A valorização do professorado
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Monday, 02 November 09 - 05:19 PM (GMT -04:00) By Master Santucci in Artigos |
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Uma semana após a aprovação do novo plano de remuneração dos profissionais de educação, pela Assembleia Legislativa, a Secretaria da Educação de São Paulo anunciou a data das primeiras provas de avaliação e de promoção de professores da rede estadual de ensino fundamental. A prova para os diretores e supervisores de colégios será realizada em 31 de janeiro. A prova para os professores de 1ª à 5ª séries foi marcada para 3 de fevereiro. E a dos docentes de 6ª à 9ª séries será aplicada no dia 4 do mesmo mês.
Votado em regime de urgência, o Programa de Valorização pelo Mérito prevê cinco faixas salariais para os educadores e determina que as promoções a partir de agora sejam determinadas por critérios de assiduidade, tempo de permanência na mesma escola e avaliação de desempenho, por meio de uma prova aplicada anualmente. Segundo a Secretaria da Educação, a qualidade do aprendizado dos alunos está ligada ao preparo dos docentes, à redução das faltas e à estabilidade das equipes escolares.
Pelo novo plano de remuneração do professorado, quem for promovido para uma faixa salarial terá de esperar três anos para poder concorrer a uma nova promoção. A cada ano poderão ser promovidos, no máximo, 20% dos professores. Esse porcentual foi estabelecido para adequar a elevação da folha de pagamento ao Orçamento do Estado de São Paulo. Atualmente, o governo paulista gasta cerca de R$ 700 milhões por ano com o pagamento de salários do professorado. Além da promoção por mérito, os professores continuarão recebendo o Bônus por Resultado, que paga até 2,9 salários extras por ano às equipes que superarem as metas de produtividade estipuladas pelo governo.
A Secretaria da Educação estima que, dentro de 25 anos, mais de 75% dos docentes da rede pública estadual estejam na última faixa salarial. Com isso, os professores poderão encerrar a carreira ganhando até R$ 6.720, salário equivalente ao de um professor doutor em regime de tempo integral e dedicação exclusiva na USP; os diretores de colégios poderão, na última faixa salarial, ganhar até R$ 7.100; e os supervisores, R$ 7.800. Ao todo, 220 mil docentes estão aptos a fazer a avaliação marcada para o início de 2010. São profissionais com pelo menos quatro anos de magistério na rede estadual. Os temporários, desde que tenham quatro anos de vínculo com o governo, também poderão concorrer.
Ao estabelecer o mérito como critério de promoção, o novo plano de remuneração do governo paulista tem por objetivo melhorar a qualidade da rede escolar estadual, estimulando o professorado a se aprimorar e a se qualificar. No entanto, os líderes sindicais do professorado, muitos deles vinculados ao PT, principal partido de oposição à gestão do governador José Serra, do PSDB, opuseram-se a essa mudança. Eles alegam que a Constituição de 88 consagra o princípio da isonomia salarial em cada categoria do funcionalismo público, motivo pelo qual todos os professores teriam direito a receber o mesmo salário. Eles também afirmam que, ao permitir a promoção anual de somente 20% dos docentes, a nova política seria injusta com os demais 80%, desmotivando-os. Os líderes da categoria reclamam ainda que os vencimentos estão defasados e pleiteiam um debate paritário entre dirigentes governamentais e sindicais sobre o futuro do magistério, com o objetivo de fazer na escola pública um "processo de humanização" ? o que quer que isso signifique.
"Com tantas alterações curriculares, mudanças de carga horária, não realização de concursos públicos e inúmeras mudanças de regras, como assegurar a permanência do professor por quatro anos na mesma escola? Como evitar faltas, se os professores estão adoecidos face às condições adversas em que trabalham, com salas superlotadas e jornadas extenuantes?", pergunta a presidente da Apeoesp, Maria Isabel Noronha, depois de afirmar que a atividade docente não pode ser "medida em termos de produtividade" e que "alunos não são produtos".
O que os críticos das mudanças introduzidas na política de remuneração do professorado paulista esquecem é que, onde não há a valorização do mérito nem a preocupação com ganhos de eficiência, não há aumento de qualidade na educação.
Fonte - Estadão Opinião
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O Enem e a liberdade individual
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Sunday, 18 October 09 - 08:03 AM (GMT -04:00) By Master Santucci in Artigos |
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Alexandre Barros
O vazamento das questões da prova do Enem foi uma maravilha. Chamou nossa atenção para o perigo que ele representa. Agora sabemos como o governo tenta engessar o conhecimento, a diversidade e a criatividade humanas. Com o Enem nenhuma escola pode ser inovadora.
Até 1850 não havia sapatos diferentes para os pés esquerdo e direito. Ajustar os sapatos ao formato dos pés era tarefa destes. Por isso as pessoas tinham tantos calos e deformações. O Enem quer que todos os pés calcem sapatos iguais.
O Ministério da Educação (MEC) regulamenta tudo o que pode. Instituiu inspeções para os ensinos médio, superior e de pós-graduação. Delega a grupos de professores a tarefa de dizer se os brasileiros estão aptos para a vida ou não. Ignoram peculiaridades. Por exemplo, nem todos querem ou precisam saber Matemática, Geografia ou História em proporções iguais.
O exame ignora que os professores vivem com os olhos no retrovisor. Ensinam o que aprenderam e, com grande frequência, o que eles sabem deixou de ser verdade porque a ciência anda muito mais rápido do que eles atualizam seus conhecimentos.
O Enem cria injustiças sociais quando determina que toda a educação será igual, independentemente dos gostos e preferências das pessoas; condena um número enorme de alunos que têm gostos, competências, desejos e ambições diferentes à morte intelectual, porque eles são incapazes de passar num exame estandardizado que mede a mesmice.
Há alguns anos o manual dos avaliadores de faculdades era fino. Hoje é três vezes mais grosso: exigências cada vez maiores e mais detalhadas, na tentativa de tornar todos iguais. A retórica de que temos de ter uma educação excelentemente igual em todo o País é falsa.
Primeiro: viola um princípio básico de economia. Ainda que desejos sejam ilimitados, sua satisfação é limitada, porque não há recursos para tudo. Segundo: nem todas as pessoas querem ou precisam das mesmas coisas. Uns vestem preto e outros, azul-piscina. Pela mesma razão, a sociedade não é composta de farmacêuticos, barbeiros, adestradores de rãs, jogadores de futebol, profissionais de paintball ou cantores líricos.
O MEC ainda não conseguiu tornar o Enem universal e obrigatório para todos os estudantes e necessário para a entrada em todas as faculdade e universidades do País. Felizmente!
O objetivo é torná-lo obrigatório para todos. Como ambicionam todas as burocracias, sobretudo as que têm poder de estabelecer monopólios. O objetivo é fazer todos ficarem iguais, como Brasília ou Tashkent, capital do Usbequistão. Nada a estranhar. A segunda coisa pela qual Oscar Niemeyer é mais famoso é por ser comunista. Seu objetivo principal era a igualdade por meio dos tijolos, a qualquer custo.
Em seu livro O Sagrado Moderno, Avatar Moraes mostra que a arte só veio a existir com o capitalismo. Antes, o que existia era artesanato. Só virou arte depois que o capitalismo criou a possibilidade de aqueles objetos de artesanato (quadros, esculturas, tapetes) serem comprados ou vendidos. Atribuiu-lhes um valor monetário e as pessoas passaram a poder preferir um Picasso a um Modigliani ou um Rafael a um Ticiano. Sem a diversidade de gostos que o capitalismo propicia não existiria a arte como a entendemos hoje.
Tentando tornar o Enem e o Enade obrigatórios para todos, o Ministério não melhora o nível da educação. Está no encalço de uma meta inatingível e viola a liberdade de escolha. Todos hierarquizamos. Achamos umas pessoas mais simpáticas do que outras e uma marca de TV preferível a outra. Tudo bem se estamos num sistema de livre escolha.
Quando o MEC pretende tornar o Enem obrigatório, dizendo quem serve e quem não serve, está perigosamente atentando contra a liberdade. Que seria de Pelé se não tivesse passado no Enem? Ou de Luciano Pavarotti se não conseguisse aprovação em Matemática?
John Stuart Mill defende a importância da excentricidade porque ela é a fonte de toda inovação. O que seria do progresso da humanidade se algum órgão governamental proibisse a eletricidade de corrente alternada e o mundo inteiro tivesse de usar eletricidade de corrente contínua, como queria Thomas Edison? Um excêntrico e desconhecido búlgaro chamado Nikola Tesla inventou a corrente que sai da tomada de eletricidade: a alternada. Tornou nossa vida muito melhor com sua excentricidade.
Enquanto temos liberdade de escolha, tudo bem, quando falamos de monopólios as coisas se complicam. Dizem que Cuba tem um dos melhores níveis de educação do mundo. A pergunta que fica é: para quê? Para universitários trabalharem em fábricas de queijo ou enrolando charutos?
O milionário Bill Gates foi à Universidade de Harvard receber um diploma merecido por ter inventado o DOS e o Windows, que tocam seus computadores. Cumpriu a promessa que o jovem William Gales III fez ao pai, profundamente aborrecido porque seu excêntrico filho abandonara Harvard para criar uma empresinha chamada Microsoft.
Não importa se você gosta dele ou o detesta, mas o que teria sido de Luiz Inácio Lula da Silva se ele não tivesse sido aprovado no Enem? Ainda bem que não havia Enem e ele pôde entrar para a Escola do Senai, virar torneiro mecânico e depois presidente.
Durante o regime militar muitas sandices foram feitas por presidentes-generais, todos sabendo melhor as mesmas coisas, já que todos estavam entre os primeiros alunos das turmas das mesmas escolas militares em que estudaram exatamente as mesmas coisas.
Morro de medo de pessoas bem-intencionadas, sobretudo quando em grandes grupos e, pior ainda, quando são governo e têm o poder legal de impor seus desejos autoritários a todos nós.
Alexandre Barros, cientista político (Ph.D. - University of Chicago), é diretor-gerente da Early Warning Consultoria (Brasília)
Fonte – Opinião Estadão
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Como fazer um burro falar
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Sunday, 13 September 09 - 07:31 PM (GMT -04:00) By Master Santucci in Artigos |
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João Mellão Neto
O Brasil, graças às recentes descobertas do pré-sal, está em via de ostentar uma das quatro maiores reservas mundiais de petróleo. Seguramente será a maior fora do Oriente Médio. Parabéns ao nosso país, parabéns ao povo brasileiro e parabéns também à Petrobrás. Infelizmente, as congratulações param por aí. O governo brasileiro, em relação a tudo isso, está exercendo um papel muito feio.
A Petrobrás, desde sua fundação, no início da década de 1950, sempre foi uma empresa ambígua, problemática e nada transparente. A começar pela sua criação. Há quem diga, atualmente, que a intenção do então presidente Getúlio Vargas nunca foi a de criar uma empresa estatal para exercer, na prática, o monopólio das atividades de exploração, refino e transporte do petróleo. O que se temia na ocasião era que a concessão de sua exploração, no Brasil, viesse a cair nas mãos das grandes empresas do ramo, às quais interessaria manter o País como mero consumidor. Verdade ou mentira, pouco importa. O fato é que o assunto chegou às ruas e mobilizou toda a Nação. A campanha popular ganhou o nome de "o petróleo é nosso!"
