áreas mais urbanizadas. Tivemos um período muito grande de descaso, há um déficit a ser cumprido. Temos que parar de transformar o Brasil, que é o país dos rios, no país dos esgotos”, alerta uma das coordenadoras do ISA Marussia Whately.
Além de investimentos em programas de saneamento, Whately também aponta a necessidade de políticas específicas para tratamento de resíduos sólidos, avaliação compartilhada pelo representante do MMA. “A questão do ambiente urbano e dos resíduos sólidos foram agregadas ao debate dos recursos hídricos, que até bem pouco tempo eram políticas bem desfocadas. Teremos condições de trabalhar de forma harmônica segmentos que têm impactos diretos na qualidade da água; não há como dissociar a questão do lixo da boa gestão da água”, avalia Zica.
O Ministério das Cidades prevê a aplicação de R$ 40 bilhões até 2010, no chamado PAC do Saneamento, em referência ao Programa de Aceleração do Crescimento. A previsão de investimentos precisa ser cumprida para que o país alcance a meta estabelecida pela ONU nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.
Desperdício diário de água nas capitais é suficiente para abastecer 38 milhões de pessoas
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Friday, 28 March 08 - 09:05 PM (GMT -04:00) By Master Santucci in Meio Ambiente e Sustentabilidade |
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Diariamente nas capitais brasileiras o desperdício de água potável equivale a 2.500 piscinas olímpicas (em média 2,5 milhões de litros de água). E a culpa neste caso, não é do consumidor. A perda de cerca de seis bilhões de litros – o suficiente para abastecer 38 milhões de pessoas – acontece entre a retirada dos mananciais e a chegada às torneiras.
Os números fazem parte de um relatório do Instituto Sócio-Ambiental (ISA), que traça um panorama do alcance de sistemas de saneamento básico e do volume de desperdício de águas no país. De acordo uma das coordenadoras do ISA Marussia Whately, as perdas são causadas por vazamento nas redes de abastecimento, sub-medição nos hidrômetros e fraudes.
“A maioria das capitais – 15 das 27 – perdem mais da metade da água produzida”, de acordo com o relatório. Porto Velho, capital de Rondônia, é a campeã em desperdício, com 78,8% de perda. As cidades de Rio Branco, de Manaus e de Belém também têm índices superiores a 70%. O desperdício nessas capitais seria suficiente para abastecer quase cinco milhões de habitantes.
De acordo com a superintendente de Produção de Água da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), Tânia Baylão, a redução de desperdício passa por garantia de investimentos nas redes e atendimento rápido de notificações de vazamentos.
“Combater a perda tem que ser uma diretriz básica, temos inclusive uma linha de financiamento prioritária para isso”. O Distrito Federal é a unidade da federação com o menor registro de perda na distribuição, com 27,3%.
Além da perda na distribuição, o relatório também apresenta um mapa do consumo doméstico de água e mostra que a média nacional, de
“Infelizmente, o brasileiro acha que como temos bastante água no Brasil, não é preciso economizar. Pelo contrário, temos regiões em que se você dividir o volume de água pela população, podemos considerá-las como áreas de déficit hídrico, como São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo”, explicou o chefe das assessorias da Agência Nacional de Águas (ANA), Antônio Félix Domingues.
A representante do ISA Marussia Whately aponta a conta de água conjunta em condomínios residenciais como uma das causas do alto consumo em regiões urbanas. “O usuário acaba não tendo o mesmo cuidado com o aumento do consumo de água assim como tem com a conta de luz”, compara. Ela defende que “pequenas transformações em hábitos diários podem gerar grandes mudança” e acredita que a conscientizaçã
Cidades querem autonomia para dar licenças ambientais
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Friday, 28 March 08 - 08:25 PM (GMT -04:00) By Master Santucci in Meio Ambiente e Sustentabilidade |
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As cidades brasileiras que assumiram a gestão ambiental dos próprios territórios se mobilizarão para convencer o Congresso a modificar o Projeto de Lei 3057/2000, aprovado por uma comissão especial da Câmara dos Deputados
Entendem que os órgãos ambientais devem ser independentes para emitir licenças de acordo com parâmetros próprios, sem se submeter à maior força política deles. A disposição de pressionar as autoridades federais foi demonstrada hoje, no primeiro dia do Seminário Gestão Sustentável,
O projeto nasceu de um substitutivo à Lei Federal de Parcelamento do Solo Urbano (6766/79), mas ganhou vida própria e tramita há sete anos, com 138 artigos, revogando aquela legislação e estabelecendo novas regras para o parcelamento da superfície urbana e regularizações fundiárias. Os gestores lembram ainda que critérios especificamente urbanísticos levaram a erros, como a correção de rumos de rios, drenagem de mangues e ocupação de encostas que hoje custam caro na forma de deslizamentos e alagamentos, prejuízos que poderiam ter sido evitados se, no passado, tivesse havido a análise ambiental independente.
“Atualmente, muitos trabalhos tentam corrigir erros de planejamento do passado”, avalia a assessora jurídica da Anamma, Cynthia Cardoso. “Se errarmos na nova legislação, em breve, teremos de trabalhar por novas correções.” Para o secretário municipal do Meio Ambiente de Porto Alegre, Beto Moesch, a nova legislação esquece os municípios. Por isso, Beto Moesch afirmou entender que congressos como o da capita gaúcha, que reúne 600 participantes e segue até sexta-feira, são uma forma de mobilizar os órgãos ambientais municipais para que defendam as prerrogativas e o meio ambiente.
Recursos naturais e o relacionamento homem-natureza
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Saturday, 23 February 08 - 07:52 AM (GMT -04:00) By Master Santucci in Meio Ambiente e Sustentabilidade |
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João Santucci
Recursos naturais são todos os bens produzidos pela natureza: a energia solar, o ar, a água, as rochas e os minerais, o solo e os vegetais, entre outros.
Classificam-se em dois tipos:
Renováveis - São aqueles que, embora utilizados pelo homem, não se esgotam, ou seja, são capazes de se auto renovar. Por exemplo: a energia solar, o ar, a água e os vegetais.
Não renováveis - Constituem aqueles que, uma vez esgotados, não mais se renovam, isto é, não podem mais ser repostos. Por exemplo: o petróleo, o carvão mineral, o ferro, o ouro e o urânio.
A natureza é formada pelo conjunto dos recursos naturais, que constituem a base material da existência do homem. A forma de relacionamento deste com a natureza depende de vários fatores, tais como modo de produção, estágio sócio-econômico e tecnológico, etc. nas antigas sociedades comunitárias, por exemplo, onde a dependência do homem com relação à natureza era praticamente total, o homem retirava da natureza apenas o necessário para sua sobrevivência.
Com o advento do capitalismo industrial, a exploração dos recursos naturais sofreu profundas alterações em relação aos seus objetivos, volume e variedade. O capitalismo estabeleceu uma relação homem-natureza do tipo predatória, isso porque, sendo uma sociedade de consumo e fundamentada no lucro, na concorrência e na produção em larga escala, para manter o crescimento da demanda em nível compatível com o da produção acelerada, utiliza estratégias, tais como:
- Criação de falsas necessidades através dos meios de publicidade e propaganda;
- Produtos cada vez menos duráveis, exigindo freqüente substituição;
- Produtos cada vez mais sofisticados, exigindo a substituição do antigo pelo novo parar se manter o status social;
- Grande incremento dos produtos descartáveis para facilitar o uso e consumo.
Tudo isso leva a uma exploração excessiva e irracional dos recursos naturais, o que pode acarretar o precoce esgotamento dos não renováveis e até mesmo comprometer a renovação de outros (solo, vegetação, fauna, etc).
Essa realidade nos coloca no centro da importantíssima e preocupante questão de conservacionismo dos recursos naturais. O que significa conservar um recurso natural? Conservar um recurso natural não significa guardar ou apenas deixar de utilizá-lo. Conservar é saber utilizá-lo, o melhor, é utilizá-lo racionalmente. Se o homem pescar o ano inteiro, sem dar tempo aos peixes de se reproduzir, eles acabarão se esgotando.
A realidade presente mostra, então, que o homem não atingiu a maturidade no seu relacionamento com a natureza. Ele ainda se considera o “rei” da natureza, e não parte integrante dela.
Municípios recordistas de desmate receberão mais fiscais
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Saturday, 16 February 08 - 06:22 AM (GMT -04:00) By Master Santucci in Meio Ambiente e Sustentabilidade |
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SÍLVIA FREIRE
da Agência Folha
O presidente do Ibama (Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), Bazileu Alves Margarido Neto, disse nesta quarta-feira (13), em Belém, que a prioridade nas operações de fiscalização do órgão neste ano serão os 36 municípios da Amazônia Legal que concentraram maior extensão de terras desmatadas nos últimos meses de 2007.