O apelo foi tão grande que culminou, em 1953, com a entrega de todas as atividades ligadas ao petróleo à recém-criada Petrobrás.
O grande receio, à época, era que, nas mãos de estrangeiros, o Brasil jamais alcançasse a autossuficiência
Muitos anos se passaram até que, na década de 1970, os pés de barro do gigante estatal foram mostrados explicitamente. Ocorreu então a primeira crise do petróleo. Tudo começou com a criação da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Tratava-se de uma iniciativa conjunta em que todos os grandes exportadores concordaram em racionar a produção com o intuito de aumentar o preço de sua mercadoria.
Funcionou. O barril de petróleo valia, à época, menos de US$ 2. Isso inibia a busca por combustíveis alternativos e também o desenvolvimento de motores mais eficientes. Esses fatos se deram em 1973 e o resto do mundo se prostrou de joelhos perante a Opep.
A fragilidade da posição brasileira, então, ficou explicitada. Com monopólio e tudo, mal conseguíamos produzir um quinto do petróleo que consumíamos. Para piorar ainda mais, sobreveio a segunda crise do petróleo, em 1980. O Brasil foi à lona.
Foi aí que começaram a surgir os primeiros contestadores do monopólio. E eles estavam munidos de argumentos impecáveis. Um deles era o ex-ministro do Planejamento Roberto Campos. Dizia ele, em tom de escárnio, que a Petrobrás só era grande da linha do solo para cima.
De fato, a Petrobrás "acima da linha do solo" explorava os mais insólitos ramos de atividade: hotéis, butiques, esportes, etc. Já "abaixo da linha do solo" - que é onde deveriam concentrar-se as suas atividades - ela era uma anã. Produzia apenas o equivalente a 200 mil barris de petróleo diários, para um consumo nacional de mais de 1 milhão.
Apesar de todas as evidências, o monopólio do petróleo só veio a ser abalado na década de 1990, quando o próprio governo encaminhou ao Congresso Nacional proposta de emenda constitucional permitindo a existência de outras empresas na sua exploração.
Funcionou. Tão logo caiu o monopólio, a Petrobrás levantou-se de seu berço esplêndido e atualmente produz 2 milhões de barris diários, dez vezes mais do que na década de
Isso, por si só, não significa que a Petrobrás se tenha tornado uma empresa "enxuta". Se o fosse, por que o desespero para impedir, no Senado, a CPI sobre ela?
Pois bem, todo esse esforço corre agora o risco de se perder, com o envio pelo Poder Executivo ao Congresso de sua proposta de "marco regulatório do pré-sal". Na prática, fica restabelecido o monopólio estatal sobre as atividades petrolíferas - ao menos no que diz respeito às reservas do pré-sal.
Ninguém tem dúvidas quanto à importância estratégica das novas jazidas. O estranho é que se faça um foguetório, quando as questões mais fundamentais ainda não foram respondidas.
O custo do barril extraído, em razão da profundidade, será competitivo?
Se for, o que fazer, uma vez que a própria Petrobrás reconhece que não existe tecnologia para tanto?
Mesmo que essa tecnologia venha a ser desenvolvida, o mais provável é que ela surja no estrangeiro. Pergunta-se: alguma petrolífera de vulto no mundo se disporá a investir no pré-sal, quando as cláusulas para isso são tão desvantajosas?
Por último: por que se está fazendo esse tremendo oba-oba agora, sabendo-se que esse petróleo só jorrará em 2020? Não seria tudo isso apenas uma patriotada pré-eleitoral?
Há uma fábula antiga que diz o seguinte: um sujeito foi ao rei propor que faria um burro falar. Pediu duas décadas de prazo mais uma farta pensão por mês. Um amigo advertiu o cidadão de que aquilo era uma loucura.
"Não é, não! Daqui a 20 anos um de nós, o rei ou eu, já terá morrido."
"E se isso não acontecer?"
"Fácil. Eu cuido de matar o burro!"
João Mellão Neto, jornalista, deputado estadual, foi deputado federal, secretário e ministro de Estado
Fonte – Estão Opinião
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Exercícios para o cérebro estimulam a criatividade e o raciocínio do profissional
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Sunday, 09 August 09 - 07:57 AM (GMT -04:00) By Master Santucci in Artigos |
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SÃO PAULO - O estresse e o alto nível de concentração exigido na maioria dos empregos fazem com que muitos profissionais pensem em descansar a mente durante todo tempo livre disponível. Entretanto, o cérebro precisa trabalhar, o que pode ser feito de maneira a relaxar também. Quanto mais informações os neurônios recebem, surgem mais ligações entre eles, as chamadas sinapses.
"A ciência já constatou que existem diversos exercícios que deixam a mente sempre afiada, ágil, esperta. Desde inocentes palavras cruzadas até games sofisticados. A explicação é simples. Quanto mais sinapses você cria, mais possibilidade de raciocínio rápido você tem. E todos esses jogos estimulam isso", explica o diretor editorial das revistas de passatempos Coquetel, Henrique Ramos.
Como exercitar o cérebro?
Assim como o corpo precisa de exercícios físicos para manter o seu bom funcionamento, o cérebro precisa de seus estímulos. Afinal, ele precisa estar sempre ativo para que não haja perda de memória nem falta de soluções criativas para driblar situações imprevistas do cotidiano.
Uma forma de exercitar o cérebro é por meio de resoluções de jogos passatempo, como palavras cruzadas, sudoku e problemas de lógica que possuem ferramentas aconselhadas por neuropsiquiatras e terapeutas para auxiliar na chamada "ginástica cerebral".
Esses jogos ajudam o profissional a fugir da sobrecarga das informações rotineiras e também estimulam a aprendizagem, a memória, a autoestima e a criatividade.
Os jogos trabalham a concentração, o foco e o raciocínio lógico. "Pessoas que resolvem passatempo conseguem criar soluções para desafios, o que tem sido muito requisitado em empresas, em provas de concursos e de vestibulares. A lógica das empresas é que essas habilidades poderão ser usadas no trabalho, para resolver problemas do dia-a-dia", finaliza Ramos.
Fonte – Info Money
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O ato de ensinar e a condição humana
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Saturday, 20 June 09 - 09:18 AM (GMT -04:00) By Master Santucci in Artigos |
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Poucas ocupações exigem tanto quanto a do professor, que é permanentemente exposto aos estudantes que deve formar.
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Cidadania e ensino
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Saturday, 13 June 09 - 08:10 AM (GMT -04:00) By Master Santucci in Artigos |
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Manoel Vilela de Magalhães
Em tempos de forte competitividade ampliam-se as exigências por novos e constantes esforços pela modernização de métodos em todos os setores. São consequências do alinhamento da sociedade ao ritmo da velocidade da informação.
Modernizar, no entanto, não é apenas avançar; é implantar e inovar métodos, preferencialmente locais, isto é, próximos da realidade do lugar. Na educação, já não cabem acomodações e obsolescência em salas de aulas, muito menos que a tarefa de ensinar se distancie dessas realidades, numa Nação de tamanha vastidão, de variados costumes e tradições como o Brasil. O Ministério da Educação (MEC), em bem-intencionada ação, empenha-se por uma radical guinada no Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem.
Os resultados divulgados recentemente mostram a falência do ensino público. A palavra de ordem, pois, é mudar. Que se mude, para melhor. E há como.
Área extremamente sensível às modificações dos hábitos e da própria realidade de cada município ou Estado, a educação, não obstante o cenário globalizado, com suas ciclópicas mudanças, ainda deixa lugar para o estilo e a prática de ensino direto e diferenciado, evitando-se a perda da identidade mais próxima do cidadão, o meio em que vive.
Seria erro tolher ideias que movimentem a mente e apontem novos rumos para o desenvolvimento. A estes, aliás, é que se devem alinhar os sistemas de ensino.
Há poucas semanas tive ensejo de presenciar cinco jovens amadores teatrais num espetáculo que transmitiu alegria a crianças curitibanas de
Os improvisados menestréis apenas deram o ar da graça numa inédita colação de grau de alunos que haviam concluído o curso de artes plásticas e texto literário, o Arte/Letrinhas. Na festiva apresentação, além de cânticos, ouvia-se um coral falado, saltitante e de intensa alegria e musicalidade, quase uma ópera. Ninguém estava reinventado a roda. Tratava-se de experiência quantitativamente pequena, que bem poderia tornar-se um norte a examinar e, quem sabe, adotá-lo. Diante de pais e avós emocionados, os jograis improvisaram uma declamação, extremamente veloz, em bom e medieval estilo. Faziam a leitura de trechos de livrinhos que os pequenos autores iriam autografar dali a 20 minutos, na Academia Brasileira de Letrinhas, numa modesta contribuição à criação de modalidades novas de ensinamento.
Isso mesmo, Academia Brasileira de Letrinhas! Uma experiência que desde o ano passado vem sendo testada em Curitiba, para, à feição de reforço escolar, estimular crianças à leitura e produção de textos e à iniciação em artes plásticas. Pela voz dos menestréis, trechos diferentes de também diferentes livros formavam sentido, contemplando a plateia com uma autêntica e breve peça de teatro cantado.
Afora o espetáculo, ali estava, sobretudo, uma demonstração de que o ensino pode, sim, superar bloqueios. Basta que as salas de aula mudem a configuração, transformando-se em cenário pedagógico. No caso da experiência aqui relatada, a união entre arte e letras.
A iniciativa de Curitiba coincide - e até a antecede - com a experiência com que o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) almeja mudar as características do Enem. Com as modificações espera-se sutilmente a prática do raciocínio e, principalmente, capacidade para o estudante relacionar temas e, assim, chegar a respostas corretas das provas destinadas a aferir se o aluno tem ou não condições de ingressar num curso universitário.
Em Curitiba, na Academia Brasileira de Letrinhas, são evidentes os bons resultados dessa busca de caminhos. Busca que leva o aluno a pensar, meditar, escrever, desenhar e, com seu próprio esforço, estabelecer o pretendido relacionamento, no fundo, a interpretação de textos.
Nada na Academia lembra ou se confunde com métodos ultrapassados, em que se pede do aluno pura e simplesmente respostas. O método não usa apostilas, muito menos lições pré-fabricadas. Os professores atuam como orientadores de classe, estimulando os alunos muito mais com respostas a indagações do que com afirmações ou imposição de técnicas estereotipadas de redação em língua portuguesa.
Qual o segredo? Nenhum. Apenas a ideia de integrar numa mesma sala e numa mesma oportunidade aulas de artes plásticas e redação. O aluno interpreta em desenho o que escreveu e, no reverso, cria frases sobre o que desenhou. Em seis meses de curso, produz texto e ilustrações para um livro, com tema e estilo de sua livre criação. Nada parecido com contos da carochinha ou de fadas. São textos baseados em temas atualíssimos, redigidos com graça, embora infantil.