Os desmatamentos foram proibidos temporariamente nestes 36 municípios por meio de uma portaria do Ministério do Meio Ambiente publicada em janeiro. Os produtores rurais destas localidades terão de fazer um recadastramento com mapeamento detalhado no Incra e passarão a ter as áreas de florestas monitoradas.
Margarido Neto participou nesta quarta-feira, na capital do Estado do Pará, da reunião anual de dirigentes da área de fiscalização do Ibama de todo o país, onde são definidas as estratégias de ação para os próximos 12 meses. Em 2008, ficou definido a realização de 120 operações de fiscalização envolvendo cerca de 3.000 homens.
Segundo o presidente do Ibama, o principal eixo da discussão do encontro foi a definição de formas para implementar e fiscalizar a suspensão do desmatamento. "Foram definidos os instrumentos de monitoramento, ou seja, de que maneira o Ibama pode se preparar para constatar a violação do embargo [ao desmatamento)", disse.
Segundo ele, entre os instrumentos a serem utilizados estão aeronaves do Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia).
Afinal, quem defende a Amazônia?
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Friday, 01 February 08 - 08:58 PM (GMT -04:00) By Master Santucci in Meio Ambiente e Sustentabilidade |
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Fonte: Jornal de Brasília
Estou concluindo na próxima semana o segundo curso sobre a Amazônia para estudantes universitários nos Estados Unidos. O primeiro, no ano passado, foi na Escola de Florestas da Universidade de Yale; o atual é no Departamento de Antropologia da Universidade de Chicago.
O curso é sobre movimentos sociais e políticas públicas na Amazônia. Procuro explicar como um grupo social pobre, sem influência política nem poder econômico - os seringueiros - conseguiu formular uma política pública de meio ambiente e reforma agrária e implementá-la em toda a Amazônia. Conto a história dos movimentos sociais e o incrível sucesso que é a criação de reservas extrativistas - áreas protegidas para comunidades locais. Explico como essa política é capaz de solucionar conflitos pela terra, gerar equidade social, evitar o avanço do desmatamento, proteger a biodiversidade e criar esperança de vida para milhares de pessoas. E como essa iniciativa, formulada pelos movimentos sociais em aliança com antropólogos, pesquisadores e apoio de ambientalistas internacionais, continua tão importante hoje quanto foi há 15 anos atrás quando foi formulada. Uma raridade em termos de políticas públicas.
O que mais chama a atenção dos alunos durante o curso é o fato de que temos muito a ensinar, a qualquer país, sobre políticas públicas para o desenvolvimento sustentável e a proteção do meio ambiente. Nossa legislação é incomparável, já se sabe disso. Mas o acúmulo histórico das práticas, das soluções, das inovações, é algo que deixa pasmos nossos colegas da Amazônia internacional (tive vários alunos de outros países amazônicos) e inquietos nossos parceiros americanos (que não têm muito o que contar ultimamente)
E então, no meio dessas discussões, com os alunos cada vez mais envolvidos, preparando seus trabalhos de final de curso sobre políticas, projetos, alternativas - as taxas de desmatamento são anunciadas e criam uma enorme interrogação: se existe legislação, se o governo não está mais subsidiando o desmatamento, se a sociedade está criando alternativas, se inclusive os empresários estão envolvidos, como explicar que a taxa de desmatamento continua crescendo? É como se todos os avanços fossem uma miragem e todo o trabalho feito até aqui, por tanta gente, um grande desperdício.
Em Yale, para encerrar o curso e lidar com as contradições recentes na Amazônia, organizei um debate público com representantes de diferentes setores: político, acadêmico, científico, empresarial e comunitário(*
Este ano estou tendo que administrar sozinha a repercussão (muito maior do que no ano passado) da taxa de desmatamento, que será objeto de análise da última aula, na próxima terça-feira. Depois de tanta motivação pelo desenvolvimento sustentável, pela complexidade das soluções, pelas leituras feitas, como vou explicar que, apesar de tudo que fazemos de forma tão inteligente, de tantas leis fundamentais que temos e de tanta preocupação dos cientistas e da imprensa sobre o tema, não conseguimos controlar a taxa de desmatamento da Amazônia? Como vou responder à pergunta de um aluno que ficou no ar na última aula - qual a sua opinião pessoal sobre as perspectivas futuras da Amazônia?