Desde 2008 foram editados 25 títulos. Quem sabe desses jovens possa surgir um Acorda Brasil para o ensino.
A faixa etária ideal para estimular a criatividade é a mesma dos alunos do ensino fundamental. Entretanto, raramente a agenda diária do escolar comporta a matrícula em cursos como o Letrinhas. Quase sempre, e não sem razão, o tempo dos jovens seja tomado com aulas de inglês, música, academias de ginástica ou cursos de arte.
Bom seria se o próprio curso regular, inclusive nas escolas públicas, pudesse ser acrescido, como atividade obrigatória, de aulas de criatividade literária. Sem medo de errar.
Manoel Vilela de Magalhães foi professor da Universidade de Brasília (UnB) e redator do Estado
Fonte – Estadão Opinião
OS PILARES
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Sunday, 29 March 09 - 08:01 AM (GMT -04:00) By Master Santucci in Artigos |
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Por Luciano Pires
O maior prejuízo da tal crise que está aí jamais será contabilizado. Todo empreendimento, seja uma siderúrgica com vinte mil funcionários ou o carrinho de pipoca do Zé, sustenta-se sobre alguns pilares: a engenharia, a produção, o financeiro, as compras, a informática, os recursos humanos, a administração, o marketing, o comercial... Esses pilares variam conforme o tipo de negócio, mas a maioria sempre está lá. O Zé da Pipoca tem engenharia. Tem finanças. Tem recursos humanos. Tem marketing, não tem?
Pois bem. No início dos anos noventa, ao mergulhar na globalização, esperávamos ter os mercados mundiais abertos para os produtos brasileiros. Mas não imaginávamos que diante da concorrência dos japoneses, alemães, estadunidenses e chineses, nossa ineficiência, desorganização e amadorismo ficariam explícitos. Não dava pra nós.
Buscando uma solução importamos programas de qualificação como a série ISO 9000 e partimos para controlar, medir, mapear e organizar nossos processos produtivos. Melhoramos excepcionalmente, principalmente nos pilares fundados nas "exatas", como a engenharia, produção, compras e finanças, que desenvolveram métodos e indicadores capazes de mostrar com clareza sua utilidade e eficiência. Ganharam previsibilidade.
Variabilidade mínima. Controle.
Ao mesmo tempo as disciplinas "humanas" ficaram para trás. Áreas como o marketing e recursos humanos, que lidam com questões subjetivas, até tentaram utilizar indicadores, mas só conseguiram produzir "dados emocionais".
E os engenheiros e contadores riram...
Embora todos os discursos falassem da importância do foco nos pilares "humanos", eles passaram a ser duramente questionados nas reuniões de resultados. Enquanto as "exatas" exibiam suas minuciosas planilhas, as "humanas" não conseguiam nem mesmo provar que eram necessárias.
Passaram então a ser rotuladas de "serviços de suporte", "prestadores de serviços" e "centros de custos". Coisas legais de fazer, mas que não são necessárias, sabe como é?
Quando vem a crise (mais uma...), dança quem não consegue provar sua utilidade, seu valor. Seu "retorno do investimento". Se uma planilha Excel não consegue mostrar para que serve ou quanto vale o trabalho que você faz, bote as barbas de molho. Você é provavelmente um "não-produtivo". O sujeito que gasta o dinheiro que os "produtivos" penam para ganhar...
E então vamos demitir. Cortar os benefícios. Parar com os treinamentos. Olha o cafezinho! Parem com as propagandas! Reduzam as páginas ou a periodicidade do jornal interno. Ou acabem com ele! É despesa! E nem pensem em festa junina, hein? Estamos em crise!
Sabe qual será a consequência? Nenhuma. Para quem toma essas decisões, o que não cabe na planilha, não existe.
Para lidar com os pilares de "humanas" é preciso mais do que competência técnica. Muito mais que um diploma de MBA. É preciso ter...
Culhões. Culhões para confiar em resultados que não podem ser apresentados numa planilha Excel. Para aceitar "dados emocionais".
Mas fala a verdade, no meio da crise quem é que tem culhões para apostar no invisível? O bom senso, o consenso e a cautela dizem: na crise, só se aposta no que é garantido. No que dá pra ver. No que é exato. No previsível. Sem subjetividades, emoções e percepções. É assim que gente sensata faz.
A crise que vivemos é uma crise de confiança, de fé. Sem fé os negócios passam a ser "fabricar, controlar e vender". Só.
O maior prejuízo da crise que está aí não pode ser contabilizado: é o predomínio dos pequenos executivos que estão derrubando os pilares de "humanas".
Essa gente não tem fé. Tem medo.
COMENTE ESTE ARTIGO EM:
http://www.lucianopires.com.br/idealbb/view.asp?topicID=10747
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Os Blogs Educativos ou Educacionais
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Sunday, 04 January 09 - 06:28 PM (GMT -04:00) By Master Santucci in Artigos |
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Os blogs educativos são páginas simples, que levam vantagem sobre as home pages pela facilidade de criação e publicação, já que atualmente não é necessário nenhum conhecimento em programação para criá-los e atualizá-los. Além disso, publicam idéias em tempo real e possibilitam a interação com qualquer pessoa do mundo que esteja conectada. Sua principal característica são os textos curtos que podem ser lidos e comentados, abrangendo uma infinidade de assuntos: diários, piadas, notícias, poesias, músicas, fotografias, enfim, tudo que a imaginação do autor permitir. Como num veloz arquivo eletrônico, ele permite a abordagem de diversos assuntos, aumentando a interatividade com os visitantes, que passam a constituir uma comunidade. Ampliam-se assim, as possibilidades de um diálogo com outras formas de saber entre as diferentes disciplinas do conhecimento escolar. Os blogs podem ajudar a construir redes sociais e redes de saberes.
Na educação, os blogs são uma excelente ferramenta para publicação de idéias. Esses diários eletrônicos são uma ferramenta diferente, com potencial para reinventar o trabalho pedagógico.
Blogs em ação
Os conhecimentos adquiridos pela turma durante os projetos de estudo, bem como as demais atividades, podem ser registradas no blog, sendo possível enriquecer os relatos com links, fotos, ilustrações e sons. Os blogs são usados com o objetivo de desenvolver o hábito de registro e para divulgar boas iniciativas. São estratégias que visam dar a palavra aos estudantes e desenvolver a sua criatividade.
Todo o processo, desde escolher o servidor, eleger e editar o visual, inscrever os participantes e decidir o nome e os objetivos do blog, pode ser feito coletivamente. Também é possível fazer do blog um jornal da turma.
Vantagens dos blogs educativos
Os blogs são um espaço privilegiado para a organização de aulas, oficinas, pesquisas, onde pode-se sistematizar um assunto organizando-o de acordo com as necessidades específicas de um grupo (de alunos ou professores), constituindo-se em um significativo do processo de aprendizagem. A sua aplicação no cotidiano escolar pode se dar na forma de blogs pessoais onde os alunos escrevem livremente, bem como podem ser Blogs voltados para os conteúdos abordados através da publicações de notícias, reportagem, pesquisas, histórias, debates ou através da criação de textos.
Alguns motivos para usar blogs como atividade de ensino-aprendizagem
A web é uma ótima ferramenta para compartilhar conhecimento.
Escrever sobre algo, implica em reflexão e crítica, o que é fundamental no processo de ensino-aprendizagem.
Desenvolver a habilidade de gerenciar informação.
Desenvolver a habilidade de transformar informação em conhecimento.
Evitar o retrabalho docente. Uma vez publicado você só precisa aperfeiçoar!!!
Desenvolver o espírito de colaboração(aprender a conviver)
Aprender a aprender.
A utilização de blogs na educação, possibilita o enriquecimento das aulas e projetos através da publicação e interação de idéias na Internet. Basta adequá-los aos objetivos educacionais, para que o conhecimento seja construído através da interação dos recursos informáticos e das capacidades individuais, criando um ambiente favorável para a aprendizagem.
Algumas possibilidades
Para professores
Desenvolvimento de projetos escolares.
Trabalhos Inter-trans-Multi disciplinares.
Produção de material instrucional.
Outras atividades
Para alunos
Produção de resumos/sínteses da matéria.
Log (descrição) de desenvolvimento de projetos escolares.
Aprendizagem colaborativa.
Para professores e alunos
Conversações sobre assuntos iniciados em sala, e que podem ser aprofundados em Lista de discussão, com síntese num wiki.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Blogs_educativos
O que é Empreendedorismo Social? Parte 01
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Wednesday, 26 November 08 - 02:15 PM (GMT -04:00) By Master Santucci in Artigos |
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O empreendedor social é uma das espécies do gênero dos empreendedores. São empreendedores com uma missão social. Entretanto, por causa desta missão, eles encontram alguns desafios distintos e nenhuma definição deveria refletir isso.
Para os empreendedores sociais, a missão social é central e explícita. E obviamente isso afeta a maneira como os empreendedores sociais percebem e avaliam as oportunidades. A criação central torna-se o impacto relativo à missão e não o a riqueza. Para os empreendedores sociais a riqueza é apenas um meio para um determinado fim. Já para os empreendedores de negócio, a geração de riquezas é uma maneira de mensurar a geração de valor. Isso ocorre porque os empreendedores de negócio estão sujeitos à disciplina do marcado, o qual na maioria das vezes é quem determina se eles estão mesmo gerando valor.
Se eles não alternarem seus recursos para serem usados de forma mais economicamente produtiva, eles tenderão a serem postos de fora do mercado.
Os mercados não são perfeitos mas, de um modo geral, eles funcionam razoavelmente bem como um teste de geração de valor privado, especificamente a geração de valor para consumidores capazes de pagar.
A habilidade dos empreendedores de atrair recursos (capital, pessoas, equipamentos etc.) num mercado competitivo é racionalmente um bom indicativo de que um empreendimento apresenta um uso mais produtivo destes recursos do que os seus competidores. A lógica é simples. Os empreendedores que podem pagar melhor pelos recursos são tipicamente aqueles que podem ter seus recursos melhor valorados, como determinado pelo seu mercado. Nos negócios, o valor é gerado quando os consumidores estão dispostos a pagar mais do que o custo de produção do bem ou serviço sendo vendido.
O lucro (renda menos custos) que um empreendimento gera é racionalmente um bom indicador do valor que ele tem criado. Se um empreendedor não pode convencer um número suficiente de consumidores a pagar um preço adequado para gerar lucro, isso é um forte indicativo de que valor insuficiente está sendo criado para justificar o uso dos recursos.
Um realinhamento dos recursos acontece naturalmente firmas que falham na geração de valor não conseguem obter recursos suficientes ou captar capital. Eles saem do mercado. Firmas que criam valor de forma mais econômica têm dinheiro para atrair os recursos necessários para crescer.
As leis de mercado não funcionam muito bem para os empreendedores sociais. Em particular, as leis de mercado não fazem um bom trabalho na valorização de melhorias sociais, bens públicos, prejuízos e benefícios para pessoas que não podem pagar. Esses elementos são muitas vezes essenciais para o empreendedorismo social. Isto é o que o faz empreendedorismo social.