Para complicar, as imagens sobre o desmatamento deste ano são cruéis. Não há como escapar. Tenho utilizado imagens em todas as aulas, muitas. Vou ter que mostrar aqueles espaços enormes cobertos de soja sem vegetação, onde sequer as áreas de preservação permanente que a lei exige foram poupadas.
Ao comparar a situação de hoje da Amazônia com aquela na qual surgiu o movimento dos seringueiros, fiquei me perguntando: afinal, quem são os grupos sociais que defendem o controle do desmatamento hoje na Amazônia? Qual a base social de uma política contra o desmatamento? Como evitar o desmatamento se ele continua sendo o meio a partir do qual pequenos agricultores obtém algum capital além da subsistência e os grandes empresários conseguem expandir seus negócios? Os seringueiros conseguiram inverter a situação quando inventaram os empates contra as derrubadas porque precisavam da floresta para viver. Eram a base social contra o desmatamento, naquele momento, 20 anos atrás. Mas os atuais exploradores dos recursos amazônicos precisam da terra e do produto agrícola que conseguem obter com ela, não da mata. Não há argumento econômico, muito menos ambiental, que os faça recuar.
As ONGs que defendem uma política mais sensata para a Amazônia não têm expressão social. Os parlamentares que defendem a Amazônia, são minoria no Congresso. Os movimentos sociais amazônicos estão ocupados protegendo as enormes áreas que têm sob sua gestão. Assim, afinal, quem de fato está envolvido com a mudança do modelo além da ministra Marina Silva, de sua equipe, de alguns governadores e algumas instituições? Nem o presidente Lula é um adepto do controle do desmatamento porque já percebeu que precisa mais do apoio do agronegócio do que dos ambientalistas.
Da forma como o processo está ocorrendo hoje na Amazônia, com tantos setores utilizando o desmatamento como meio de vida, ou como meio de morte, ou por interesse de curto prazo, ou para aumentar os ganhos no longo prazo, estamos perdendo a guerra. E vamos perder a Amazônia.
Porque não se trata mais de técnica ou de política, mas sim de vontade social de ter a Amazônia pra nós, para os nossos filhos, para os nossos netos e para o planeta. Ninguém vai fazer isso em nosso lugar. Talvez seja necessário um movimento social em defesa da Amazônia aí, legitimamente brasileiro, com informação, com emoção e capacidade de mobilização para empatar a derrubada e dizer: espera aí, assim não! A Amazônia precisa ser respeitada! Porque nós, brasileiros, queremos que seja assim.
Acho que essa vai ser a lição que vou transmitir aos alunos na última aula e que poderá ser útil também para os impasses hoje vividos na sociedade americana: em uma democracia, quando objetivos econômicos privados se tornam muito poderosos e o interesse público fica em último plano, não existe política pública que consiga se sustentar sem o apoio de movimentos sociais. Se os seringueiros foram capazes de fazer isso no passado, por que não seria possível inventar algo parecido no presente?
(*) Participaram do evento: Jorge Viana, governador do Acre; Juarez Leitão, deputado estadual naquele estado e ex-presidente do Conselho Nacional dos Seringueiros; Sonia Tuccori, executiva da Natura; Eudimar Viana, representante da nova geração de líderes comunitários do Amapá; Manuela Carneiro da Cunha, antropóloga da Universidade de Chicago; Mauro Almeida, antropólogo da Unicamp e Daniel Nepstad, ecólogo do Woodshole e Ipam - Instituto de Proteção Ambiental da Amazônia.
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Mary Allegretti é antropóloga, professora visitante do Departamento de Antropologia da Universidade de Chicago.
Disponível em:
http://www.amazonia
Crime na Amazônia
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Friday, 01 February 08 - 08:49 PM (GMT -04:00) By Master Santucci in Meio Ambiente e Sustentabilidade |
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SAULO RAMOS
Impressionante é o teatro armado pelo governo federal para fingir estar escandalizado com o crime do qual é co-autor declarado. DE REPENTE, não mais que de repente, como diria Vinicius, o governo federal se escandaliza com o desmatamento da Amazônia.
O Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) informou que, entre outubro e novembro de 2007, foram desmatados 3.235 km2. Não é verdade. A coisa foi muito pior. Conforme esta Folha publicou, a estimativa da derrubada real das matas amazônicas atingiu 7.000 km2 durante aqueles dois meses.
Impressionante é o teatro armado pelo governo federal para fingir estar escandalizado com o crime quando ele mesmo o permitiu, é co-autor declarado, na exata definição jurídica da co-autoria, que consiste em concorrer de qualquer modo para o evento delituoso.
Houve reunião de emergência no Planalto para tratar da matéria. A ministra do Meio Ambiente, sempre quietinha, humilde, ostentando expressão de colegial inocente que repetiu de ano, resolveu dizer que o crime está sendo praticado pelos plantadores de soja e pelos pecuaristas.
O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, protestou, declarando que não houve aumento na área de produção de soja no país. Paralelamente, o ministro da Previdência, Luiz Marinho, passou a garantir cobertura previdenciária a invasores de terra que estejam trabalhando em área invadida, incluindo terras públicas. Eles podem usar o tempo de atividade rural para se aposentarem. A genial construção jurídica é válida para quem trabalhar nas áreas criminosamente desmatadas. Representam um teatrinho de brinquedo esperando que o povo fique entre um argumento e outro.
Ninguém tentou explicar o que ocorre com as árvores imensas da floresta derrubada. Há necessidade de arrastá-las com enormes tratores para grandes serrarias, cortá-las em toras e transportá-las em possantes caminhões, que terão de trafegar pelas estradas até a entrega às madeireiras.
Para esse transporte, a preciosa mercadoria tem que ser acompanhada pelo DOF (Documento de Origem Florestal, que substituiu a antiga ATPF, Autorização de Transporte de Produtos Florestais). Quem emite o DOF? O Ibama. Logo, um único pedaço de pau, um galho quebrado, uma árvore destroçada, nada pode ser transportado sem o documento expedido pelo Ibama, isto é, sem a autorização do governo. Salvo no caso de quebra-galhos. Aí existem muitos. A fiscalização diz não ter funcionários suficientes.Prepara a opinião pública para aprovar mais empregos.
Os governos Sarney e Collor conseguiram baixar o desmatamento para 11,1 mil quilômetros quadrados por ano, o que ainda acho um absurdo. Em 1994/1995 o desmatamento disparou para 29,1 mil quilômetros quadrados. No primeiro ano de Lula (2003/2004), firmou-se em 27,2 mil quilômetros quadrados e por aí ficou.
Parece que já são 160 mil quilômetros quadrados no total, o que foi festejado pelos ministros atuais como suficientes para a pecuária e para a agricultura. Vai parar por aí? Claro que não.
Primeiro, permitiram-se a devastação e o enriquecimento de centenas de madeireiros e seus indefectíveis companheiros de aventuras na matança das matas. Agora, promete-se punição rigorosa, a qual começa, segundo a ministra Marina Silva, com uma espécie de moratória de ópera-bufa, isto é, os devastadores devem espontaneamente cessar o desmatamento.
Todos os fazendeiros serão cadastrados e punidos no futuro se desmatarem além do permitido. Logo, ainda haverá permissão para desmatar. Serão punidos igualmente os que comprarem produtos das áreas ilegalmente desmatadas, isto é, soja, gado.
Em madeira ninguém falou. E não falará. Quem são os compradores da madeira? Como essa inescondível mercadoria chega aos portos ou aos centros industriais?
Eu já escrevi tudo isso no livro "Código da Vida". Podem conferir (capítulos 72 e 73). Com esse comércio ilegal de madeira, em tamanho volume, observei ser impossível o presidente da República não saber de nada. Tanto mais quando lemos nesta Folha:"Governistas controlam maioria das cidades que desmatam mais".
Lula disse agora que se reunirá com os governadores dos Estados envolvidos para se inteirar da situação.Se tivesse lido meu livro, já saberia, pois lá publiquei, em maio de 2007: "Vinte e sete mil quilômetros quadrados de mata derrubada é muito chão.
O comércio de tanta madeira somente pode ser efetivado com a conivência dos governos estaduais e federal. Ou não?". Lula não leu. Lula não gosta de ler. E, de todas as acusações graves, tem um jeito só de se defender: "Eu não sabia".
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SAULO RAMOS, 78, é advogado. Foi consultor-geral da República e ministro da Justiça (governo Sarney). É autor do livro "Código da Vida".
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