Como resultado, é muito mais difícil determinar se um empreendedor social está gerando valor social suficiente para justificar os recursos que usa para criar tal valor. A sobrevivência ou o crescimento de um empreendimento social não é a prova da sua eficiência ou eficácia em melhorar as condições sociais. É apenas, na melhor das hipóteses, um indicador débil.
Empreendedores sociais operam nas leis de mercado, mas estas leis nem sempre dão a disciplina correta. Muitas organizações de propósito social cobrar taxas por alguns de seus serviços. Elas também competem por doações, voluntários e outros tipos de apoio. Mas a disciplina dessas "leis de mercado" freqüentemente não está proximamente alinhada com a missão dos empreendedores sociais.
Depende de quem está pagando essas taxas ou provendo os recursos, quais são suas motivações e quão bem eles podem avaliar o valor social criado pelo empreendimento. É inerentemente difícil de mensurar a geração de valor social. Quanto valor social é gerado por se ter diminuído a população em determinado riacho, ou por se ter salvado a coruja malhada, ou por se ter provido a terceira idade de companheirismo? Os cálculos não são apenas difíceis, mas também controversos.
Mesmo quando as melhorias podem ser mensuradas, muitas vezes é difícil de se atribuir correta intervenção específica. Taxas mais baixas de criminalidade em determinada área dizem respeito à vigilância do bairro, às técnicas de policiamento ou apenas a uma melhor economia? Mesmo quando as melhorias podem ser mensuradas e atribuídas à determinada intervenção, os empreendedores sociais muitas vezes não podem captar o valor que eles têm criado num modelo econômico de se pagar pelos recursos que usam.
Quem deve pagar pela limpeza de um riacho ou pela vigilância do bairro? Como se pode fazer para fazer com que todos os beneficiários paguem pelos serviços? Para compensar esse problema de valor, os empreendedores sociais confiam-se em subsídios, doações e voluntários, mas isso apenas confunde a disciplina do mercado. A habilidade de atrair esses recursos filantrópicos pode dar alguma indicação da geração de valor aos olhos dos provedores de tais recursos, mas esse não é um indicador de muita confiança.
O retorno psicológico que as pessoas ganham por fazer doações ou se voluntariar é comumente estar apenas muito fracamente ligado com o impacto social real, isso se existir algum tipo de ligação.
Definindo Empreendedorismo Social
Qualquer definição de empreendedorismo social deve refletir a necessidade de um substituto para a disciplina de mercado que funciona para os empreendedores de negócios. Não podemos assumir que a disciplina de mercado automaticamente removerá os empreendimentos sociais que não são eficientes e eficazes na utilização dos seus recursos.
A definição a seguir combina um ênfase na disciplina e no resultado com as noções geração de valor tiradas de Say, de inovação e agentes de mudança tiradas de Schumpeter, da busca da oportunidade de Drucker e uso máximo dos valores de Stevenson. Resumidamente, esta definição pode ser baseada no seguinte:
Os empreendedores sociais têm o papel de agentes de mudanças no setor social, por:
- Adotar uma missão de gerar e manter valor social (não apenas valor privado);
- Reconhecer e buscar implacavelmente novas oportunidades para servir a tal missão;
- Engajar-se num processo de inovação, adaptação e aprendizado contínuo;
- Agir arrojadamente sem se limitar pelos recursos disponíveis; e
- Exibir um elevado senso de transparência para com seus parceiros e público e pelos resultados gerados.
Essa é claramente um definição "idealizada". Os líderes do setor social exemplificarão essas características de diferentes formas e diferentes níveis. Quanto mais um pessoa satisfaz todas essas condições, mais esta pessoa se encaixa neste modelo de empreendedor social. Aqueles que forem mais inovadores em seu trabalho e que mais gerarem significantes melhorias sociais naturalmente serão vistos como mais empreendedores.
Os verdadeiros empreendedores sociais de Schumpeter irão reformar ou revolucionar significantemente suas indústrias. Cada elemento nesta breve definição merece um pouco mais de elaboração. Vamos considerar cada uma por vez.
Agentes de mudança no setor social: Empreendedores sociais são os reformadores e revolucionários descritos por Schumpeter, mas com uma missão social. Eles realizam mudanças fundamentais na forma como as coisas são feitas no setor social. Suas visões são arrojadas. Eles atacam as causas básicas dos problemas, ao invés de apenas tratar os sintomas.
Eles muitas vezes reduzem as necessidades ou invés de apenas identifica-las. Eles buscam criar mudanças sistêmicas e melhorias sustentáveis. Ainda que possam agir localmente, suas ações têm o potencial de estimular melhorias globais nas suas áreas escolhidas de atuação, educação, saúde, desenvolvimento econômico, meio ambiente, arte e cultura ou qualquer outro campo do setor social.
Adotar uma missão de gerar e manter valor social: Essa é a essência que distingue os empreendedores sociais dos empreendedores de negócios, mesmo os de negócios socialmente responsáveis. Para um empreendedor social, a missão social é fundamental. Esta é uma missão de melhorias sociais que não pode ser diminuída para se criar benefícios privados (retornos financeiro ou benefícios de consumo) para indivíduos.
Gerar lucro, criar riquezas ou servir aos desejos de consumidores pode ser parte do modelo, mas são apenas meios para um fim social, não o fim propriamente dito. O lucro não é a medida da geração de valor; nem a satisfação dos consumidores; o impacto social é a medida.
Empreendedores sociais procuram por retornos sociais de longo prazo em seus investimentos. Os empreendedores sociais querem mais que um rápido acerto; eles querem melhorias duradouras. Eles pensam sobre como manter o impacto.
Reconhecer e buscar implacavelmente novas oportunidades: Onde outros vêem problemas, empreendedores vêem oportunidade. Os empreendedores sociais não são guiados simplesmente pela percepção de uma necessidade social ou pela sua compaixão, ao invés disso eles têm uma visão de como alcançar melhorias e são determinados para fazer sua visão funcionar. Eles são persistentes.
Os modelos que eles desenvolvem e a abordagem que eles têm podem, e muitas vezes acontece, gerar mudanças, uma vez que os empreendedores aprendem sobre o que pode ou não dar certo. O elemento chave é a persistência combinada com uma disposição de realizar ajustes como parte do objetivo, ao invés de desistirem quando encontram um obstáculo. Empreendedores perguntam, "Como podemos superar este obstáculo? Como podemos fazer isso dar certo?"
Engajar-se num processo de inovação, adaptação e aprendizado contínuo: Empreendedores são inovadores. Eles superam novas motivações, desenvolvem novos modelos e são pioneiros em novas abordagem.
Entretanto, como Schumpeter nota, a inovação pode ter várias formas. Ela não requer que se invente algo inteiramente novo, pode simplesmente submeter uma idéia já existente à uma nova forma de realizá-la ou à uma nova situação. Empreendedores não precisam ser inventores.
Eles precisam apenas ser criativos naquilo que os outros tenham inventado. Sua inovação pode aparecer na forma como eles organizam seus trabalhos principais ou como reúnem os recursos e os financiamentos necessários. No lado do financiamento, os empreendedores sociais procuram caminhos inovadores para garantir que seus empreendimentos terão acesso aos recursos pelo tempo que estiverem gerando valor social.
Essa prontidão para inovar é parte do modus operandi dos empreendedores. Não é apenas uma explosão única de criatividade. É um processo contínuo de exploração, aprendizado e melhoria. Claro que com a inovação vem a incerteza e o risco de falhar. Empreendedores tendem a ter uma alta tolerância à ambigüidade e ao aprendizado de como administrar seus próprios riscos e o dos outros. Tratam as falhas de um projeto com uma experiência de aprendizado, e não como uma tragédia pessoal.
FONTE - Fragmento traduzido do original em Inglês de: J. Gregory Dees
Escola de Graduação em Administração (Graduate School of Business) Universidade de Stanford (Stanford University).
O que é Empreendedorismo Social? Parte 2
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Wednesday, 26 November 08 - 02:12 PM (GMT -04:00) By Master Santucci in Artigos |
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Empreendedores sociais não permitem que seus limitados recursos os afaste da busca de suas visões. São habilitados a fazer mais com menos e a atrair recursos de terceiros. Usam eficientemente seus escassos recursos e os alavancam através de parcerias e colaboração com os outros. Exploram todas as opções de recursos, da filantropia pura aos métodos comerciais da economia. Eles não são limitados pelas normas do setor social nem por nenhum outro tipo de tradição. Desenvolvem estratégias de uso dos recursos que são comumente para dar apoio e reforçar suas missões sociais. Encaram os riscos de forma calculada e administram as piores fases do trabalho, para reduzir os prejuízos que podem surgir de eventuais falhas.
Eles entendem a tolerância que seus parceiros têm dos riscos e usam isso para estender o risco para aqueles que estão melhor preparados para aceitá-lo.
Exibir um elevado senso de transparência para com seus parceiros e público e pelos resultados gerados: Por causa que a disciplina do mercado não retira automaticamente do jogo empreendimentos sociais ineficientes ou ineficazes, os empreendedores sociais realização ações para garantir que estejam criando valor.
Isso significa que eles buscam um entendimento real do seu trabalho por parte de todos aqueles públicos a quem sua missão serve. Eles se fazem ter certeza que conhecem corretamente as necessidades e os valores do seu público alvo e das comunidades onde estes estão situados.
Em alguns caso isso requer uma conexão muito próxima com tais comunidades. Eles compreendem suas expectativas e os valores de quem neles "apostam", incluindo qualquer um que invista dinheiro, tempo, e/ou conhecimento para ajuda-los. Eles buscam promover reais melhorias para seus beneficiários e suas comunidades, bom como atrair retornos (sociais e/ou financeiros) para aqueles que apostam nas suas missões.
Criar uma harmonia entre os valores dos investidores/apostadores e as necessidades da comunidade é um importante pedaço do desafio. Quando possível, os empreendedores sociais criam mecanismos de feedback semelhante aos do mercado, para reforçar sua transparência.
Eles avaliam seu progresso em termos de resultados sociais, financeiros e de gestão, e não simplesmente em termos do seu tamanho, produtos gerados ou processos. Eles também usam essas informações para fazer correções de curso de acordo com o necessário.
Empreendedores Sociais: Uma Rara Espécie
Os empreendedores sociais descrevem um conjunto de comportamentos que são excepcionais. Estes comportamentos devem ser encorajados e recompensados naqueles que têm a capacidade e o temperamento para este tipo de trabalho.
Poderíamos usar muito mais deles. Todos deveriam aspirar ser um empreendedor social? Não. Nem todo líder do setor social cabe bem como empreendedor. O mesmo é verdadeiro nos negócios. Nem todo líder empresarial é um empreendedor no sentido que Say, Schumpeter, Drucker e Stevenson tinham em mente.
Enquanto nós deveríamos desejar por mais comportamentos empreendedores em ambos setores, a sociedade tem uma necessidade por diferentes tipos e estilos de liderança. Empreendedores sociais são uma rara espécie de líderes, e eles devem ser reconhecidos como tal. Essa definição preserva sua distinta condição e garante que o empreendedorismo social não é tratado em segundo plano. Precisamos de empreendedores sociais para nos ajudar a encontrar novos caminhos em direção a melhorias sociais neste novo século.
FONTE - Fragmento traduzido do original em Inglês de: J. Gregory Dees
Escola de Graduação em Administração (Graduate School of Business) Universidade de Stanford (Stanford University).
Salário de sobrevivência e emprego
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Saturday, 27 September 08 - 08:00 AM (GMT -04:00) By Master Santucci in Artigos |
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Por Engel Paschoal
Salário de sobrevivência é o mínimo para uma família ficar acima da linha de pobreza. Não confundir com salário mínimo, nem sempre suficiente para isso.
Segundo a revista norte-americana BusinessWeek (23/05/01), o movimento em favor desse tipo de salário "começou com religiosos e sindicatos trabalhistas que discutiam o salário de sobrevivência no início do século passado, o que acabou resultando na aprovação do salário mínimo em
A BusinessWeek tratava do salário de sobrevivência porque estudantes da Universidade de Harvard, "em uma greve branca iniciada em abril [de 2001] e que se prolongou por três semanas, exigiam que a universidade pagasse um 'salário de sobrevivência' a seus mil zeladores e empregados de áreas diversas, inclusive funcionários subcontratados".
Os alunos só terminaram a greve "depois que a universidade concordou em criar uma comissão para examinar um aumento de salário Os universitários reivindicavam um pagamento de US$ 10,25 por hora [cerca de R$ 24 em 2001], suficiente para sustentar uma família de quatro pessoas acima da linha de pobreza".
Formados, mas sem mercado de trabalho
No Brasil, não existe salário de sobrevivência. E a situação é ainda mais complexa por causa da falta, não só de emprego, mas de qualificação.
A primeira pesquisa "Demanda e perfil dos trabalhadores formais no Brasil", feita pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), divulgada em novembro de 2007, revelou que faltava mão-de-obra qualificada para 123 mil vagas abertas naquele ano. Eram empregos nos setores da indústria química e petroquímica, extrativista mineral e de produtos mecânicos e de transportes. Apesar disso, mais de 207 mil trabalhadores qualificados estavam desempregados o ano passado, por falta de vagas nos setores em que eles eram qualificados.
E para que ninguém diga "é claro, esse pessoal não tem curso superior", menos de 7% dessas 123 mil vagas exigiam nível superior. Ou seja, mais de 93% eram para pessoas com formação técnica ou nível médio.
O que se vê hoje no Brasil é o mesmo que já se via em países de primeiro mundo há 20 ou 30 anos, só que por razões diversas. Lá é comum graduados trabalhando como balconista, motorista, ascensorista etc. porque é muito menor o número de pessoas sem curso superior.
No Brasil, a expansão do ensino superior, com muitas faculdades de baixo nível, e sem o crescimento correspondente no mercado de trabalho, fez com que profissionais com graduação disputem empregos de nível médio e até fundamental.
Garis graduados
Apesar de isso ser mais comum em concursos públicos, a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio), do IBGE, mostra que há muitos graduados exercendo as mais diversas funções. Em 2006, um em cada dez trabalhadores urbanos com diploma universitário estava nesta situação: quase 700 mil graduados trabalhavam como operador de telemarketing, recepcionista ou vendedor de loja. Segundo o Ministério da Educação, foram 737 mil os formados em educação superior em 2006, contra 246 mil em 1995.
Nos Correios, hoje um em cada 20 carteiros tem superior completo. A Polícia Militar de São Paulo é composta de 93 mil pessoas: 3.935 soldados, cabos e sargentos têm nível superior e 12, mestrado ou doutorado. A Guarda Municipal do Rio de Janeiro tem 5.563 guardas, sendo 480 deles com diploma universitário e 32 com pós-graduação. E na Comlurb (Companhia Municipal de Limpeza Urbana do Rio de Janeiro), que conta com 12.377 garis, 37 têm nível superior.
E nisso tudo há mais um paradoxo: seria ótimo termos guardas com nível universitário, mas eles estão ali apenas porque não conseguem outro trabalho. Com isso, ocupam o lugar de muitos com vocação para policial e que adorariam tal emprego.
Com Lucila Cano
Engel Paschoal - Jornalista é especialista em temas relacionados ao 3º setor
Fonte – UOL Educação – Pais e Professores
1, 2, 3... A diferença entre educar e proibir
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Tuesday, 23 September 08 - 11:09 AM (GMT -04:00) By Master Santucci in Artigos |
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Por Içami Tiba
A repreensão lembrete é a melhor forma que os pais têm para educar seus filhos.
Pelo dicionário Aurélio de Língua Portuguesa, sobre o termo repreensão, há 77 sinônimos no Brasil. Isto é uma pequena amostra do quanto a repreensão é usada.
A repreensão feita em cima de um ato que uma criança esteja praticando é boa para interromper a ação inadequada, mas ela tem de ser complementada por um lembrete que justifique a interrupção.
Somente a repreensão tem um alcance curto, pois logo a criança poderá repetir a ação repreensível. Uma pesquisa americana mostra que uma mãe normal americana diz em média 100.000 nãos a uma criança desde que esta nasce até atingir seus 8 anos de idade. O que dá uma média de 12.500 em 1 ano, ou uma média de 34,2 nãos por dia. Destes nãos, quantos realmente foram necessários? Ou melhor, quantos nãos foram verdadeiramente atendidos?
Este não pode representar muitos outros tipos de repreensão que também por não serem ouvidos e tampouco obedecidos precisam ser repetidos. Se tiver que repetir uma mesma repreensão várias vezes pela mesma ação da criança, significa que ela foi ineficiente.
Quando a criança escuta, mas não "ouve" a repreensão, ela tenta outra vez. Assim como tentará mais outras vezes se ela não sentir autoridade na repreendedora.
Não se deve ficar bravo, ofender, bater, pois tais atitudes podem mais é reprimir do que educar a criança. Reprimir é fazer uma criança engolir a seco a proibição. Educar é acender uma luz no quarto escuro dos pensamentos da criança, para que ela compreenda com amor e carinho o melhor caminho para ela e para os outros.
Somente proibir não educa. Mas para ouvir as crianças têm que parar o que estiverem fazendo. A complementação deve vir quando as crianças já estiverem mais calmas. Durante o nervosismo ninguém ouve ninguém.
Esta complementação explica o porquê da inadequação da briga e já se estabelecem as conseqüências. Se brigarem outra vez, que parem de comer e que cada um vá para um canto do restaurante e esperem até se acalmarem.
Na próxima briga, ambos irão para o carro e esperam lá dentro até os pais chegarem.
O importante para se manter a autoridade é que as conseqüências das brigas sejam cada vez mais fortes, mas ao mesmo tempo tenham novas oportunidades de convivência. O que importa não é separar os filhos, mas eles aprenderem que têm de conviver.
Enquanto papai repreende os filhos, a mãe tem o dever de concordar e vice-versa. Nada de defender os filhos, ou atacar o pai. Esta incoerência entre o casal pode alimentar a briga dos filhos. Se os pais que são adultos não se entendem por que os filhos haveriam de ...
Nesta conversa é fundamental o pai explicar que quando brigam, ambos perdem a razão e ambos são responsáveis. Está mais errado quem provoca do que aquele que reage. Impossível descobrir quem começou...
Combina-se qual a tarefa caseira que cada filho terá que fazer como conseqüência da briga. Com os acordos combinados, o lembrete é para a aplicação das conseqüências.
As crianças têm memória curta e esquecem-se facilmente dos deveres.
A repreensão lembrete é para lembrar das conseqüências que cada um terá que arcar em casa.
Um dos melhores lembretes é simplesmente repreender e começar a contar até três. Se chegar ao três, não terá perdão, pois as tarefas estarão à espera deles em casa.
Fonte – UOL Educação
A universidade que queremos?
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Friday, 27 June 08 - 08:52 AM (GMT -04:00) By Master Santucci in Artigos |
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Entre 26 e 30 de outubro, a Universidade de São Paulo (USP) realizaria seu congresso, no qual representantes do corpo discente, docente e funcionários não-docentes discutiriam o modelo de universidade desejada, inclusive pensando novo estatuto. O evento foi abortado por alguns grupos que exigiram a dispensa dos cerca de 15 mil funcionários para participarem das reuniões, com o que a Reitoria não concordou. Na prática, a Reitoria não impediu a participação de ninguém e deu todo o apoio ao evento: transporte, alojamento, alimentação, infra-estrutura para videoconferência e para IPTV, locais (anfiteatro e salas), serviços de impressão. A iniciativa de realizar o evento só pode ser elogiada, pois as universidades são corpos vivos que devem ser aprimorados continuamente para que possam atender aos anseios da sociedade.
Inicialmente estava entusiasmado pelo envolvimento do corpo discente, pois é o maior patrimônio das universidades e a mola propulsora para sua evolução. No entanto, por vários motivos as entidades estudantis acabaram sendo contaminadas pelas associações docentes e de funcionários não-docentes, que têm um passado glorioso, mas há pelo menos duas décadas estão nas mãos dos mesmos grupos, sofrendo pelo longo continuísmo e falta de renovação.
Assim, uma iniciativa louvável estava sendo conduzida de maneira minúscula, intramuros e com forte abordagem corporativa, e acabou sendo interrompida. Uma atitude perversa para o desenvolvimento da instituição.
Os seis temas do congresso cobrem um amplo espectro, incluindo um "plano de luta" para a instalação de estatuinte democrática e soberana. Imaginam-se mudanças profundas, sendo discutidas de forma paritária por representantes de alunos, docentes e funcionários não-docentes. Esses delegados representam um universo de cerca de 100 mil pessoas que se autonomeiam entendidas no tema. Curiosamente, os usuários das atividades de cultura e extensão da universidade foram excluídos. E os demais 99,75% da população de São Paulo, que mantém a USP, devem se contentar com a condição de espectadores passivos. As torres de marfim duramente criticadas no começo do século 20 e que conduziram aos modelos modernos de universidades, inclusive adotados pelas pioneiras do País, como a própria USP, estão sendo reedificadas, agora de uma forma mais conservadora, ousaria dizer pré-humboldtiana, distorcendo a função da universidade na atualidade.
Outro aspecto preocupante, tema principal das discussões preparatórias, é sobre a governança da universidade, principalmente a forma de eleição do(a) reitor(a), e que as decisões devem ser tomadas por comissões paritárias. Como se o exercício do poder fosse o grande problema da USP. Hoje a tarefa da Reitoria é conseguir conduzir a universidade com parcos recursos. Quem não está familiarizado com a USP precisa saber que cerca de 85% do orçamento é para a folha de pessoal (ativo e aposentado) e o restante para as atividades de custeio. Os recursos extra-orçamentários vêm para atividades específicas, sem passar pela ingerência da Reitoria.
O reitor da USP não tem residência funcional, não recebe cartão corporativo, as diárias de viagens permitem apenas uma conduta espartana e o adicional pecuniário é uma pequena fração do seu salário, insuficiente para os gastos pessoais que tem pelo cargo ocupado. O que o reitor tem é o prestígio pela instituição que representa e pelo cargo até hoje ocupado apenas por grandes lideranças acadêmicas. Além disso, o atual estatuto (1988) já dilui o poder em colegiados constituídos predominantemente pelos docentes, restando pouco poder decisório aos dirigentes. Esse, a meu ver, é o grande problema de gestão da USP. Impede o dinamismo das atividades e prolonga discussões sem as concluir, como as propostas de novos cursos e disciplinas emperradas por anos nas diversas comissões.
Outro ponto muito aventado nas reuniões preparatórias foi o de tornar a USP não só independente do governo estadual, mas do próprio Estado. Pela Constituição, a única ingerência do governador na USP é indicar o reitor de uma lista tríplice preparada pela própria comunidade acadêmica - não paritária, mas liderada pelos professores-titulares. Confunde-se a autonomia acadêmica, essencial para uma universidade de pesquisa com grande competência como a USP, e a autonomia administrativa com a liberdade do docente e da universidade de fazerem o que bem entendem.
Todas as universidades públicas de renome do exterior prestam contas das suas atividades à sociedade. Não me refiro apenas aos aspectos financeiros, nos quais a USP pode ser considerada exemplar, mas a uma prestação de contas qualitativa das atividades desenvolvidas, justificando-as para a comunidade. Neste ponto esbarro em outro dogma vigente, que é a aversão à avaliação continuada eficiente das atividades dos docentes. O concurso público não é um salvo-conduto para o docente, mas uma oportunidade de demonstrar sua competência e garantir a manutenção de suas atividades. A avaliação é instrumento imprescindível para o desenvolvimento da universidade, não para fins punitivos, mas como orientação, válida para funcionários, alunos e docentes, e também para todos os órgãos.
Não tenho a arrogância de apresentar um modelo de universidade, mas gostaria de debater minhas propostas com a sociedade, incluindo a comunidade universitária. Devemos inicialmente definir o que se espera da USP, para então podermos discutir e propor a estrutura mais adequada para atingir esses objetivos e atender aos anseios da sociedade. Lamento, mas acho que estamos priorizando as formas e esquecendo o conteúdo das discussões e do nosso compromisso com a sociedade que nos mantém.
Vahan Agopyan, professor-titular da Escola Politécnica da USP, representa a universidade como presidente do Conselho Superior do IPEN/Cnen-MCT e conselheiro da Fapesp. Desde fevereiro é o coordenador de C,T&I da Secretaria de Desenvolvimento do Estado de São Paulo
Fonte – Estadão Opinião
O bom professor: profissional em extinção?
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Monday, 23 June 08 - 07:55 PM (GMT -04:00) By Master Santucci in Artigos |
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"A realidade é esta. Há muito tempo que os piores alunos se dirigem às licenciaturas", afirma Paulo Nathanael Pereira de Souza, presidente do Conselho de Administração do CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola) e autor de diversas obras sobre educação, além de ter ocupado o cargo de secretário municipal de Educação e Cultura (1971-1974) e, no início desse mês, ter sido homenageado pela Academia Brasileira de Letras (ABL) com o Prêmio Francisco Alves de Educação, atribuído a personalidade ou obra que se destaque nesse ramo.
"Antigamente, os bons professores eram de uma classe média alta, vinham de família abonadas, e seguiam a carreira por opção, por vocação. No entanto, o professor perdeu o respeito social, tornou-se um operador vulgarizado. Agora a carreira está muito abandonada, sem níveis condignos de remuneração, o que afasta os candidatos de boa qualidade. As boas cabeças não ficam. Ninguém pode sobreviver com aulas mal remuneradas", ele afirma.
Doutor Paulo Nathanael não hesita ao considerar que a Educação brasileira passa, atualmente, por uma "fase apocalíptica". Para reverter o quadro, aponta como primeiro passo uma reforma completa nas relações de trabalho educacionais. "Se houver um esforço para remunerar o professor condignamente e exigir uma postura profissional mais voltada para os seus deveres, é possível retomar o antigo prestígio do magistério". Mas não é só isso, claro. Segundo ele, também é necessário reformular a formação desses professores. "As faculdades de educação estão muito defasadas, muito frágeis com relação à formação. É um tremendo círculo vicioso, que é uma das causas da crise trágica que se apossou do ensino brasileiro".
A Educação vista de cima
O governo, por sua vez, é mais otimista. Dilvo Ilvo Ristoff, diretor de Educação Básica Presencial da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), ligada ao Ministério da Educação (MEC), discorda com alguns pontos abordados pelo estudo. "A capacidade de um professor vai muito além da nota obtida quando aluno. Há uma série de coisas a serem medidas, como a capacidade de relacionamento, de motivar habilidades individuais, de organizar o material de aula. O que conta não é só o conhecimento teórico, mas também a atuação constante na sala de aula. Tudo isso torna as conclusões do estudo insuficientes", diz ele.
Dilvo garante que, com Fernando Haddad como ministro, a Educação do país encontra-se em pé de guerra com as suas deficiências. Programas governamentais como o Reuni (Programa de Apoio ao Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais) promoveram a democratização do acesso ao ensino, mas, por outro lado, essa ampliação do acesso ocasionou um problema de qualidade. "Tirar da rua e colocar na escola já é um grande avanço. É preciso, primeiramente, garantir a formação de todos, para, depois, resolver o problema da qualidade". De acordo com ele, 70% dos estudantes dos cursos de licenciatura vêm de escolas da rede pública, o que faz com que, em geral, tenham um desempenho menor. "Porém, não podemos adotar uma posição elitista e jogar culpas na administração atual. Essa situação de desprestígio advém de equívocos históricos de não-valorização da carreira docente", esclarece o diretor da Capes.
Além do Reuni, Dilvo Ristoff aponta como medidas prioritárias do MEC a Universidade Aberta do Brasil, programa criado há três anos com o objetivo de capacitar os professores da educação básica, e uma parceria inédita com os Centros Federais de Educação Tecnológica (Cefets), que passarão, a partir do próximo semestre, a oferecer cursos de licenciatura. Questionado sobre o problema salarial, uma das causas fundamentais para afastar da carreira docente os melhores alunos, Dilvo – que é professor, mas da educação superior, e não básica – faz coro com Paulo Nathanael. "A remuneração evidentemente tem peso. A docência tem que ser mais bem remunerada", completa.
É válido lembrar que está na fila para ser votado pelo Senado, depois de ser aprovado em maio pela Câmara dos Deputados, o projeto de lei, de autoria do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), que prevê a fixação de um piso nacional para os professores, que se estenderá também aos aposentados. Se entrar em vigor, todos os educadores do país passarão a receber, no mínimo, R$ 950 para 40 horas semanais de trabalho.
A Educação vista de baixo
O último exame da Fuvest (Fundação Universitária para o Vestibular), realizado entre o final de 2007 e o início deste ano, que seleciona alunos para a Universidade de São Paulo (USP), para a Santa Casa e para a Academia Militar do Barro Branco, pode ser tomado como parâmetro para a baixa estima da docência do ensino básico. Às 230 vagas nos dois cursos de Pedagogia oferecidos –
Um fator que pode servir como exemplo do baixo rendimento é a nota de corte, o número mínimo de pontos obtidos na primeira fase para que o aluno passasse à fase seguinte. Dos 89 pontos possíveis na Fuvest 2008, os candidatos a Pedagogia deveriam acertar 38 questões (42,69% da prova), quase metade do que era necessário a um candidato ao curso de Medicina e Ciências Médicas, que exigia o mínimo de acerto de 74 questões (83,14% da prova).
Angélica Akemi, de 18 anos, foi uma das aprovadas no curso de Pedagogia na USP. Angélica cursou o ensino médio na Escola Técnica Estadual Professor Aprígio Gonzaga, na Penha, bairro onde mora, na zona leste paulistana, e não fez curso preparatório para o vestibular. Obteve 51 pontos e já está no final do primeiro semestre. Conta que o que a moveu foi o interesse pelo ensino, não só restrito à sala de aula, mas também a coordenação escolar. "Espero que o curso continue me fazendo refletir sobre educação de forma ampliada", torce ela, que já planeja continuar seus estudos depois de se formar, complementando-o com uma nova graduação ou pós-graduação.
Angélica conta que todos os alunos que cursam Pedagogia na USP devem cumprir estágios obrigatórios em escolas públicas, e completa: "é uma forma de melhor prepará-los à realidade em uma sala de aula". A estudante diz não se assustar com a baixa remuneração da profissão que escolheu. "Acho que esse risco existe em toda carreira, assim como o risco de desemprego". No entanto, instigada a apontar a solução para o problema da falta de reconhecimento, traz a resposta na ponta da língua: "Maior remuneração e tempo para preparação de aula, que não é considerado como horas de trabalho". Apesar de ser ainda uma aprendiz de educadora, a menina já sabe do que a Educação do seu país precisa.
Lygia Roncel
Fonte – JC Educação
Petróleo na educação
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Sunday, 22 June 08 - 08:28 AM (GMT -04:00) By Master Santucci in Artigos |
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Sem que se tivesse dado o devido destaque, o fato é que o presidente Lula e o presidente Fernando Henrique coincidiram totalmente ao formular uma proposta para melhorar a educação brasileira. Propõem os presidentes que os recursos adicionais que nosso país obterá com a exploração dos novos campos de petróleo que vêm sendo descobertos sejam utilizados para melhorar definitivamente a qualidade de nossa educação básica. O presidente Lula formulou a idéia na semana passada em discurso, segundo registrou o portal Terra; o presidente Fernando Henrique havia defendido essa proposta em artigo publicado neste mesmo espaço há cerca de dois meses, depois de havê-la mencionado em palestra a que assisti.
A idéia soa muito boa, mas para ter efeito na qualidade de nossa educação básica seria preciso que esses recursos adicionais fossem usados para provocar mudanças significativas nos indicadores de aprendizagem de nossos alunos. Hoje existem farto material de pesquisa e estudos comparativos que mostram que a simples injeção de mais recursos na educação não provoca mudanças significativas na sua qualidade. Da mesma forma, os estudos são unânimes ao demonstrar que as diferenças de salários dos professores não explicam disparidades nos índices de aprendizagem dos alunos. Em suma, mais recursos são necessários e bem-vindos, mas o problema é como utilizá-los para melhorar a educação.
Análises comparativas internacionais sugerem que as diferenças nos indicadores de aprendizagem dos alunos são majoritariamente explicadas pelo processo de formação e seleção dos professores e pela forma como suas carreiras se estruturam. Elas devem estimular e premiar o seu desempenho, medido pela aprendizagem dos alunos.
Não creia o leitor que propostas nesse sentido seriam facilmente aceitas e adotadas nos sistemas de ensino de nosso país. Haveria muitas resistências corporativas, ideológicas e políticas, semelhantes às que o governador José Serra e a secretária Maria Helena Castro vêm enfrentando por editarem um decreto simples que procura apenas reduzir a enorme rotatividade de professores e diretores nas escolas da rede pública paulista. Que esses profissionais da educação devam permanecer pelo menos um ano letivo na escola que lhes foi assignada por escolha ou concurso é um requisito elementar para garantir certa continuidade no trabalho escolar. Pois até isso é objeto de muita resistência e tentativas de promover paralisações na rede. Imagine-se o que ocorreria se medidas mais radicais fossem adotadas.
Temos em nosso país quase 3 milhões de professores no ensino básico que já estão contratados por Estados e municípios por esse Brasil afora. A maioria é de concursados, sendo, portanto, efetivos. Adotar novas regras para a formação e seleção de professores, semelhantes às práticas que são vigentes na Finlândia, por exemplo, seria importante, mas teria impacto apenas no longo prazo. Precisamos de algo mais rápido e efetivo. Pela Constituição, a União não pode impor regras para as carreiras de funcionários estaduais ou municipais sem garantir os recursos necessários. Federalizar o ensino básico tampouco é a solução, pois seria inviável e ineficiente gerir nacionalmente uma rede de mais de 200 mil escolas.
Deveríamos investir mais recursos na remuneração dos professores, vinculando-os, porém, à introdução de mudanças necessárias na sua formação, atualização profissional e estruturação de suas carreiras. A questão, portanto, está em identificar recursos adicionais importantes aos que hoje são aplicados na educação, de forma a induzir no curto prazo a adoção de práticas semelhantes às dos países que têm tido êxito nos seus sistemas educativos. Os recursos adicionais provenientes do petróleo podem ser uma oportunidade ímpar para viabilizar essas reformas.
A solução, a meu modo de ver, estaria na criação de um fundo nacional que contasse com recursos muito significativos e instituísse e financiasse um programa nacional de estímulo à qualidade docente. Com ele seriam estabelecidas gratificações e bônus para os professores que se submetessem a avaliações periódicas e aderissem a determinados princípios e normas que viessem a produzir resultados palpáveis na aprendizagem de seus alunos. Seguindo essa concepção geral, apresentei uma emenda ao projeto de reforma tributária ora em discussão na Câmara dos Deputados. Ela prevê que o equivalente a parcela muito expressiva dos recursos públicos provenientes do petróleo seja aplicado na educação pública básica para a criação do Fundo Nacional de Incentivo à Docência.
Em boa parte, os recursos provenientes do petróleo são distribuídos, hoje, entre as várias instâncias federativas, com propósitos genéricos ou específicos. No caso dos chamados royalties, por exemplo, as distorções geradas são enormes, pois sua destinação prioritária aos Estados e municípios produtores provoca diferenças de rendas fiscais entre entes federativos que não guardam qualquer proporção ou razoabilidade com as necessidades efetivas das suas populações. O petróleo é uma riqueza nacional, que deve produzir benefícios para o conjunto do País, especialmente para sua população mais carente. Não imagino outra utilização que pudesse produzir impacto mais importante na vida dos brasileiros e na construção de um país mais justo e desenvolvido do que sua utilização para melhorar nossa educação pública. Se hoje esses recursos são pulverizados e em grande medida desperdiçados em investimentos de prioridade questionável, imagine-se o que não acontecerá quando os novos poços de petróleo entrarem em produção.
Paulo Renato Souza, deputado federal por São Paulo, foi ministro da Educação no governo FHC, reitor da Unicamp e secretário de Educação no governo Montoro. E-mail: dep.paulorenatosouza@camara.gov.br. Site: www.paulorenatosouza.com.br
Fonte – Estadão Opinião
Vamos falar de riqueza, não de pobreza
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Monday, 16 June 08 - 09:01 PM (GMT -04:00) By Master Santucci in Artigos |
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Adam Smith, considerado o Pai da moderna economia, deu à sua mais famosa obra, ainda em pleno século XVIII, o nome de “Uma investigação sobre a Natureza e as Causas da Riqueza das Nações”. Evidentemente, ele não perdeu seu precioso tempo investigando as causas da pobreza das nações, pois sabia que a mesma não tem causas, já que é o estado natural do ser humano e, conseqüentemente, das nações. A pobreza, portanto, é o resultado da inércia. Se você é daquele tipo meio alucinado, que deseja experimentar o sabor da penúria, simplesmente não faça nada; livre-se dos seus bens, deite-se “eternamente em berço esplêndido”, como diz a anedota – digo, o hino – e eu garanto que a miséria virá fazer-lhe companhia.
Não por acaso, durante a maior parte da história humana, a pobreza foi a norma, a condição natural de nossos antepassados. Extraordinária mesmo é a riqueza. Adam Smith sabia perfeitamente disso, desde o século XVIII, mas, infelizmente, ainda hoje, há muita gente que não compreendeu esta singela questão, e continua perguntando, equivocadamente, o que causa a pobreza.
A resposta mais freqüente para esta falsa questão costuma ser uma completa falácia: Fulano é pobre porque Beltrano é rico ou a nação X é rica porque explora a nação Y. O raciocínio – se é que há algum – por trás desta enormidade é que existe uma quantidade fixa de riqueza na natureza, da qual os ricos ficam com a maior parte.
Isso é um completo e acabado despautério. De fato, a riqueza é criada pelo homem, através da produção, do empreendedorismo, da especialização e da divisão do trabalho, e, acima de tudo, pelo mecanismo de trocas no mercado. Por isso, no lugar de tentar tomar a riqueza dos ricos e redistribuí-la aos pobres, deveríamos tentar implementar as condições necessárias para que o maior número possível de indivíduos pudesse juntar-se ao mundo dos criadores de riqueza.
As nações pobres da África não vão tornar-se ricas porque os países ocidentais lhes dão esmolas. Pelo contrário, elas só sairão da pobreza produzindo e trocando bens e serviços. A verdadeira batalha é criar o ambiente propício para o enriquecimento das sociedades como um todo e, dessa forma, melhorar as condições de vida de todos os que nelas vivem. Boa parte das nações do chamado mundo ocidental já venceu esta batalha e hoje encontra-se sob o modelo de organização social que se convencionou chamar de capitalismo democrático liberal.
Tal modelo prevê um ambiente com poucas restrições à atividade econômica privada e desenvolve-se dentro de um sistema formal que defende de maneira intransigente o direito à propriedade e o respeito aos contratos. Nesse ambiente, florescerá a competição, o esforço de empresas e indivíduos para conseguir os favores dos demais (consumidores). Esses esforços, afora serem dirigidos no sentido de satisfazer os desejos dos outros, trazem como resultado menores preços e melhor qualidade de produtos e serviços, além de estimular o progresso tecnológico ao fomentar enfoques científicos alternativos para os problemas industriais.
No Brasil, infelizmente, estamos ainda muito longe disso. Reféns de uma mentalidade francamente avessa ao lucro e majoritariamente assistencialista, nutrimos grande admiração pelo intervencionismo estatal na economia. São centenas de milhares de regulamentações, exceções, reservas de mercado, tarifas aduaneiras protecionistas, impostos e taxas às pencas, sem falar das legislações trabalhista e sindical, que transformam a contratação de mão de obra num ônus pesadíssimo e num risco incomensurável.
Junte-se a isso um sistema tributário boçal, que, além de pesado e ineficiente, transforma o contribuinte em empregado do fisco, tal é a quantidade de obrigações acessórias que carrega. Enfim, tudo que o Estado brasileiro pode fazer para atrapalhar e obstaculizar a livre iniciativa, ele faz com grande presteza.
Já o direito de propriedade começa achincalhado desde a Constituição Federal, que o coloca subordinado à tal "função social", tornando implícita a idéia de que qualquer coisa que você porventura possua, inclusive a força do próprio trabalho, na verdade pertence ao Estado, e é “sua” somente no sentido de que os “príncipes eleitos” delegam a você certos privilégios temporários em relação a ela.
Como o respeito aos contratos e o Estado de Direito não estão plenamente assentados, nem em termos das instituições formais (leis) nem das informais (ética), a falsificação e a pirataria correm soltas, sem que as autoridades, os prejudicados e a população em geral tomem qualquer atitude. Basta percorrer as ruas das principais capitais do país para verificar a total impunidade com que os camelôs vendem mercadorias pirateadas, quando não contrabandeadas ou roubadas.
Como se vê, ainda temos um longo caminho a percorrer até que consigamos estabelecer em Pindorama os requisitos básicos para o nosso progresso. Para início de conversa, será necessário reverter a mentalidade tacanha que impera por essas bandas, cujo mote é a demonização da riqueza e a apologia da pobreza como valor moral. Sem isso, nunca chegaremos a parte alguma.
Fonte – MídiaSemMascara
Os problemas do ensino médio
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Monday, 16 June 08 - 08:47 PM (GMT -04:00) By Master Santucci in Artigos |
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Por ter um currículo defasado, que não atende satisfatoriamente a nenhuma dessas propostas, o ensino médio vem enfrentando graves problemas, como evasão e déficit de aproveitamento. Só no Estado de São Paulo, onde há 1,8 milhão de estudantes de nível médio, 327 mil teriam abandonado os estudos ou tentado encontrar vaga em escolas profissionalizantes, entre 2004 e 2007. Nas cidades mais pobres das Regiões Norte e Nordeste, o índice de evasão chega a 50%.
Os indicadores de desempenho também são preocupantes.
É à luz desse cenário sombrio que se deve examinar a pesquisa feita pela ONG Ação Educativa com as partes mais interessadas no problema - os próprios estudantes do ensino médio. A iniciativa é inédita e os resultados do levantamento foram divulgados com exclusividade pelo Estado. Eles revelam que 43% dos alunos ouvidos
À medida que eram aprovados para as demais séries, esses estudantes se decepcionavam com a escola, que não lhes fornecia nem formação técnica para que pudessem encontrar um bom emprego nem preparo para ingressar no ensino superior. Mais preocupante ainda é o fato de 8% dos alunos afirmarem não ter mais qualquer interesse em aprender, só permanecendo na escola para obter o diploma. Desmotivados, eles se queixam da falta de articulação entre o currículo e a realidade social e econômica.
"Qual o ensino médio que a gente quer? Para que ele serve? Ele é uma etapa estratégica para o acesso ao direito à educação e está sem um propósito, sendo oferecido apenas como continuidade do ensino fundamental", diz a coordenadora da pesquisa da Ação Educativa, Ana Paula Corti. "Além disso, há no momento discussões pelo País embasadas em apostas e dados, mas que não consideram a opinião e os anseios das pessoas que estão na escola", conclui. "Quando você dá a palavra a eles (estudantes), fica evidente o descompasso entre a escola e as necessidades que têm", afirma a professora Valéria Leão, da Escola Estadual Jardim Planalto, no Jardim Ângela.
A definição do currículo mais adequado para o ensino médio sempre foi uma das principais dificuldades enfrentadas pelas autoridades educacionais. Ouvir o que as partes mais diretamente interessadas têm a dizer é uma iniciativa importante para ajudar a resolver o problema, sem cair no equívoco de fundir ensino médio com ensino profissionalizante.
Fonte – Estadão Opinião
Proteção às escolas
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Wednesday, 11 June 08 - 09:08 PM (GMT -04:00) By Master Santucci in Artigos |
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O programa então lançado, com orçamento de R$ 82,5 milhões, previa a instalação de 1.200 câmeras com sensores de presença, monitoradas por 13 centrais ligadas à Guarda Civil Metropolitana (GCM). Seriam também contratados 750 vigilantes patrimoniais, de empresas privadas de segurança, que atuariam desarmados no período noturno, nos fins de semana e feriados. O secretário municipal de Educação, Alexandre Schneider, justificou a contratação de vigilância privada dizendo que o gerenciamento da segurança deve ser entregue a especialistas no assunto: "A Secretaria da Educação tem de cuidar da educação, não da segurança." A instalação dos sistemas de segurança e a contratação dos vigilantes patrimoniais, segundo se disse, ocorreriam no segundo semestre de 2007.
Na verdade, só agora o programa começará a funcionar efetivamente. A partir de julho haverá vigilância por 24 horas, com câmeras e rondas de motos equipadas com radiocomunicação, em 309 escolas que já sofreram ataques de marginais ou de vândalos.
Mas especialistas em problemas de violência urbana apontam algumas falhas e questionam em certa medida o critério da escolha, feita pela administração municipal em conjunto com a Secretaria de Estado da Segurança Pública, dentre as 1.245 escolas que compõem a rede pública municipal, das 309 escolas que receberão proteção da vigilância privada. De cada 10 escolas municipais de ensino fundamental e médio, 6 estão em áreas com índices de criminalidade bastante altos, conforme o levantamento.
Nas 309 escolas selecionadas, estudam 500 mil alunos. O bairro de São Mateus, na zona leste, foi o que recebeu maior atenção - 98% dos estabelecimentos ali localizados serão vigiados. Em segundo lugar ficou Guaianases, com vigilância em 81% das suas escolas. Na zona sul, Capela do Socorro terá vigilância em 78% das escolas municipais.
Os especialistas em segurança entrevistados pelo Estado ponderam que as autoridades responsáveis pela definição das unidades beneficiadas pelo programa fizeram um bom mapeamento da criminalidade, mas não teriam levado na devida conta outros fatores importantes, como a relação que as escolas mantêm com a comunidade. Há estabelecimentos localizados em áreas críticas em termos de violência, mas que mantêm um relacionamento positivo com a vizinhança e, por isso, são respeitados. Em compensação, há outros que, apesar de localizados em regiões menos violentas, são alvos de constantes ataques de marginais.
O pesquisador Renato Alves, do Núcleo de Estudos da Violência da USP, cita o caso da Emef Presidente Campos Salles, de Heliópolis, que não sofre depredação há anos, "por causa da boa relação com a comunidade". Já a professora Neide Noffs, da Faculdade de Educação da PUC-SP, observa que, além da preservação patrimonial, assegurada pelas câmeras, rondas motorizadas, vigilância terceirizada e pela GCM, a proteção aos alunos e professores precisa constar do programa. Os casos de acerto de contas entre gangues, nas calçadas próximas das escolas, cobranças de dívidas do tráfico de drogas e seqüestros relâmpagos de professores poderiam ser reduzidos caso as rondas motorizadas e a escolta fossem escalonadas em função dos horários de entrada e saída de professores e alunos.
Um efetivo esquema de segurança deve ser planejado com mais precisão e levar em consideração os vínculos do estabelecimento com entidades da região e com a comunidade.
Fonte – Estadão Opinião
Os inimigos da Amazônia estão aqui
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Wednesday, 04 June 08 - 09:45 PM (GMT -04:00) By Master Santucci in Artigos |
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Uma infeliz série de artigos, incluindo um publicado no jornal The New York Times, realimentou um fantasma que nos persegue há bastante tempo: o risco da internacionalização da Amazônia. Um dos poucos brasileiros que tinham a coragem de apontar para o equívoco desta "iminente ameaça à nossa soberania" era o saudoso senador Jefferson Péres, que, num dos seus últimos discursos, disse: "Não tenho tanto medo da cobiça internacional sobre a Amazônia. Tenho medo da cobiça nacional sobre a Amazônia, da ação de madeireiros, de pecuaristas e de outros que podem provocar, repito, o holocausto ecológico naquela região."
Não creio que exista uma conspiração em curso com o objetivo de internacionalizar a Amazônia. A lógica é simples: os alegados interesses econômicos de outros países não precisam de tropas ou domínio estrangeiro para usufruir as riquezas da região. Basta ver o setor de mineração, com forte domínio de multinacionais, que lavram nossas riquezas à luz do dia, amparadas pela lei, em todo o território nacional, incluindo a Amazônia. Recentemente, uma licitação colocou nas mãos de um consórcio internacional a responsabilidade sobre a hidrelétrica de Jirau, que terá importância estratégica para a região e o País. Empresas multinacionais apóiam a produção de soja na Amazônia. Poderíamos falar sobre a participação estrangeira em setores estratégicos como telecomunicações, etc... Tudo isso sem a necessidade de nenhuma "invasão" ou "domínio" de outros países ou aquisição de terras por estrangeiros.
Alguns enganos são realimentados pela imprensa e servem para nutrir o debate sobre a "internacionalização", que deveria ser periférico na discussão sobre o futuro da Amazônia. A frase atribuída a Al Gore não foi dita por ele, mas sim por um congressista norte-americano de pequena expressão. Os cadernos escolares americanos com o mapa da Amazônia excluída do Brasil nunca existiram de fato e foram montados por um site na internet. Existem muitos outros enganos repetidos de forma equivocada.
O cerne da "questão amazônica" é outro e mais incômodo: os inimigos da Amazônia estão aqui mesmo, dentro do nosso país. Na sua quase absoluta totalidade, são brasileiros os que desmatam, produzem e compram madeira ilegal, plantam soja, promovem a grilagem de terras e assassinam líderes dos movimentos sociais. A ação do poder público brasileiro, salvo raras exceções, tem sido insuficiente para reverter esse quadro. Infelizmente, essa é a dura realidade. O problema está aqui, e não no exterior.
A solução inclui quatro componentes principais.
Primeiro, precisamos de um Projeto Nacional para a Amazônia que explicite o óbvio: desmatar é contra o interesse nacional. Das florestas amazônicas depende a chuva que irriga a agropecuária e abastece as hidrelétricas e as cidades em quase todo o Brasil. Soma-se a isto o potencial socioeconômico de produtos florestais, obtidos sob regime de manejo sustentável. O Projeto Nacional para a Amazônia deve seguir o exemplo das políticas de sustentabilidade do Amazonas, baseadas num princípio simples: a floresta deve valer mais em pé do que derrubada.
Segundo, precisamos de políticas públicas eficazes e na escala correta. Sabemos como promover o desenvolvimento sustentável na região. Existem muitos exemplos de sucesso que precisam apenas ganhar escala. Faltam investimentos públicos e gestão eficiente.
Terceiro, precisamos envolver a sociedade civil, universidades e o setor privado numa grande cruzada em prol da sustentabilidade do desenvolvimento da Amazônia. Devemos combinar os conhecimentos tradicional e científico, a criatividade e o empreendedorismo brasileiros a favor de um projeto nacional de sustentabilidade para a região.
Quarto, devemos ser proativos no cenário internacional. O caminho é utilizar o interesse internacional a nosso favor, cobrando dos países desenvolvidos mecanismos financeiros que valorizem o papel de nossas florestas para a sustentabilidade do planeta.
Buscar vilões estrangeiros é mais cômodo e simples, mas, infelizmente, não vai resolver o cerne do problema. O problema está aqui, na nossa cara. De nada adianta satanizar organizações não-governamentais, que, no geral, realizam ações positivas nos campos sociais e econômicos. Dificultar a participação de estrangeiros no desenvolvimento científico e tecnológico da região? Burrice. Deveríamos, ao contrário, fomentar parcerias e a cooperação inteligente. Proteger contra a biopirataria? O caminho é fomentar o desenvolvimento tecnológico e o de indústrias de biotecnologia na região. Deixar as florestas amazônicas fora do mercado de carbono? Não. Deveríamos defender a instituição de mecanismos de pagamento por serviços ambientais para remunerar as populações que vivem na floresta. Ao invés de optarmos por uma posição retranqueira e isolacionista, deveríamos ser proativos e propositivos no cenário internacional.
Obviamente, reposicionar o debate sobre a soberania da Amazônia não significa que devamos negligenciar os interesses e movimentos de outros países na região. Temos de estar alertas. Existem, em toda parte, interesses escusos que devemos combater, especialmente o narcotráfico em áreas de fronteira. Felizmente, os militares representam o que há de melhor em termos de presença do Estado na região, ao desempenharem com competência sua função de guardiões do nosso território.
Identificar os inimigos certos e nossas metas estratégicas é essencial para vencermos a batalha pela defesa da Amazônia. Nosso desafio é cuidar bem da sustentabilidade da Amazônia. Com competência e seriedade. Esta é a melhor arma para defendermos os interesses estratégicos e a soberania do Brasil na região.
Virgilio Viana é diretor-geral da Fundação Amazonas Sustentável
Site: www.fas-amazonas.org
As diversas formas de comunicação - A oralidade primária
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Wednesday, 04 June 08 - 08:38 AM (GMT -04:00) By Master Santucci in Artigos |
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Antes da invenção da escrita, todo o saber era transmitido oralmente. A memória humana (essencialmente a auditiva) era o único recurso de que dispunham as culturas orais para o armazenamento e a transmissão do conhecimento às futuras gerações. A inteligência, portanto, estava intimamente relacionada a memória. Os mais velhos eram reconhecidos como os mais sábios, já que detinham o conhecimento acumulado. A figura do mestre, aquele que transmite seu ofício, também exerce um papel importante nessas sociedades.
O "pensamento mágico", a despeito dos aspectos teológicos, desempenha uma função mnemotécnica nas sociedades sem escrita. O mito encarna, através dos deuses, dos feitos de seus heróis e ancestrais, as principais representações de uma comunidade. Segundo Lévy, esse tipo de narrativa era a melhor estratégia de codificação à disposição das culturas que não possuíam outro instrumento de inscrição além da própria memória. "As representações que têm mais chances de sobreviver em um ambiente composto quase que unicamente por memórias humanas são aquelas que estão codificadas em narrativas dramáticas, agradáveis de serem ouvidas, trazendo uma forte carga emotiva e acompanhadas de músicas e rituais diversos" (1).
Alguns autores também denominam as sociedades que antecedem à escrita como sociedades tradicionais, já que nelas o conhecimento é passado de geração a geração por meio da tradição. Para que determinado saber ou fazer se perpetue é necessário que seja escutado, observado, imitado, repetido e reiterado. A noção de tempo está mais ligada a idéia de ciclos que se repetem do que a de acontecimentos que se sucedem. A temporalidade nessas sociedades é portanto marcada por um movimento circular de "eterno retorno".
Notas de referência:
(1) LÉVY, Pierre. "As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática". Tradução Carlos Irineu Costa. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1993 (Coleção TRANS) p. 83
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